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Josep Maria Rufí e Dolors Bassa |
Querida
Dollors,
Te
escrevo justamente hoje, quando já faz cem dias que você se encontra na prisão
espanhola de Alcalà-Meco. E só isso já é um golpe a mais.
Em
Torroella de Montgrí, procuramos nos apoiar uns aos outros e, acima de tudo,
apoiar os teus. As mostras de solidariedade e de ajuda material são as de um
povoado que se orgulha muito de você, da nossa vizinha ministra do país. Os
laços amarelos e suas fotos, que estão por toda parte, nos recordam o tempo
todo a ignomínia.
Já
sabe que a câmara municipal aprovou, com unanimidade de todos os grupos, a
moção pela soltura dos presos políticos, pelo retorno dos exilados e a denúncia
do desvio antidemocrático e autoritário cometido pelo estado espanhol.
Talvez
eles pensem que, ao levarem aqueles que são nossos legítimos representantes à
prisão ou ao exílio, iremos nos render ou desistir de exercer nosso mandato
democrático, emanado dos cidadãos. Nada mais distante da realidade.
Os presídios
femininos são invisíveis. De fato, muitas vezes as pessoas se esquecem de você
ou da Carme Forcadell. As prisioneiras políticas têm pouca ressonância e,
muitas vezes, são omitidas quando se fala dos “presos políticos”. Mas em
Torroella de Montgrí nós não vamos nos esquecer. Temos você sempre em nossos
pensamentos e trabalharemos incansavelmente até conseguir a sua liberdade.
Há
poucos dias tive chance de visitá-la na prisão. Os quarenta minutos foram
demasiado curtos, mas não nos impediram de fazer nossas mãos coincidirem
através do vidro, e que fossem transmitidos todos e cada um dos abraços que me
tinham encarregado de te oferecer. Perguntei qual era a mensagem que você
queria que eu transmitisse. Persistir,
foi a resposta. E é isto que estamos fazendo.
Lembramos
de você todos os dias. Da nossa Dolores Bassa, mulher, filha, mãe, avó, mestra,
sindicalista, diretora, conselheira do Governo Autônomo da Catalunha... sempre risonha,
otimista, cheia de vida, valente, indestrutível. Aquela que não dobrarão jamais,
porque é um exemplo de sacrifício e de dignidade a serviço da Catalunha. Uma
voz, muitas ideias e uma honradez que jamais alguém conseguirá aprisionar.
Durante
muitos anos, trabalhamos lado a lado na prefeitura. Como prefeito, tenho sempre
presente o lema que você nos inculcou: o compromisso nacional e o compromisso
social são duas faces de uma mesma moeda.
Dolors,
como diz a letra de uma canção do Txarango: “Conta
comigo nos dias de luta/ se a esperança de ti descuida/Cada mau passo
encontrará um braço/Conta comigo.”
Enquanto
isso, como da última vez em que nos vimos em liberdade, lembro de você no Velho
Ter, em Estartit, passeando na beira d’água, como você tanto gosta. Logo
voltará a fazer isso, naquela paisagem empordanesa que os deuses nos deram de
presente, com o Montgrí, o Ter e as Ilhas Medes.
Vamos
tirar você daí. Vamos tirar!
Josep
Maria Rufí Pagès
Prefeito
de Torroella de Montgrí
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