<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964</id><updated>2011-11-13T07:51:52.056-04:00</updated><title type='text'>Jornalistico</title><subtitle type='html'>O Jornalistico é um espaço para idéias, letras, sentimento... e para o pulsar constante da vida que urge.
O repórter fotografa o momento. Aqui estou, é meu ofício, munida apenas da câmara escura povoada de palavras que dá nitidez às imagens que entram e saem da minha alma.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>122</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4620680968355536201</id><published>2011-10-23T22:01:00.009-04:00</published><updated>2011-10-23T22:47:23.958-04:00</updated><title type='text'>Senhora do engenho das palavras</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-U_q48f4rtAc/TqTJQW-qSKI/AAAAAAAAAyc/iK2jRBxUq7c/s1600/maria%2Bbethania%2Bguerreira%2Bguerrilha_lancamento_sesc%2Bginastico.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-9OECQvP64Ys/TqTItqzNP_I/AAAAAAAAAyQ/Py3Hl9ha0-o/s1600/bethania_portugal1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-9OECQvP64Ys/TqTItqzNP_I/AAAAAAAAAyQ/Py3Hl9ha0-o/s320/bethania_portugal1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666874918047662066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Divulgação&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:14.0pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;Se &lt;i&gt;Bethânia&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;palavra&lt;/i&gt; não são sinônimos, é como se fossem. Taí uma coisa que nunca tinha formulado na minha cabeça até vê-la, na semana passada, atuar numa &lt;i&gt;leitura&lt;/i&gt; – espécie de “quarto ato” que coroa toda uma vida de pura intimidade com a vocalização da nossa amada língua-pátria. Só então tudo ficou transparente dentro de mim: foi com ela que aprendi, só em sentir, a verdade profunda por trás de cada sílaba portuguesa que se pronuncia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;A leitura “Bethânia e as palavras”, realizada no Teatro Sesc Ginástico em comemoração ao relançamento-resgate do livro “Maria Bethânia Guerreira Guerrilha”, de Reynaldo Jardim, confiscado pela censura da década de 1960, foi aberta com um vídeo que começou batendo forte. Além de comoventes depoimentos do autor, falecido em fevereiro deste ano, lá estava Bethânia cantando &lt;i&gt;Carcará&lt;/i&gt;, no lendário show Opinião. Arre que eu nunca tinha visto aquilo! De saber, sabia só de fotos. Vejo que já era, então, um animal armando voo, com a coreografia da guerra diária de sobreviver, perfil e olhos em riste, a natureza descompassadamente contida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;Em 64 eu tinha oito anos, morava no interior, viajava pouco e lia muito. Aprendia a cor sombria dos tempos entre conversas entreouvidas, soturnas. Bethânia me chegou bem depois, mas o susto não foi menor. Com os discos &lt;i&gt;Drama&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Terceiro Ato&lt;/i&gt; e o seu exclusivo entrelaçar de músicas, letras e poemas, descobri que só ela sabia &lt;i&gt;dizer &lt;/i&gt;as coisas. Sim, e de um jeito tão próprio que seria inútil tentar imitar. Quando Bethânia diz “&lt;i&gt;minha mãe”&lt;/i&gt;, o mãe-ser é outro, não esse que a gente fala com a mãe da gente, nem o que se lê ou se escuta em qualquer outro lugar. Se ela diz &lt;i&gt;"beleza"&lt;/i&gt;, a dita fica mais bela. Ao falar “Ele é &lt;i&gt;casado&lt;/i&gt;...”, Bethânia desenha e sublinha e reinventa a palavra como se ela possuísse um dicionário sonoro só seu, independente, e que nos desse de presente sentidos novos em cofrinhos para guardar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;Com Bethânia, as palavras passaram a acordar dentro de mim diferentes. Fez das canções de Dalva de Oliveira novos hinos, ofereceu segredos que alguma coisa do fundo de dentro sabia interpretar, nem eu sei como.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Desde então, perdi no tempo o contato com o que as palavras eram antes dela chegar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Esclareço que não sou fã de carteirinha. É inútil me perguntar em que ano Bethânia gravou tal disco ou cantou em tal lugar. Deixo isto para aqueles que a têm acompanhado mais de perto, ao longo dos anos. Mas tenho cultivado, vida afora, a sua presença – que vai muito além dos sete buracos da minha cabeça. Bethânia &lt;i&gt;é&lt;/i&gt;, e nada mais é preciso.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Nesse cultivo, cada ínfimo detalhe dos poucos shows que assisti conta muito. Ainda peguei o último no Teatro da Praia, paralisada às raias do êxtase. E alguns no Canecão, também. Na Flip 2009, em meio à inesquecível homenagem a Jorge Amado, caiu a ficha diante da majestosa figura de branco, cabelos fartos abaixo da cintura, as mãos num meneio que só ela é capaz de fazer, os olhos de estrelas. &lt;i&gt;Consagração é isto&lt;/i&gt;, senti e guardei. O povo todo ali rendido, fechado com ela, como se não houvesse nem ontem e nem amanhã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-U_q48f4rtAc/TqTJQW-qSKI/AAAAAAAAAyc/iK2jRBxUq7c/s1600/maria%2Bbethania%2Bguerreira%2Bguerrilha_lancamento_sesc%2Bginastico.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 235px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-U_q48f4rtAc/TqTJQW-qSKI/AAAAAAAAAyc/iK2jRBxUq7c/s320/maria%2Bbethania%2Bguerreira%2Bguerrilha_lancamento_sesc%2Bginastico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666875514022414498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;E assim, Bethânia e Caetano têm sido dois lados da mesma viagem, desde sempre – ela luz, ele cometa, montado na proa do futuro. Lembro, em particular, de um momento lindíssimo do documentário &lt;i&gt;Pedrinha de Aruanda&lt;/i&gt;: Bethânia, Caetano e sua mãe Dona Canô, musa de todos nós, cantando juntos, sentados no quintal da casa da família, em Santo Amaro da Purificação, numa linda noite de luar.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Pura delicadeza, coisa de famílias antigas, com raízes de jaqueira.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Encantamento incompatível com a correria da maioria dos dias, mas que fica no coração da gente, refrescando como o sereno da noite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;(Rezam as lendas de minha família que um irmão de minha avó – Affonso Guimarães, que não cheguei a conhecer - deixou a tímida Pinheiral, no interior do estado do Rio, para trabalhar em Santo Amaro, na Bahia. E lá, teria feito a corte à jovem Canô, com intenção de noivar. Mas o destino não quis e acabou escrevendo certo: que filhos outros, senão estes nascidos de Seu Zezinho e de Dona Canô, poderiam ser tão especiais e únicos para a música do Brasil e para a alma dos brasileiros?)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt;Vejo a serena elegância de Bethânia neste recital quase camerístico, secundado por percussão e cordas. À leitura de poemas, acrescenta histórias íntimas, brinca e nos envolve como se estivéssemos todos sentados em torno de uma grande mesa, possivelmente na copa de uma vasta casa, tomando café com beiju, inhame, farinha de milho.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Os pés de menina de areia continuam a voar nus pelo palco, vai lá, vem cá, e o corpo junto, onda e reverência, aceno e ventania. Se um gesto silencia até a respiração das pessoas, outro convida a cantar. &lt;i&gt;“Ô cirandeiro, cirandeiro ô, a pedra do teu anel brilha mais do que o sol...” &lt;/i&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;O coro é tímido, quase moldura para a voz forte-segura que nos acostumamos a receber. Mas se faz presente como uma certeza de que estaremos aqui, como alguém cantando ao longe, longe, para Bethânia saber que sua voz e presença, que vêm do coração, traduzirão para sempre, dentro de nós, toda a beleza da Natureza, onde não há pecado, nem perdão...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="Cambria&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;font-size:100%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4620680968355536201?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4620680968355536201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4620680968355536201' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4620680968355536201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4620680968355536201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/10/senhora-do-engenho-das-palavras.html' title='Senhora do engenho das palavras'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-9OECQvP64Ys/TqTItqzNP_I/AAAAAAAAAyQ/Py3Hl9ha0-o/s72-c/bethania_portugal1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5039915149102856446</id><published>2011-07-12T08:54:00.009-04:00</published><updated>2011-07-12T10:05:12.235-04:00</updated><title type='text'>Minhas Flips</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MF8RBo9MYH4/ThxEOpmNaBI/AAAAAAAAAxc/w2ovz3ygukw/s1600/flipoff2011.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 262px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-MF8RBo9MYH4/ThxEOpmNaBI/AAAAAAAAAxc/w2ovz3ygukw/s320/flipoff2011.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628448652781250578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Flip de casa, 2011&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde 2004 que não perco uma só Flip. O marco zero da aventura literária paratiense, a Flip 2003, me escapou por mera ignorância... A dor de cotovelo explodiu numa matéria do RJTV, que selou meu destino de devoção a esta época que reputo sagrada do ano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os sintomas começam meses antes, e justificam-se: toda uma arquitetura para garantir hospedagem, paciência próxima do infinito para ter sucesso na árdua compra de ingressos, passagens... Tudo feito com ansiedade e gosto igualmente absurdos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Flip 2010, malas prontas e a tradição desfeita: não deu para ir. E adianto que o meu coração literário só não se despedaçou por causa da transmissão direta. Inaugurei a &lt;i&gt;Flip de casa&lt;/i&gt;, processo suspirante e quase tão intenso quanto o de sentir o cheiro familiar, estalando de novo, da Tenda dos Autores, o segundo lar que adoto ano após ano com fervor e alegria renovados. Flip em dose integral, diante da microtela no meio do computador, com direito a lágrimas, aplausos, gritos e risos. Penso nisso com uma sensação de quem tem as chaves de um reino, toda vez que ouço um convidado repudiar a tecnologia... Sem ela, eu teria colecionado incontáveis buracos no coração flipiano. Ferreira Gullar no ano passado, por exemplo: uma vez perdido, seria difícil de curar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este ano, temo que não resistiria se não estivesse imaterialmente "presente" à leitura do texto de Valter Hugo Mãe, à performance de James Ellroy, à doçura quase permeável de Antônio Cândido, à saborosa intimidade entre Ignácio de Loyola Brandão e Contardo Calligaris.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Flip de perto, que conheci ininterruptamente de 2004 a 2009, fez alterações definitivas em meu metabolismo cultural. Trouxe-me David Grossman e, com ele, a certeza de que a humanidade tem jeito. Miguel de Sousa Tavares e o sentimento do mundo em um dos poemas de sua mãe, Sofia de Mello Breyner Andresen, que acabara de falecer. Orham Pamuk e sua inspiração nas capas de livros. Colm Tóibin e os limões-de-cheiro exatamente iguais aos comprados por Leopold Bloom, na Dublin de Joyce. Ariano Suassuna e sua régia beleza. Gonçalo M. Tavares e a poética de subverter a lógica. Adélia Prado, Ondjaaki... Ver todo o efetivo policial de Paraty mobilizado para proteger um Chico Buarque amado &lt;i&gt;ad aeternum&lt;/i&gt;...  