domingo, setembro 30, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
Era um dia, era claro, quase meio

Num dos raros momentos em que consegui sentar para assistir alguma coisa, ganhei logo o melhor presente: Edu Lobo, documento inédito, direção de Regina Zappa. A diretora, jornalista mais que conhecida e reconhecida, é casada com um grande amigo meu, o arquiteto e designer Túlio Mariante. E o nosso encontro, ainda que há muito prometido, só veio a acontecer em Conservatória.
Confesso meus engasgos enormes durante o filme. As hábeis e sutis escolhas de Regina para registrar a vida e obra desse gênio algo injustiçado da nossa música velejaram por entre lembranças muito queridas, que acabaram mesmo por me marejar. Uma voz e um violão para Cordão da Saideira, recortes em clima de festival para o apogeu de Ponteio, com Marília Medalha, a verdadeira história da agonia de Torquato Neto refletida na letra, em parceria, de Pra dizer Adeus...
Edu, ainda um menino quase, em muitos momentos; em outros, cada vez mais parecido com o pai, Fernando Lobo, que ainda conheci nos últimos tempos de TVE. Edu e sua imensa musicalidade, sua enorme parte na história da música brasileira da geração imediatamente anterior à minha, e que acabou por misturar-se à minha. Edu com seu inconformismo na ponta das letras e no fundo da melodia, com seu jeito de bom moço levando a sério o que era para levar. E Edu hoje, com a mesma profundidade e o mesmo talento, filhos, discos, livros, amigos.
Regina soube contá-lo, registrá-lo, transparecê-lo bem para quem, pela pouca idade ou o muito descuido, não teve a chance certa de o conhecer. Vê-se em sua direção o pulso jornalístico que no entanto deixa a emoção sobrenadar, conduzir a narrativa e confluir para belos reencontros, com a atualidade necessária para contar o que deve ser contado sem cair em excessos ou embotar a verdade básica do que a obra de Edu Lobo representa, dentro da nossa música.
Edu Lobo foi uma grande felicidade dentro da correria do I CINEMÚSICA. Além de nos prestigiar com uma estréia nacional, Regina Zappa foi mais do que justa com o biografado. Foi justa e generosa com a música do Brasil e com as gerações e gerações de brasileiros que necessitam desesperadamente de conhecê-la em profundidade, para dar-lhe o devido valor.
Me lembro tanto e é tão grande a saudade, que até parece verdade que o tempo inda pode voltar... O tempo de Regina Zappa em Edu Lobo não só volta na medida certa como sabe seguir em frente, com rumo certo e passo forte, para celebrar o que Edu Lobo, hoje e sempre, tem de melhor.
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