E, claro, a feliz dose dupla de Salman Rushdie,  que não vi comendo uma queijadinha, como sugeriu o Veríssimo numa crônica, mas que pilhei numa alegria inefável diante das mais brasileiras sonoridades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se a Flip de casa protege contra os quase inevitáveis tombos de pedra rolada - um dos quais, de dolorosa e intumescida lembrança, me valeu o acesso à cobiçada fila preferencial (não sem o diário e distraído questionamento de uma atendente que adorava ver meu atestado médico) -, ela nos rouba os encontros, cruzamentos de ideias perdidas em esquinas do tempo.  Aconteceu com José Luiz Peixoto e rendeu conversa, entrevista pro blog, boas lembranças. Aconteceu sobretudo com David Grossman, o momento mágico na pontezinha em que aprendi a palavra &lt;i&gt;Hadag-Nahash&lt;/i&gt;, a senha infalível para gravar o &lt;i&gt;hap&lt;/i&gt; que o escritor compôs com o grupo israelense de mesmo nome e que fechou, da forma mais poética possível, a mesa Livro de Cabeceira em 2005 - para mim, o ano da Flip dos Sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com a alma temporariamente saciada pelas sensibilidades da Flip 2011, confessional como nenhuma outra, começo a falar das minhas Flips. E também daquela que ainda não toquei e pela qual anseio, um dia, quem sabe: a Flip &lt;i&gt;de dentro&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Continuemos, então.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5039915149102856446?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5039915149102856446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5039915149102856446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5039915149102856446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5039915149102856446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/07/minhas-flips.html' title='Minhas Flips'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MF8RBo9MYH4/ThxEOpmNaBI/AAAAAAAAAxc/w2ovz3ygukw/s72-c/flipoff2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5412076039321444977</id><published>2011-06-16T22:41:00.012-04:00</published><updated>2011-06-18T08:06:53.042-04:00</updated><title type='text'>Muito além de um fio de música</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nsz5YTpQ_0w/Tfq-7nyke9I/AAAAAAAAAxU/i_3GFXk0yGo/s1600/Violinista.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-nsz5YTpQ_0w/Tfq-7nyke9I/AAAAAAAAAxU/i_3GFXk0yGo/s320/Violinista.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619013416600763346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;Um violinista no telhado&lt;/i&gt;, em cartaz no Oi Casa Grande&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foto: Guga Melgar (Divulgação)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Um tom plangente corta o frio da madrugada; ao longe, e lá do alto, vem a música cujo intérprete desafia as inclinações quase impossíveis dos telhados simples de Anatevka, acocorados nas frias encostas de uma Rússia enclavada no tempo. A música é triste, ainda que bela; e, em sua dolência, faz com que todos se sintam em paz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É assim, falando dos violinistas que se equilibram nas alturas, que o leiteiro Tevye, um aldeão pai de cinco filhas, começa a delimitar os horizontes da vida em sua comunidade, emoldurado pelos acordes que nos ferem com doçura a alma. É o começo de &lt;i&gt;Um violinista no telhado&lt;/i&gt;, o musical de 1965 criado por Jerry Bock (música), Sheldon Harnick (letras), Joseph Stein (libreto) e Jerome Robbins (coreografia original) - que ganha, nos palcos brasileiros, uma versão que, sem qualquer audácia de nossa parte, pode ser declarada definitiva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Animada por uma história de amor de quase 40 anos com esta obra, comecei a me contorcer de emoção assim que soube que os imbatíveis Charles Möeller e Cláudio Botelho iam montá-la. Sou uma confessa “cria” do filme homônimo de Norman Jewison, de 1971, ao qual fui apresentada por um velho e querido amigo, Jack Micaleff, um engenheiro da Du Pont norte-americana que conheci na fábrica onde trabalhava na época. Quanto mais Jack me contava, mais eu curtia. Era um tempo em que os filmes americanos demoravam a chegar aqui, mas esperei com toda paciência até o dia em que pude assisti-lo, em Volta Redonda, na companhia de meu pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Foi um delírio inimaginável. O encontro com o magnífico Topol, em todo seu esplendor como Tevye, foi marcante na minha alma – assim como a música, que nunca mais me deixou. Pouco tempo depois, em meus regulares garimpos às lojas de discos (sim, senhor, os bons e velhos &lt;i&gt;long-plays&lt;/i&gt; de 33 &lt;sup&gt;1/3&lt;/sup&gt; rotações), encontrei e arrematei uma edição dupla da trilha sonora original.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando finalmente entrei no Teatro Oi Casa Grande para assistir à peça, no último dia 11 – o que, do ponto de vista da minha monumental expectativa, pareceu ter demorado alguns séculos -, foi para viver esse grande amor de uma forma totalmente nova e avassaladora. Todas as recordações que serviram de ponte até aquele momento foram esmaecidas pelo vigor artístico, pela beleza e pela força incrível do nosso primoroso elenco, pela cenografia, pela performance musical perfeita. Não deu tempo nem para respirar; tudo acontecia ali na minha frente - e eu, sem acreditar, sentia-me no palco, uma figurante amorosa a pulsar no ritmo da cena, parte e personagem de um universo tão familiar, agora materializado com inesgotável magia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Primeiro, José Mayer. Que custei a “ver” na pele de Tevye, devo confessar, mas a quem não conseguiria resistir nem por um instante, desde a primeira fala. E que demoliu completamente o Topol que vivia em mim com sua ternura e drama, com a inocência com que enuncia as contradições e o bom-humor do simples e humano leiteiro Tevye, que fala com Deus com a naturalidade típica dos puros de coração. O Tevye de José Mayer emociona, envolve, é &lt;span&gt; &lt;/span&gt;engraçado (aliás, muito engraçado!) ... Há que tomar fôlego e respirar fundo para conseguir lidar com todo esse acervo de surpresas, todas gratíssimas, contidas num único José Mayer. Talvez Tevye seja de fato – como o próprio ator disse, em um dos &lt;i&gt;making-ofs&lt;/i&gt; disponíveis no YouTube – o melhor papel da sua vida. Reconhecer e desvendar essas nuances em um grande ator brasileiro, tão intenso e original na encarnação de um personagem clássico, foi uma emoção enorme.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acho que se alguém se dispuser a procurar, com uma lupa bem grande, um defeitinho – por menor que seja! – na produção de &lt;i&gt;Um violinista no telhado&lt;/i&gt;, vai se dar mal de verdade. Não vai achar de jeito nenhum! Tudo está no lugar, cada precioso detalhe foi aproveitado, acarinhado, concretizado. Lembrei-me, enquanto assistia, que Bárbara Heliodora não se cansou de repetir, em sua crítica no Globo, palavras como “impecável”, “sensacional”, “extraordinário”. Pudera! Como encontrar palavras novas para qualificar toda aquela perfeição?&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;A tradução de diálogos e letras de canções é simplesmente obra de gênio; as soluções encontradas por Charles Möeller são excepcionais, mesmo nos contornos mais espinhosos para casar letra e música. A interpretação dos músicos, sob a regência de Marcelo Castro, é não só respeitosa como cheia de vida, ágil e colorida. Destaque, sem dúvida alguma, para os solos da violinista Taís Soares e do clarinetista Whatson Cardozo, que sublinham momentos inesquecíveis, tanto na introdução do espetáculo como na dança do casamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A gama de cores escolhida a dedo para os figurinos (Marcelo Pies) e para a ambientação e cenografia (Rogério Falcão) nos remete ao tempo único de Anatevka, mítica cidade russa que se parece com tantas outras que, abandonadas à força pelos habitantes, por obra e graça da intolerância, permaneceram presentes na alma de quem foi obrigado a deixá-las e buscar nova vida em algum outro lugar. Como o Brasil, por sinal, que soube acolher e integrar tantas famílias, ajudar a curar tantas dores e a cultivar novas esperanças.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Assim foi, por exemplo, com a família de Soraya Ravenle - que, cristalina como sempre, brilha intensamente como Golde, a cara-metade do leiteiro Tevye. No vídeo do &lt;i&gt;making-of&lt;/i&gt;, a atriz confessa que, quase instintivamente, foi percebendo detalhes da mãe, da avó e de tantas outras mulheres importantes em sua vida, impregnados na composição da personagem. Uma Soraya com o mesmo talento, mas bem diferente daquela que conhecemos de tantos musicais, se impõe pela fibra feminina de Golde, sempre pronta a enfrentar o que for necessário para garantir o bem-estar de sua família. E, naturalmente, pela linda voz.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Um detalhe tocante imprime ainda mais verdade à matriarca: Chava, a terceira das cinco filhas, é vivida por Júlia Bernat, filha real de Soraya. Vê-las juntas em cena me lembrou um verso de Drummond que adoro, do poema &lt;i&gt;Resíduo&lt;/i&gt;: “... fica um pouco do teu queixo no queixo de tua filha...” No caso de Soraya e Júlia, a máxima drummoniana se aplica muito bem aos olhos, ao “jeito” –&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;e sobretudo ao talento, tão pródigo nas duas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Um violinista no telhado&lt;/i&gt; toca em cordas que vão muito além do violino intermitente ou do &lt;i&gt;leitmotiv&lt;/i&gt; israelita que marca sua trilha. O mundo ideal das pequenas aldeias, a tradição vivida à risca, a noção de riqueza evocada pelo leiteiro na inesquecível canção &lt;i&gt;Ah, se eu fosse rico!...&lt;/i&gt;, medida pela quantidade de galinhas e patos no quintal, nos falam de coisas que ultrapassam em muito os costumes judaicos, que a obra tem o mérito inegável de apresentar ao mundo com beleza e respeito. Tão atuais na Rússia do final do século 19 como hoje, em muitas partes do mundo, os dilemas de quem vê sua vida sacudida pelo medo e pela intransigência em suas várias vertentes – intolerância religiosa, xenofobia, homofobia e muitas mais – são os mesmos: escolher entre transcender a dor e a revolta ou ceder a elas e aumentar ainda mais a pressão. A memória de Anatevka e a força de resistir, exemplificadas por personagens como Hodel, que enfrenta a Sibéria gelada para salvar seu amado Perchik, ou Chava, que rompe a tradição dos casamentos interraciais mas expressa corajosamente o seu amor pela família, nos colocam diante de antigas questões que, apesar das roupas novas da atualidade, permanecem essenciais. Que escolhas devemos fazer, num mundo em transformação? E de que modo a arte, em sua beleza e transcendência, nos convida a empreender essa busca?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas tudo isso só nos vem depois que a festa de cores, vozes, canções, delicadeza e interpretação, sutileza e profissionalismo, alegria, tristeza, espanto e música nos toma de assalto e nos leva a sonhar, delirar, rir e chorar como se Anatevka fosse o nosso lar e a Broadway, transmutada definitivamente no Brasil dos musicais, tivesse se mudado de vez – e em português! – para o palco do Oi Casa Grande.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5412076039321444977?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5412076039321444977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5412076039321444977' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5412076039321444977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5412076039321444977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/06/muito-alem-de-um-fio-de-musica.html' title='Muito além de um fio de música'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nsz5YTpQ_0w/Tfq-7nyke9I/AAAAAAAAAxU/i_3GFXk0yGo/s72-c/Violinista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6574095262493366967</id><published>2011-06-04T19:38:00.012-04:00</published><updated>2011-06-05T01:22:26.843-04:00</updated><title type='text'>Da frágil e fascinante matéria humana</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-a-FSf5N4Z6E/TerCf-gwhjI/AAAAAAAAAxM/Q112DWLqYec/s1600/Lado-B.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 153px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-a-FSf5N4Z6E/TerCf-gwhjI/AAAAAAAAAxM/Q112DWLqYec/s320/Lado-B.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614513740082873906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;As protagonistas de &lt;b&gt;Lado B&lt;/b&gt;: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Laura Prochet, Mônica Barbosa,  Bettina Dalcanale e Karen Mesquita&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small; "&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;Foto: Bruno Veiga (divulgação)&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; font-size: small; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; "&gt;Os atropelos de uma estreia, o corre-corre para limpar o palco, acertar som e luz, a euforia exagerada pra tentar disfarçar aquele nervoso que percorre o estômago de todo mundo na reta final, hora de apelar para o santo de devoção, orixá, Fraternidade Branca ou o que mais houver – tudo junto e misturado e justamente na hora que o público se acotovela para entrar no teatro. É esse inesperado e adorável mix de situações e reações que faz de &lt;b&gt;Lado B&lt;/b&gt; uma delícia de espetáculo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Para o diretor João Wlamir, uma &lt;i&gt;comédia dançada.&lt;/i&gt; Para o público, uma festa. Para os corações atentos, um verdadeiro espelho para o humano e suas contradições. Todo mundo ri, chora, perde o controle. Todo mundo tem um “lado B” que explode nas mais variadas circunstâncias. E vê-lo no palco é mais ou menos como vivê-lo. Encenando com os elementos do mundo que melhor conhece – o ambiente da dança – o diretor condensa em quatro personagens alguns dos atributos dos sete pecados capitais nos quais se inspirou, sem jamais perder de vista o bom-humor e o traço real dessas “virtudes”, assim como suas consequências. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Laura Prochet, Bettina Dalcanale, Karen Mesquita e Mônica Barbosa, todas bailarinas na pele de atrizes, transitam muito bem na fronteira da dança teatral e revelam excelentes interpretações, vozes colocadas, maturidade. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;O multifacetado Manoel Francisco cria uma inacreditável Madame Tchersvásky, mâitre de ballet de indecifrável origem, personalidade recheada com a memória de algumas mestras que fizeram (e ainda fazem) história na dança brasileira e de um autêntico repertório de &lt;i&gt;gags&lt;/i&gt; que nos remete aos tempos não vividos do melhor teatro de revista. Elegantérrima em seu vestido preto e branco, meias e sapatos pretos, uma &lt;i&gt;torsade&lt;/i&gt; à la anos 60 na cabeça e um colar de pérolas no melhor estilo &lt;i&gt;Bonequinha de Luxo&lt;/i&gt;, Madame Tchervásky muitas vezes rouba a cena e cria momentos que só mesmo vendo para crer. Contar seria muito pouco para ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De saída, todas as bailarinas verbalizam seu estilo, temperamento, ambições.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;As tensões, picuinhas, diferenças, as pequenas traições e conchavos do dia a dia estão todas em cena, num tom marcadamente bem-humorado e, creio, propositalmente caricatural em alguns momentos. A trama de bastidor desenvolvida por João Wlamir mergulha em crescente profundidade no dia-a-dia da vida de bailarina. E, pelo caminho, toca em cordas sensíveis dentro de quem pertence a esse mundo – e até de quem o viveu apenas por aproximação. A ansiedade de esperar pela tabela e ver quem pegou os melhores papeis, as vitórias e derrotas estampadas no rosto, marcadas no corpo e no gesto. Não faltou nada; nem futricas, nem brigas, nem panelinhas. Nem mesmo momentos poéticos, como quando o assistente de palco, que possivelmente sonha dançar um dia, contempla hipnotizado os trajes das divas, posicionados em suas marcas no chão. A cena, protagonizada pelo jovem bailarino John Lennon da Silva, deixou na beira do palco a marca e a delicadeza de um Marcel Marceau sem máscara. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os contrapontos divertidos que João habilmente inseriu nos momentos certos também não decepcionaram: o &lt;i&gt;McArthur Park&lt;/i&gt; em versão Donna Summer, com direito a figurinos ultrabrilhantes no melhor estilo discothèque, invade a cena – e, curiosamente, saído do iPod da bailarina mais jovem. Ah, a doce bagunça no nosso coração...&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;De repente, bailarinos e atores pescam coadjuvantes na plateia e o palco explode em &lt;i&gt;disco dance&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Do escuro fundo, a voz oculta do diretor pontua a cena, traduz o essencial para a platéia leiga, faz rir, faz calar. Quando enfim se dá o esperado ensaio, outras vozes numa mesma voz inconfundível, a da atriz Cláudia Raia, desnudam o íntimo de cada uma. E o drama domina a cena.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;O que está dentro vem para o corpo e dá voz de comando. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;É salve-se quem puder – e, como tantas vezes na vida, nessa e em tantas outras profissões, nem tudo corre conforme cada uma espera.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Alguém perde - e, na perda, emociona. O interlúdio final, protagonizado por Laura Prochet, leva-nos todos juntos a um frágil e sentido limite. A atriz que sai do fundo da bela bailarina, nesse momento, é um susto de maturidade, criação, profundidade. De jogar a gente literalmente no chão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Súbito, do contra-luz que se forma entre a linha do palco, o espelho no fundo e os rostos marcados de dor, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;emerge a realidade de um sonho: o assistente de palco cria coragem para surpreender.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Foi o momento escolhido a dedo por João Wlamir para o solo que John Lennon da Silva criou para &lt;i&gt;A morte do cisne&lt;/i&gt;, e que tem emocionado muita gente na internet. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Sim, eu já tinha visto... mas qual. Nada se compara à tessitura desse momento, à força de receber assim, de peito aberto e por inteiro, a criação de John Lennon da Silva, seus movimentos perfeitos num corpo totalmente intuitivo, totalmente talhado para dançar de uma forma que mestre algum poderia ensinar. Senti todos os músculos e sentidos tremerem diante de tanta sincronia, domínio absoluto, pureza... Quanto mais se vê, mais longe se enxerga e para mais longe ainda é possível viajar, compreendendo os milagres de harmonia com os quais o Universo unge alguns poucos eleitos, como John Lennon da Silva. Nas letras desse nome pairam outras letras, outras palavras, quem sabe a sensação de imaginar que no não haja céu ou inferno, nem fronteiras entre países, razões para morrer ou viver, fome ou cobiça no mundo, mas apenas a capacidade de sonhar, acreditar e realizar. Esta, sim, que John Lennon da Silva leva ao pé da letra com seu talento - e que João Wlamir, com tanta sinceridade, oferece ao público, no encerramento encantado dessa obra tão delicada e contundente que é &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Lado B.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6574095262493366967?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6574095262493366967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6574095262493366967' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6574095262493366967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6574095262493366967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/06/da-fragil-e-fascinante-materia-humana.html' title='Da frágil e fascinante matéria humana'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-a-FSf5N4Z6E/TerCf-gwhjI/AAAAAAAAAxM/Q112DWLqYec/s72-c/Lado-B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1894925478549210098</id><published>2011-06-03T07:22:00.004-04:00</published><updated>2011-06-03T07:26:48.565-04:00</updated><title type='text'>CARTA ABERTA AO GOVERNADOR SERGIO CABRAL FILHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-quhHWByGFbU/TejEH-c4RRI/AAAAAAAAAxE/b0d-2-LrLTE/s1600/Concerto-SOS-OSB.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-quhHWByGFbU/TejEH-c4RRI/AAAAAAAAAxE/b0d-2-LrLTE/s320/Concerto-SOS-OSB.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613952576819578130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Concerto do Movimento SOS-OSB, 30/4/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Auditório Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Foto: Camila Maia/Agência O Globo (via G1)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right"&gt;Rio de Janeiro, 2 de junho de 2011.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Exmº&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Sr. Governador&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Como cidadã brasileira e fluminense, venho à presença de V. Exª para, como já disse com tanta precisão e delicadeza o Milton Nascimento, “falar de uma coisa”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Eu não viria até aqui se essa coisa não fosse muito, muito importante. Uma coisa que está ribombando no coração de muita gente nesta cidade, neste estado, no nosso país e em vários outros países.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Falo do patético impasse entre a atual direção da Orquestra Sinfônica Brasileira, dita da cidade do Rio de Janeiro, e 36 valorosos músicos que foram demitidos recentemente por justa causa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Os motivos são conhecidos. Este é um assunto que suscita fortes paixões, sem dúvida alguma. Mas nenhuma paixão será mais forte do que o senso de justiça que vem tomando conta de milhares de pessoas, músicos ou não, no país e pelo mundo também, como o Sr. certamente tem conhecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Argumentos pró e contra a atitude do maestro Roberto Minczuk são levantados de todos os lados.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;No entanto, inúmeras personalidades da sociedade brasileira, consideradas unanimidades em termos de ética profissional e conduta – Nelson Freire, Cristina Ortiz, Marlos Nobre, Roberto Tibiriçá, Isaak Karabtchevsky, Myrian Dauelsberg, apenas para citar alguns – não hesitaram em se colocar do lado dos músicos demitidos. De acordo com uma infinidade de artigos publicados na imprensa e outros tantos postados na internet, inclusive em blogs de diversas associações internacionais de músicos, o fato não tem precedentes no mundo. Não se tem notícia de que um maestro, em nome de quesitos como excelência e da qualidade musical, tenha descido sua mão de ferro a um só tempo sobre tantos profissionais, desqualificando-os publicamente, como fez o Sr. Minczuk.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Senhor Governador, ainda que o atual regente e diretor artístico da OSB fosse, por exemplo, meu amigo pessoal, eu jamais poderia apoiar sua atitude, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;por dever de cidadania e lealdade aos meus princípios. O maestro Marlos Nobre, que foi importante na carreira de Minczuk e tem grande afeto por ele, escreveu uma emocionada carta demonstrando toda sua decepção para com essa conduta lamentável.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Todas as declarações de Minczuk na imprensa denotam um visível desequilíbrio: são revestidas de uma aura quase messiânica na defesa de uma excelência inatingível, na crença em uma orquestra absolutamente perfeita, que gravitaria num território próximo a uma espécie de Olimpo musical. Uma delas, inclusive, me deixou particularmente estarrecida: “Este é um projeto para quem é apaixonado por música.” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Me perdoe, Senhor Governador; ouso discordar. Quem é apaixonado por música não reage com tanta violência a qualquer possível desafio à sua autoridade.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;A autoridade de um maestro vem do conhecimento e da verdade com que o aplica ao exercer o seu ofício. Vem do respeito que conquista entre os músicos, não de uma atitude de disciplinário perante um grupo de crianças. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Já vi o maestro Minczuk reger várias vezes e reconheço seu inegável talento, mas acho importante ressaltar que, para felicidade deste país, há muitos maestros igualmente talentosos, capazes e verdadeiramente apaixonados por música, com ideais e capacidade para construir e irradiar arte por onde passam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Veja, Senhor Governador: a Orquestra Sinfônica Brasileira existe há 70 anos e jamais teve sua espinha dorsal vergada dessa forma humilhante e vergonhosa, para não dizer desastrosa.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;É uma instituição privada, porém apoiada pelo Governo do Estado do Rio; pelo BNDES, que é um órgão federal; e pela Vale, uma excelente empresa brasileira.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Esses três pilares, que representam em última análise o sustento financeiro da Orquestra, estão emprestando sua credibilidade ao maestro Roberto Minczuk. E o que ele tem feito dela? Aos olhos estarrecidos do país e do mundo, dá exemplo de intolerância, violência e crueldade.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Não será em nome da tão propalada excelência musical que os amantes da música vão entrar numa sala de concertos, daqui por diante, para compactuar com a forma como o atual diretor artístico decidiu viabilizar o seu projeto. Aliás, o Senhor pode imaginar como será o primeiro concerto da OSB, com os novos músicos que serão contratados após as recentes audições conduzidas no Brasil e no exterior? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Estou aqui porque respeito o seu senso de justiça, sua capacidade e acredito no seu interesse verdadeiro em elevar o nosso Estado e a cidade do Rio de Janeiro, em melhorar a vida dos cidadãos em todos os aspectos. Penso que, com todo o trabalho que o Sr. vem fazendo, não será justo que sobre o seu governo paire essa mancha indelével, que é ver a OSB manietada e atingida mortalmente por uma atitude motivada tão-somente por razões de orgulho e prestígio pessoal.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Portanto eu lhe peço, Senhor Governador, que não deixe isto acontecer. Que tome uma atitude baseada em fatos e dados, análise de conjuntura e sobretudo na verdadeira justiça, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;para deter esse processo que hoje parece caminhar inexoravelmente para o descrédito da Orquestra Sinfônica Brasileira enquanto instituição e enquanto patrimônio cultural deste país.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Já houve tempos ruins, tempos péssimos, dificuldades que pareciam intransponíveis – e os músicos resistiram.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Tomaram decisões históricas enquanto classe, como a de reduzir seus próprios salários para salvar a instituição. Nenhuma direção tem o direito de ferir de morte o coração da Orquestra, como está acontecendo agora. Cabe lembrar que, em orquestras importantíssimas mundo afora,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;maestros que eram considerados semideuses foram destituídos de seus cargos pelos músicos, como aconteceu com Kurt Masur na Filarmônica de Nova Iorque.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;E por quê?&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Porque a instituição ficou do lado de si mesma; não privilegiou o regente, nem mesmo sendo ele Kurt Masur. Preferiu dar crédito ao corpo orquestral.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;E o que vemos hoje? O maestro Minczuk desacreditado no mundo inteiro, diante dos olhares horrorizados da classe musical e também de uma parcela considerável e respeitabilíssima da sociedade brasileira. Ainda assim, mantém sua atitude e sua arrogância. Muito poucos defendem o indefensável, Senhor Governador, porque todos sabem que atitudes extremas como a que tomou o maestro, com o respaldo da diretoria da instituição, não dão resultado quando se trata de reunir uma equipe em torno de um objetivo “santo” – ou, como diria um sábio e saudoso mestre que tive, em torno da “guerra santa do nosso ideal”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Senhor Governador, eu estou aqui para lhe pedir pessoalmente que intervenha, com sua já conhecida capacidade de conciliar, ponderar e administrar questões delicadas, e impeça que essa grave fratura leve a nossa venerável OSB à morte por incompetência, injustiça e iniquidade. E afaste definitivamente o seu governo, que tanto tem feito pelo Estado do Rio, de qualquer associação com uma realidade tão triste como esta que estamos testemunhando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Muito obrigada,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;Maurette Brandt&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1894925478549210098?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1894925478549210098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1894925478549210098' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1894925478549210098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1894925478549210098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/06/carta-aberta-ao-governador-sergio.html' title='CARTA ABERTA AO GOVERNADOR SERGIO CABRAL FILHO'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-quhHWByGFbU/TejEH-c4RRI/AAAAAAAAAxE/b0d-2-LrLTE/s72-c/Concerto-SOS-OSB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-424599814640533162</id><published>2011-05-27T13:14:00.010-04:00</published><updated>2011-05-31T14:16:21.200-04:00</updated><title type='text'>Mergulho sincero</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ov7eUfCHI6Y/Td_gclsPIvI/AAAAAAAAAw4/c_III3pigZA/s1600/Tatyana.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 192px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ov7eUfCHI6Y/Td_gclsPIvI/AAAAAAAAAw4/c_III3pigZA/s320/Tatyana.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611450442485539570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;Tatyana&lt;/b&gt;, de Deborah Colker&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foto: Leo Aversa - Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;&lt;b&gt;Tatyana&lt;/b&gt;, o espetáculo que a Cia. Deborah Colker acaba de estrear no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é uma daquelas experiências na vida diante das quais, por um momento, a respiração da gente para e sobrevém a nítida certeza de que estamos próximos de uma espécie de epifania artística.  E não revestida de qualquer clima apoteótico, muito pelo contrário, mas de silêncio e delicadeza, de beleza e síntese.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Não toquemos, por enquanto, na história singular da companhia, nem em suas alegrias e conquistas. Fiquemos com Tatyana e Púchkin, com Tchaikovsky e Cranko. E com a profundidade com que Deborah Colker penetrou nas águas de doze mares e cruzou um continente de cultura para chegar a esse nível de essência. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Tudo em &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Tatyana&lt;/b&gt; se comunica imediatamente. A construção coreográfica, cenográfica e estética é de refinada sensibilidade e, ao mesmo tempo, muito fácil de ser compreendida em todos os níveis. As sutis referências de movimentos, atmosferas, cores e drama que evocam o emblemático &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Onegin&lt;/i&gt; de John Cranko não passam despercebidas a quem está familiarizado com o ballet, mas reforçam o mérito da singularidade com que Colker desenvolve sua obra.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tempos de movimentos belos, cuidados, de intensa elegância - e plenitude no conhecimento que dá liberdade aos corpos para construir harmonia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;A ideia central de se aprofundar nos quatro personagens principais – Tatyana, Onegin, Olga e Lenski – e incluir Púchkin como um alter-ego muito participante (vivido pelo espetacular bailarino Dielson Pessoa e pela própria Deborah Colker, em momentos alternados) já tinha sido abordada pela coreógrafa em algumas entrevistas, mas nada se compara à propriedade com que isso se desenrola no palco. As emoções têm cores e formas diferenciadas na personalidade de cada um dos quatro bailarinos que interpretam um mesmo personagem. Dá a sensação de que as imagens e sentimentos se fundem, de alguma forma – e que, mesmo separados, os corpos são um só. Mais importante ainda, o público sente isso na hora e acompanha toda a narrativa como se recebesse um instantâneo dom, por obra e graça da beleza da dança - e de um roteiro musical apuradíssimo, construído no espírito de uma comunhão de 17 anos entre a coreógrafa e o compositor e diretor musical Berna Ceppas. O percurso da música, detalhado num comovente depoimento de Ceppas no super bem-cuidado programa do espetáculo, mostra, além de conhecimento, paixão; além de paixão, beleza; além de beleza, sensibilidade; além de sensibilidade, um profissionalismo a toda prova. Há que destacar o tremendo impacto do recurso de sobrepor as vozes femininas de Elena Konstantinovana Gassionok (em russo) e de Debora Colker (em português) à música de Henryk Górecki, no momento em que Tatyana escreve a Onegin. E aqui só posso me repetir: comunicação imediata, compreensão absoluta, a mais pura dimensão da arte causando o efeito que, em síntese, é sua razão de ser: transformar, salvar e contagiar o público.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Ao longo do espetáculo, a sincronia e o ritmo se completam de tal forma que não há o mais leve sinal de quebra ou fastio. No Ato 1, a movimentação dos bailarinos pelo cenário-árvore de Gringo Cardia é absolutamente suave; todos parecem deslizar o tempo inteiro. E volta a ideia de um refinamento, de uma humanização dos movimentos, talvez mesmo uma libertação inédita da ideia de sofrimento físico que, infelizmente, ainda persegue uma parcela considerável da dança contemporânea que se pratica hoje. E Deborah Colker parece ter ultrapassado essa marca com considerável maturidade, estabelecendo uma nova eloqüência corporal para o seu processo criativo. Não é à-toa que ela mesmo diz estar se aproximando, cada vez mais, da condição humana. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Sua recriação contemporânea de grandes conjuntos, em analogia estreita com a tradição clássica, em determinadas cenas do Ato II, cria momentos verdadeiramente sublimes, um alento que aponta na direção de uma autêntica revisão conceitual, que forçosamente só pode fazer bem à contemporaneidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Uma pulsação diferente marca o duelo entre Onegin e Lenski: a densa dramaticidade, bem marcada coreográfica e musicalmente, sofre, a meu ver, um pequeno abalo com a escolha das armas. Apesar de ficar claro que, ali, a opção foi fugir ao óbvio, as bengalas se saíram razoavelmente &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;bem, mas os leques nem tanto - embora, no conjunto, a cena resulte estética.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Vale ressaltar ainda a propriedade das linhas de luz que se projetam, em teia, no início do Ato II, envolvendo e deslindando, ao mesmo tempo, as transformações dos protagonistas. Aliás, após a visão dessas formas concretizadas no palco, torna-se fácil compreender o depoimento de Deborah Colker ao Globo sobre o uso de um projetor especialíssimo: “&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Ainda que seja usado apenas em uns três ou quatro segundos, é fundamental&lt;/i&gt;.” O movimento e a marcação dessas linhas são, nesse ponto, indispensáveis à compreensão da história.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Daí em diante, belezas e mais belezas se revelam continuamente, como as Tatyanas em luta interna no piso superior e as cenas praticamente cinematográficas do reencontro dos protagonistas, fotografadas com luz, num eficiente e contundente jogo de aparições e desaparições que intensifica o drama e, ao mesmo tempo, evoca uma suavidade de desenhos, um aspecto pictórico que cativa profundamente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;O solo de Deborah, marcado por belos efeitos curvilíneos de projeção, pode ser visto como uma celebração, não exatamente circunscrito à história, mas em harmonia com o conjunto. Fui atravessada por uma sensação semelhante à da última vez que Béjart esteve no Municipal com sua companhia - o palco inteiro às escuras e o coreógrafo, em toda sua majestade, emoldurado por um fio horizontal de luz, para receber a homenagem da plateia. As duas situações guardam uma semelhança simbólica: assim como Béjart naquele inesquecível momento, Deborah Colker tem todo o direito de comemorar no contexto dessa obra (provavelmente a sua mais completa e complexa criação até hoje), e &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;bafejada pela alma de Puchkin, numa espécie de mútuo agradecimento pelo bem que o talento de um fez à criação do outro, e que ambos fazem à arte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-size: medium; "&gt;Confesso que teria preferido um final sem os efeitos de luz, sem aqueles possíveis flocos azuis de neve que aguaram, em mim, uma apoteose esperada. Coincidentemente, foi o único momento em que o público se confundiu – e hesitou por um instante em sua intenção de aplaudir. Mas este é apenas um detalhe diante da verdade e da força de &lt;b&gt;Tatyana&lt;/b&gt;, um espetáculo que enche de orgulho o peito da gente, e que com absoluta certeza será celebrado mundo afora, adicionando novas aclamações à consolidada carreira internacional da Cia. Deborah Colker e de sua notável coreógrafa.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-424599814640533162?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/424599814640533162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=424599814640533162' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/424599814640533162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/424599814640533162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/05/mergulho-sincero.html' title='Mergulho sincero'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ov7eUfCHI6Y/Td_gclsPIvI/AAAAAAAAAw4/c_III3pigZA/s72-c/Tatyana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-620441421179305524</id><published>2011-05-16T23:26:00.002-04:00</published><updated>2011-05-16T23:30:42.361-04:00</updated><title type='text'>Da fragilidade, do corpo e da dança</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-y6zqNEBidJM/TdHrNoZJoLI/AAAAAAAAAwo/4ZKKNgrZ5eg/s1600/Corpos%2BFr%25C3%25A1geis_0280.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-y6zqNEBidJM/TdHrNoZJoLI/AAAAAAAAAwo/4ZKKNgrZ5eg/s320/Corpos%2BFr%25C3%25A1geis_0280.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607521630466711730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;i&gt;Corpos frágeis&lt;/i&gt;, da Cia. Fragmento de Dança&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Foto: Cris Lyra (Divulgação)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Pelo território retangular e fracamente iluminado do palco, distribuem-se impressões&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;de movimento e sentimento: seis bailarinos-atores esquadrinham o espaço em desenhos lineares e, ao mesmo tempo, aleatórios, sob o opressivo tilintar de um fugidio tema musical.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Nove mulheres do nosso tempo, unidas por um traço comum – talento e força criadora encarcerados em corpos marcados pela fragilidade – inspiraram o espetáculo “Corpos frágeis”, da Cia. Fragmento de Dança, de São Paulo.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Frida Kahlo na pintura, Virginia Woolf e Katherine Mansfield na literatura, Maria Callas no canto lírico, Marie Curie na ciência, Jacqueline du Pré na música erudita, Billie Holiday no jazz, Simone Weil na filosofia e Judy Garland no cinema e no show-business, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;foram decodificadas em movimentos muito livremente inspirados em suas vidas e obras. Para este trabalho, a companhia paulista, que se autodefine como dedicada à pesquisa e a criação em dança contemporânea, partiu do livro “Corpos frágeis, mulheres poderosas”, de Marta Martoccia e Javiera Gutièrrez, que evoca essas personalidades sob o prisma da relação entre dor e criação, entre fragilidade e força, que marcou todas elas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Detalhes como a pequena exposição de fotos e textos, montada como um relicário de lembranças no hall de entrada do teatro, deixam entrever o nível de envolvimento de todos os criadores com o trabalho. Esse fervor, essa entrega, coisas próprias do transe artístico, emocionam ao nos fornecer uma pequena medida do esforço envolvido na concepção de uma obra, e valem muito para despertar o interesse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;No compasso do opressivo tilintar do primeiro e fugidio tema musical, espero por essas personagens, algumas quase íntimas, outras quase estranhas. E desde logo percebo que a economia é um forte aspecto da composição dos movimentos, que por vezes chegam a cortar a atmosfera sombria. As tonalidades escolhidas para figurino e [pouca] luz, que transitam por nuances do sépia ao marrom, formam um conjunto harmônico. A coreografia de Vanessa Macedo, que também assina a direção, revela-se crua e despojada, com tendência a “deixar” o palco, de certa forma. Sequências retilíneas, ausência de expressão nos rostos, movimentos que ficam a meio caminho, contribuem para ampliar a sensação de opressão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Reconheço vestígios, talvez, de algumas das personas retratadas, mas eles desaparecem tão rapidamente em meio às tortuosas sequências que fico me perguntando se teriam sido fruto da minha imaginação. Rendas, babados, arcos de violoncelo, contorções, corpos apanhados horizontalmente e atirados ao chão de modo sincopado, pessoas arrancadas de cadeiras, agressores que se tornam agredidos e assim sucessivamente... Tudo marcado por uma trilha competentemente desenhada para perseguir, com variações, a atmosfera opressiva – o que resulta em alguma perda de dinâmica no processo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Corpos frágeis&lt;/i&gt; tem muito de teatro e muito pouco de dança. Momentos de claridade, como o único &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;pas-de-deux&lt;/i&gt; de verdade, que acontece já próximo do final, mostram que alguns dos bailarinos têm mais para oferecer do que o espetáculo permite. Fiquei com a sensação de que todo o investimento feito na pesquisa não se traduziu, efetivamente, em dança; e mais, a comunicação com o público também não aconteceu completamente.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tenho razões para acreditar que nem todo o simbolismo evocado foi compreendido, visto que os aplausos, na noite em que assisti, não foram além da educação.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Apesar de sua delicadeza, as cenas finais envolvendo as pérolas ficaram soltas no espaço. Faltou arremate e, sobretudo, aquele “clic” essencial com a plateia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Acho que a dança contemporânea, com tantos e inegáveis talentos – como os que vimos em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Corpos frágeis&lt;/i&gt;, por exemplo – precisa se lembrar de algo básico:&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;é válido se embrenhar em pesquisa, desde que ela resulte em movimento encadeado, cadenciado, contínuo e executado com beleza. Em outras palavras, desde que se transforme em dança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-620441421179305524?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/620441421179305524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=620441421179305524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/620441421179305524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/620441421179305524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/05/da-fragilidade-do-corpo-e-da-danca.html' title='Da fragilidade, do corpo e da dança'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-y6zqNEBidJM/TdHrNoZJoLI/AAAAAAAAAwo/4ZKKNgrZ5eg/s72-c/Corpos%2BFr%25C3%25A1geis_0280.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5730593679011553788</id><published>2011-05-04T06:44:00.001-04:00</published><updated>2011-05-04T06:46:00.655-04:00</updated><title type='text'>Sem palavras: Isaak Karabtchevsky na GloboNews</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;object width="480" height="392"&gt;&lt;param value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" name="movie"&gt;&lt;param value="high" name="quality"&gt;&lt;param value="midiaId=1499243&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" name="FlashVars"&gt;&lt;embed width="480" height="392" flashvars="midiaId=1499243&amp;amp;autoStart=false&amp;amp;width=480&amp;amp;height=392" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5730593679011553788?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5730593679011553788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5730593679011553788' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5730593679011553788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5730593679011553788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/05/sem-palavras-isaak-karabtchevsky-na.html' title='Sem palavras: Isaak Karabtchevsky na GloboNews'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1897952573363995882</id><published>2011-05-03T08:16:00.000-04:00</published><updated>2011-05-03T08:17:43.586-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CQO2fQSfZa4/Tb_yTbZmdDI/AAAAAAAAAwg/L23c8gQ_u38/s1600/sos-osb.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 190px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-CQO2fQSfZa4/Tb_yTbZmdDI/AAAAAAAAAwg/L23c8gQ_u38/s320/sos-osb.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602462877058757682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1897952573363995882?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1897952573363995882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1897952573363995882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1897952573363995882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1897952573363995882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-CQO2fQSfZa4/Tb_yTbZmdDI/AAAAAAAAAwg/L23c8gQ_u38/s72-c/sos-osb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5420483630240802987</id><published>2011-04-10T15:52:00.000-04:00</published><updated>2011-04-10T15:53:34.862-04:00</updated><title type='text'>Pela OSB e pela dignidade da classe artística brasileira, sempre</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wT-H9EN0RIU/TaIKo2HdqTI/AAAAAAAAAwY/KFoyyvfQzYQ/s1600/FORA-MINCZUK.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 204px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-wT-H9EN0RIU/TaIKo2HdqTI/AAAAAAAAAwY/KFoyyvfQzYQ/s320/FORA-MINCZUK.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594045383985441074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5420483630240802987?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5420483630240802987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5420483630240802987' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5420483630240802987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5420483630240802987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/04/pela-osb-e-pela-dignidade-da-classe.html' title='Pela OSB e pela dignidade da classe artística brasileira, sempre'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wT-H9EN0RIU/TaIKo2HdqTI/AAAAAAAAAwY/KFoyyvfQzYQ/s72-c/FORA-MINCZUK.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3403297907375174436</id><published>2011-04-03T07:10:00.009-04:00</published><updated>2011-04-06T06:50:40.965-04:00</updated><title type='text'>Inconcebível</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fvwJI-lI9qM/TZxFXcj66oI/AAAAAAAAAwQ/43r3y-7Metk/s1600/osb.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-fvwJI-lI9qM/TZxFXcj66oI/AAAAAAAAAwQ/43r3y-7Metk/s320/osb.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592421106393475714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Orquestra Sinfônica Brasileira na Sala São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Que a nossa sofrida (e querida) Orquestra Sinfônica Brasileira já passou por poucas e boas, quem a acompanha desde sempre sabe. Crises financeiras que muitas vezes pareciam insolúveis, descaso do poder público e por aí vai. Mas a mancha de ferir a própria carne, como agora, é nova, surpreendente e inqualificável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Lembro de ver, na imprensa, muitos elogios ao ascendente maestro Roberto Minczuk e seu "dinamismo", seu "empenho" e sua "capacidade" para virar a mesa da OSB, logo que assumiu sua direção. Saiu à luta, convocou patrocinadores, buscou um modelo de operação inspirado em outras orquestras do mundo e venceu a parada, colhendo os vivas e aplausos com aparente humildade. Talentoso, sim, não resta dúvida; comunicativo, ganhou a simpatia de muitas plateias diferentes, sempre falando em Deus e evocando sua origem evangélica assumida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Neste momento absurdo que a OSB e seus músicos vivem, diante dos estarrecidos olhos do mundo artístico, a gente vê, com tristeza, que religião alguma é capaz de vencer as armadilhas da natureza humana. A fama do bem-sucedido e aparentemente sempre disposto maestro certamente subiu à cabeça. Apesar de todas as vozes que alertam, clamam e apelam ao seu bom-senso, o diretor não ouve ninguém e, com absoluta truculência, submete os músicos que o apoiaram na reconstrução da entidade a humilhações inimagináveis, que culminaram com a recente e arbitrária demissão de 40 deles, por não terem comparecido a uma absurda "prova de qualificação profissional" que ele inventou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Acho que o maestro devia estar ouvindo rádio no dia em que o Sr. Sérgio Besserman Vianna declarou, no programa de Lucia Hipólito, que "o Rio não precisava de três orquestras", e sim de "uma única e grande orquestra". Talvez inspirado nessa assertiva, resolveu criar à sua volta, de modo absolutamente autoritário e sem qualquer embasamento real, um "estado da arte" delirante. Agora, 40 dos músicos que dedicaram sua arte, talento e esforço pessoal para colocar a OSB no patamar de excelência que vinha consolidando, terão de recorrer à Justiça para - se tiverem a sorte de encontrar um juiz sensível, profissional e com senso de realidadea - tentar ser reintegrados à instituição. Enquanto isso Minczuk, contrário a todos cânones básicos de um bom cristão, que tanto alardeia, segue, implacável e como que intocável, sua trilha de destruição em nome da "arte".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Artistas sérios e conscientes como Cristina Ortiz e Roberto Tibiriçá, para quem a fama não se deu a qualquer preço e foi, sim, conquistada com muito trabalho, esforço e disciplina, cancelaram seus concertos com a OSB em solidariedade aos seus músicos. Atitude exemplar que deveria ser seguida por todos os artistas e pelo público também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Para tentar neutralizar a péssima imagem ditatorial que vem granjeando com suas atitudes, o maestro rege no próximo domingo, no Municipal - na matinê ao preço simbólico de 1 real - um espetáculo chamado &lt;i&gt;Tributo a Portinari. &lt;/i&gt;O estratagema é usar a OSB Jovem e bailarinos de destaque, como Ana Botafogo, para atrair a atenção do público e fingir que está tudo bem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Penso que o corpo artístico do Theatro e a própria direção da casa deveriam, como diziam os antigos, "cortar suas asas" e não permitir a escalada de um processo que apresenta todos os sintomas de uma &lt;i&gt;egotrip&lt;/i&gt; de quem se considera acima do bem e do mal, da ética e do respeito humano e artístico que deve à sua orquestra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O público, por sua vez, precisa ser mais bem informado, com objetividade e presteza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(Um panfletozinho bem resumido, distribuido na imensa fila que se forma em torno do Theatro, nas manhãs dominicais a 1 real, por exemplo, quem sabe?)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O que me causa espécie é que os patrocinadores da OSB, assim como a direção dos teatros onde a Orquestra tem agendados concertos, não se posicionem no sentido de exigir ou retratação de tais atitudes ou, se o maestro radicalizar, pelo menos uma decente renúncia ao cargo que, apesar de todo o seu talento, não está conseguindo exercer com bom-senso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Vamos acordar! Num trecho da elegante e comovente correspondência que lhe dirigiu, divulgada na internet por grupos de apoio aos músicos da OSB, a sra. Francine Schutzman, Presidente do Conselho Executivo da Organização Canadense dos Músicos de Orquestras Sinfônicas - à qual Minczuk presta serviços naquele país - , declarou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; "&gt;&lt;i&gt;[...] Aqueles que trabalharam com o senhor nas orquestras canadenses atestarão que o senhor trouxe um compromisso forte com os mais altos níveis de desempenho de uma orquestra. Nós apoiamos e compartilhamos esse compromisso; no entanto, prcisamos e devemos salientar que altas ambições artísticas precisam ser unidas ao respeito e à compreensão. Como Alex Klein observou, a história das orquestras - e em particular das grandes orquestras - tem sido marcada pelo respeito aos músicos como artistas e pessoas. Estas condições não são somente necessárias para nós, que atuamos em uma profissão altamente exigente, mas são importantes para aqueles  possuem ideais artísticos elevados. Chamar uma orquestra inteira para se preparar a defender os seus postos de trabalho em uma avaliação de desempenho, com um tempo de preparação limitado, durante um período programado como férias, só pode levar a uma atmosfera de desconfiança e hostilidade. Isso reflete negativamente em todos nós, e compromete o espírito de uma orquestra - que, afinal, depende, para o seu sucesso, da confiança e de um trabalho coletivo. O senhor pode não estar ciente disso, mas os olhos dos músicos e ativistas sindicais de todo o mundo estão sobre o senhor agora."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;Se nem diante de argumentos como estes e do protesto veemente e qualificado de personalidades como Alex Klein e John Neschling, entre tantos outros, nada se faz para reverter esse quadro de desconfiança e hostilidade, como diz Schutzman, e de desrespeito, o que podem esperar do seu país os talentosos músicos que dedicam sua vida a nos proporcionar a rara felicidade de possuir e se orgulhar de uma orquestra como a OSB?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;Será que não está passando da hora de agirmos todos - artistas, casas de espetáculo, patrocinadores e público - para frear essa ambição desmedida disfarçada de "profissionalismo"?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3403297907375174436?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3403297907375174436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3403297907375174436' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3403297907375174436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3403297907375174436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/04/inconcebivel.html' title='Inconcebível'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fvwJI-lI9qM/TZxFXcj66oI/AAAAAAAAAwQ/43r3y-7Metk/s72-c/osb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8562470882243502164</id><published>2011-03-28T07:14:00.006-04:00</published><updated>2011-03-28T08:32:38.434-04:00</updated><title type='text'>Nas asas da mente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-gN3w6gpWxCU/TZBy4Ljrc9I/AAAAAAAAAwA/iICOgmP-sNk/s1600/cena-do-filme-cisne-negro-1296762183110_615x300.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 156px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-gN3w6gpWxCU/TZBy4Ljrc9I/AAAAAAAAAwA/iICOgmP-sNk/s320/cena-do-filme-cisne-negro-1296762183110_615x300.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589093447067464658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Natalie Portman, no filme "Cisne Negro"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Natalie Portman é uma atriz singular e, a meu ver, de grande valor. Tem uma trajetória que prima por uma intensa e honesta busca pessoal de conteúdo para expressar sua arte. O fato de ter escolhido atuar no filme &lt;i&gt;Free Zone&lt;/i&gt;, do diretor israelense Amos Gitai (2005), já seria uma suficiente demonstração dessa atitude. Assim como toda a evidente dedicação e o profundo envolvimento com a personagem Nina, do filme &lt;i&gt;Cisne Negro&lt;/i&gt;, de Darren Aronofsky, que lhe valeu o Oscar de Melhor Atriz 2010, sem dúvida merecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Se a atriz merece, neste momento, todas as láureas, o mesmo não posso dizer do filme, que assisti - tardiamente, reconheço - ontem à noite. É daqueles filmes cujo &lt;i&gt;trailer&lt;/i&gt; promete mais do que efetivamente acontece na tela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Confesso que ainda estou em dúvida se a proposta do diretor foi retratar o clima competitivo e opressivo dentro de uma companhia de dança ou se, na verdade, sua intenção central era retratar um surto psicótico de uma pessoa atormentada. Minha percepção fica com a segunda hipótese. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;Desde o início, os recursos utilizados - câmera nervosa, ângulos fechados, espaços confinados, closes - revelam a essência da personagem Nina, presa em si mesma. Ainda que algumas questões pertinentes sobre o ambiente do ballet sejam apontadas - as dificuldades de uma diva para enfrentar o fim da carreira, a ambição de um diretor por reconhecimento, as pequenas invejas do dia a dia dentro de um corpo de baile, a obsessão pela magreza, e mesmo, no caso de Nina, uma mãe superprotetora e carregada de frustrações pessoais - , tudo isso não vai muito além de figuração, diante do poder absoluto da disfunção mental da protagonista. Chego a pensar que o pano de fundo poderia ser qualquer outro; nossa sociedade hipercompetitiva oferece um vasto leque de opções que poderiam ser usadas com o mesmo fim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No centro da ação está Nina, num processo agudo de autodestruição inapelável. Não se demora a perceber que a bailarina em ascensão transita entre dois mundos, o real e o interno, este marcado por imenso rigor e crueldade, que ela usa com rara habilidade contra si mesma. Uma das virtudes do filme é saber mostrar isso com equilíbrio; a competente edição cria momentos de respiro para o espectador e, com respeito à sua inteligência, permite que ele deduza, conclua e acompanhe a ação ao mesmo tempo.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se percebe, em Nina, um único momento de inocência, de puro devotamento à dança; a cobrança interior está marcada no rosto desde a primeira cena (vale sublinhar, mais uma vez, o soberbo desempenho da atriz). Quem esperava uma doce menina sujeita às agruras de várias cobras criadas num ambiente hostil, logo se desilude. Nina carrega dentro de si algo de monstruoso, algo que é muito mais preponderante do que a realização do talento; a obsessão absoluta por uma perfeição impossível. Superar o limite é muito mais importante do que ser feliz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não,  Nina não quer ser feliz; sua alma-gêmea interior é a obsessão, da qual jamais irá se livrar, independentemente da ação de qualquer pessoa à sua volta. O roubo dos objetos pessoais da primeira bailarina, nesse sentido, funciona como uma espécie de "âncora" da obsessão - por isso volta, no único (e breve) momento em que ela cogita se livrar do peso e os devolve. Quer dizer: isto na hipótese de serem reais o atropelamento e a internação da bailarina, que podem muito bem ser parte do imenso arsenal de artimanhas do processo doentio de Nina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Do ponto de vista do pano de fundo escolhido - o ballet - o filme fracassa em oferecer ao público momentos de beleza. Os louváveis esforços de Natalie Portman para se transformar em bailarina resultam em cenas grotescas, sem nenhuma qualidade de dança. Aliás, o fato de o diretor não ter se preocupado em rechear com dança de verdade alguns momentos do filme reforça minha tese de que o que lhe interessa é a psicose, e não o ambiente do ballet.  Do ponto de vista alegórico, a cena da "encarnação" do Cisne Negro é forte e interessante, ainda que tal encarnação, apesar dos esforços do coreógrafo e da protagonista, não vá além da máscara maquiada, do véu ou das asas. Quem já viu um Cisne Negro de verdade sabe muito bem disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Dentre os agentes que poderiam (mas não conseguem, na realidade) agravar o estado mental de NIna, destaque para o desempenho da soberba Barbara Hershey, no papel da mãe - a meu ver, uma figura injustiçada, pois seu aparente domínio sobre a filha ou suas frustrações se mostram pálidos em relação à dimensão do processo destrutivo que ocorre dentro de Nina. O coreógrafo, brilhantemente vivido por Vincent Cassel, é um personagem mais palatável, que equilibra bem suas contradições. E a grande revelação que é a atuação de Mila Kunis, que muitas vezes rouba a cena com a leveza e a eloquência de sua personagem perfeitamente colocada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;Cisne Negro&lt;/i&gt; é tudo menos um filme sobre o ballet. Nesse particular, o trono absoluto ainda é ocupado pelo brilhante &lt;i&gt;Momento de Decisão&lt;/i&gt;, de Herbert Ross (1977), que tratou com muito mais habilidade e verdade os reais problemas que acontecem dentro de uma companhia de dança, assim como os sucessos e frustações dos bailarinos. Isso sem falar na atuação de dois monstros sagrados no sentido da palavra; Anne Bancroft e Shirley MacLaine. O resto, queridos amigos, é história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8562470882243502164?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8562470882243502164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8562470882243502164' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8562470882243502164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8562470882243502164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/03/nas-asas-da-mente.html' title='Nas asas da mente'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-gN3w6gpWxCU/TZBy4Ljrc9I/AAAAAAAAAwA/iICOgmP-sNk/s72-c/cena-do-filme-cisne-negro-1296762183110_615x300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3962421101579094228</id><published>2011-03-24T09:09:00.004-04:00</published><updated>2011-03-24T09:20:11.687-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-IrERTNHh0J8/TYtDcPr7I2I/AAAAAAAAAvw/YFzBbKLcz6o/s1600/MANOELFRANCISCO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 268px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-IrERTNHh0J8/TYtDcPr7I2I/AAAAAAAAAvw/YFzBbKLcz6o/s320/MANOELFRANCISCO.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587633915209392994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Manoel Francisco no show "Toma um trago e lava o coração"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Numa curva do tempo, o vento se dobra à verdade da arte.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;De uma estrofe de Vinícius, de um acorde de Baden e do fundo de dentro de um grande artista brasileiro, nasce um espetáculo que marca um lugar especial&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;na cena do Rio: “Toma um trago e lava o coração”, na voz de Manoel Francisco, é um show musical que a cidade jamais esquecerá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O talentosíssimo bailarino brasileiro de carreira internacional, que imortalizou diversos personagens nos maiores teatros do mundo, inclusive o Municipal do Rio, põe a nu a sua alma com incrível verdade e beleza. A voz clara, o coração na garganta, a interpretação precisa, o corpo inteiramente musical e uma memória afetiva feita de canções que, para dizer o mínimo, são capazes de contar todas as histórias, são alguns dos ingredientes de um show raro, no mais rigoroso sentido dessa palavra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Há um bom tempo as pessoas parecem ter se esquecido do valor absoluto da intimidade entre plateia e artistas, hábito que a nossa tradição boêmia cultivava e que criava uma aliança diferente, toda própria, entre platéias e ídolos. A gente até costumava se referir aos nossos artistas pelo primeiro nome: “&lt;i&gt;Ontem fui ver o Chico&lt;/i&gt;”, “&lt;i&gt;A Marisa&lt;/i&gt; [Gata Mansa] &lt;i&gt;está no Teatro Dulcina&lt;/i&gt;”, “&lt;i&gt;a Nara cantou muito bem ontem&lt;/i&gt;”, “&lt;i&gt;o Francis está fantástico no show&lt;/i&gt;”, e por aí vai. As megaproduções de hoje, além de cortar esse barato, transformam quase tudo em apoteose...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Um momento como “Toma um trago e lava o coração”, no pequeno e aconchegante Espaço Rogério Cardoso, da Casa de Cultura Laura Alvim, a meu ver vale mais que duzentos Canecões, quatrocentos Vivo Rio ou, com o perdão da má palavra, mil e trezentos Claro Halls.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acompanhado por um baixo acústico, violão e guitarra, Manoel&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Francisco põe em cena o seu drama e a poesia das canções que ama desde sempre.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Esse amor, logo de cara, é o traço mais evidente. Completamente à vontade, como se nos convidasse à sala de sua casa, Manoel conta as histórias das canções &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;e homenageia compositores e intérpretes, como a dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Angela Maria e Altemar Dutra (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Tango para Tereza, Somos iguais, Brigas&lt;/i&gt;) .&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Em interpretações absolutamente surpreendentes, evoca o Roberto Carlos da década de 1970 (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;As flores do jardim da nossa casa&lt;/i&gt; e &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Por amor). &lt;/i&gt;Ah, como eu me lembro desse disco do Rei, com um desenho a crayon do seu retrato na capa, que peguei emprestado e quase furei, na minha vitrolinha 007 preta!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Manoel&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Francisco dança com a voz de modo incomum. Se algumas influências transparecem, ainda assim são transformadas por um estilo cravejado de detalhes personalíssimos.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Suas escolhas também são únicas:&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;de Piaf, por exemplo, elegeu &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;La Folle&lt;/i&gt;, numa versão absolutamente pessoal – que, tocante, ainda assim não nos naufraga, mas nos faz velejar na memória de um dos períodos mais ricos da música francesa. De Aznavour,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;nada do belo trivial de sempre; o baú de Manoel Francisco é bem mais fundo e recheado.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Foi buscar a impressionante &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Comme ils disent&lt;/i&gt; e a mais que delicada &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Non, je n’ai rien oublié&lt;/i&gt;, perfumada de poesia, com a qual fez uma pública e comovente homenagem à primeira-bailarina Cristina Martinelli – que, extasiada, desfazia-se em emoção na primeira fila, ao lado de sua não menos emocionada mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O mais interessante é que a forma de lembrar de Manoel Francisco não é nostálgica, no sentido da palavra; as canções tomam forma e corpo novos, atravessam o tempo com vigor, têm efeito mágico no momento em que se produzem novamente, quase como se estreassem, ainda que vivam, de múltiplas formas, na memória de quem as conhece de outras eras. A direção de Nana Caymmi é outra presença que Manoel pontua, de modo sensível, na história do espetáculo, assim como o roteiro de Alexei Waichenberg.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;– &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Depois disso&lt;/i&gt; – diz, referindo-se a uma sequência que fecha magistralmente com &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Franqueza&lt;/i&gt;, de Maysa – &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;a minha diretora disse: eu só posso sair daqui pra ser esfaqueada!&lt;/i&gt; , para dar apenas uma medida da assinatura consistente de Nana no processo.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Aliás, a homenagem a Dorival Caymmi não poderia ter sido mais delicada: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Um bom lugar/pra se amar/Copacabana...&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Poesia pura de um Caymmi encantado pelo Rio, cidade e estado que adotou, após se apaixonar por sua Stela, e acrescentou&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;à baianice que imprimiu no nosso sangue para sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O show “Toma um trago e lava o coração”, de Manoel Francisco, deveria ficar em cartaz indefinidamente, e não apenas até dia 30 de março. Eu, pelo menos, jamais vou conseguir me separar dele! &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;É o momento magistral de um artista que viveu tudo e ainda tem muito mais para nos fazer viver. É toda uma nova forma de sentir, evocar, emocionar, fabricar felicidade em forma de canções. É uma voz que cria continuamente, um estilo contundente e novo, entre o nunca-esquecer e o re-conhecer. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;É uma porta de poesia a nos transportar entre mundos que, felizmente, ainda são possíveis nos dias de hoje, num pequeno ambiente de imensas possibilidades, artísticas e amorosas. A Manoel Francisco, o meu aplauso de pé.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3962421101579094228?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3962421101579094228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3962421101579094228' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3962421101579094228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3962421101579094228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2011/03/manoel-francisco-no-show-toma-um-trago.html' title=''/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IrERTNHh0J8/TYtDcPr7I2I/AAAAAAAAAvw/YFzBbKLcz6o/s72-c/MANOELFRANCISCO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8182253809882471382</id><published>2010-11-07T12:03:00.002-04:00</published><updated>2010-11-07T12:07:46.785-04:00</updated><title type='text'>Em defesa da obra de Monteiro Lobato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TNbOAko3PCI/AAAAAAAAAvg/OOOwAICuUbU/s1600/monteiro_lobato_02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 247px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TNbOAko3PCI/AAAAAAAAAvg/OOOwAICuUbU/s320/monteiro_lobato_02.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536839301128993826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;mso-bidi-font-size:11.0pt"&gt;Monteiro Lobato &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;mso-bidi-font-size:11.0pt"&gt;Qual é a ideia? Instaurarmos uma Inquisição literária no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não posso me furtar à minha responsabilidade de brasileira, quando recebo a informação de que uma senhora Nilma Lino Gomes, qualificada na matéria como educadora da Universidade Federal de Minas Gerais e conselheira da Secretaria de Alfabetização e Diversidade do MEC, recomendou o banimento da obra de Monteiro Lobato da lista de livros a serem distribuídos às escolas brasileiras, sob acusação de “caráter racista da obra”.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;A matéria dá conta, também, que a recomendação da dita senhora teria sido aprovada pelo Conselho que integra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estamos no ano de 2010. Acabamos de sair de uma acalorada discussão eleitoral em que um dos temas mais disputados foi a liberdade de expressão. Possuímos uma constituição democrática e vivemos em um estado de direito. Como é que, dentro desse quadro, inicia-se uma caça às bruxas em cima da obra de Monteiro Lobato, reconhecidamente um dos mais importantes escritores da nossa literatura?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; M&lt;/o:p&gt;onteiro Lobato foi o primeiro autor brasileiro a dar às crianças a oportunidade de vivenciar, na literatura, uma infância brasileira, nacional, legítima, com elementos da nossa cultura. Lobato nos permitiu crescer com uma consciência de brasilidade. E dentro dela ainda nos ensinou geografia, gramática, aritmética, nos deu uma boa noção sobre mitologia – e ainda permitiu, generosamente, que os heróis, heroínas, príncipes e princesas dos contos de fada da literatura internacional convivessem com nossas tradições.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Tenho uma profunda dívida de gratidão para com ele e sua obra, pois fui uma dessas crianças. Aliás, uma entre milhares, que não ficou reduzida a um imaginário oficial que não nos considerava capazes de “reinar”, criticamente, em meio a todo tipo de informação. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ganhamos uma consciência coletiva chamada Emília, por meio de quem as dúvidas e questões que toda criança tem ganhavam, mesmo com sua dose de fantástico, uma possibilidade de expressão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem querer lhe conferir um grau de importância a que não faz jus, pergunto-me de onde sai uma Nilma Lino Gomes da vida, com essa postura retrógrada e totalmente incompatível com a realidade do mundo, que se arroga o direito de decidir se a obra de Lobato é ou não racista, se é ou não benéfica à sociedade brasileira, se é ou não digna de circular nas mãos de milhões de crianças com potencial de ser felizes como eu fui ao lê-lo.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Vamos ter Inquisição? Temos agora um Conselho que nos diz o que devemos ler? Lembro-me de uma frase incrível que Adélia Prado falou, numa palestra na Flipinha, há alguns anos: - Livro tem que ser oferecido às crianças que nem banana na feira. Elas olham, escolhem e pegam o que querem.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Salve, Adélia!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não reconheço nessa senhora e nem em pessoa alguma autoridade para julgar e expurgar a obra de um autor como Monteiro Lobato em cima de minúcias e especificidades sobre as quais o crivo de uma simples análise crítica, em vez de condenar, pode servir para traçar um retrato da sociedade em que Lobato viveu, do período em que sua obra foi escrita e do pensamento de um Brasil que, se pararmos para pensar, não mudou tanto assim. Porventura os prédios de luxo das grandes capitais não selecionam quem pode ou não usar os elevadores principais? Porventura não convivemos, no século 21, com discriminação salarial que atinge, por exemplo, mulheres e pessoas negras?&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Por acaso a nossa sociedade não tem “conteúdo racista”? E o que vamos fazer com ela, queimá-la em praça pública?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Monteiro Lobato, como qualquer pessoa, cometeu erros em sua trajetória, inclusive no exercício da crítica literária. Mas esses erros em nenhum aspecto desmerecem a qualidade literária de sua obra e sua imensa, incomparável contribuição à sociedade brasileira, à nossa literatura e também ao nosso desenvolvimento, pois foi o primeiro a vislumbrar o potencial da siderurgia e chegou a ser preso por afirmar que o Brasil possuía reservas de minério de ferro e de petróleo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lembro-me de ter lido, há mais de dez anos, uma matéria jornalística em que se aludia a algumas passagens racistas na obra de Lobato.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;No entanto, uma professora especialista em sua obra, cujo nome infelizmente não me lembro, ponderou que “quem fala dessa forma da obra de Lobato demonstra não ter capacidade para compreender-lhe o alcance”. Tenho que concordar. Lobato demonstra, em toda a sua obra literária, simpatia e respeito pelo oprimido, pelas pessoas cujo valor a sociedade, de alguma forma, não reconhece.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Agora me respondam: sua obra magnífica, profundamente analítica em relação à sociedade brasileira e profundamente esperançosa num futuro melhor para as crianças, sem falar em sua riqueza como literatura, no uso da língua portuguesa e na dimensão dos conhecimentos que transmite, vai pagar por um ou outro pecadilho racista que qualquer um de nós poderia cometer e ficaria por isso mesmo? Francamente!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Senhor Fernando Haddad, nosso Ministro da Educação, por favor!&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;A sociedade brasileira não admite mais esse tipo de atitude. A censura foi abolida junto com o ocaso do regime militar. Nossa cultura não pode ser submetida a conselhos ou ditos “notáveis”, que se julgam com poder de determinar o que podemos ou não podemos ler. Só nos falta agora permitir que Monteiro Lobato – que tão perseguido foi, em vida, por suas ideias progressistas – tenha sua obra “julgada” por uma educadora obscura e obscurantista que infelizmente conquista, dessa forma tão lamentável, os quinze minutos de fama vaticinados por Andy Wharol.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8182253809882471382?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8182253809882471382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8182253809882471382' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8182253809882471382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8182253809882471382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2010/11/em-defesa-da-obra-de-monteiro-lobato.html' title='Em defesa da obra de Monteiro Lobato'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TNbOAko3PCI/AAAAAAAAAvg/OOOwAICuUbU/s72-c/monteiro_lobato_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-157612255021611461</id><published>2010-10-30T23:02:00.004-04:00</published><updated>2010-10-31T12:23:22.151-04:00</updated><title type='text'>Comunicar o desejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TMzf-YQbdAI/AAAAAAAAAvY/CP0yxhI5vQM/s1600/Laso-o-que-nos-move.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TMzf-YQbdAI/AAAAAAAAAvY/CP0yxhI5vQM/s320/Laso-o-que-nos-move.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534044304887739394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O que  nos move&lt;/i&gt;, da Laso Cia. de Dança&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small; "&gt; (Foto: divulgação)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Gosto de chegar ao teatro o mais &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;vazia&lt;/i&gt; possível, quando vou assistir a um espetáculo. Muita informação cria expectativa – e muita expectativa fecha um pouco os olhos da gente para o que, de fato, podemos usufruir do que vai se desenrolar no palco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Uma querida amiga, grande bailarina, me diz que sempre teve por hábito gastar todo o excesso de energia antes de entrar em cena e deixar no corpo só a quantidade necessária para interpretar seus papéis. Creio que essas duas reações, a minha e a dela, são parecidas: são duas formas de transformar a arte em alimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu, plateia, me alimento do que vejo e sinto, da troca com o que acontece no palco e da forma como isso me atinge. Então tratei de não me antecipar, quando fui assistir a &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O que nos move&lt;/i&gt;, da Laso Cia. de Dança, no teatro do Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. Li apenas o que veio escrito no convite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O espetáculo, contudo, começou pela explicação: um texto, lido na abertura, dava literalmente o passo a passo para o espectador acompanhar a cena. Lembrei-me da mesma querida amiga e de sua sabedoria: &lt;i&gt;em matéria de dança, &lt;/i&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;se precisa explicar, é bom ter cuidado&lt;/i&gt;... Mas não posso julgar ainda, preciso ver primeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A primeira impressão cênica é forte: vídeos velozmente projetados numa tela improvisada, à esquerda do palco, trilha refinada e o contraponto de um único ser bailarino, um tanto mal iluminado e praticamente impossível de identificar, sob um casaco com capuz. Ao lado, uma enorme estrutura cheia de roupas penduradas, presas umas às outras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Logo sai de cena o casaco, que na verdade escondia uma bailarina, e aparecem os outros integrantes do elenco. Caminham pelo palco, tocam-se e visitam as roupas ao fundo; entram e saem delas em movimentos delicados, como se trocassem de pele. Esse vestir de uma manga, provar uma saia, arrebatar uma calça, tirar de novo e buscar outra peça, tudo embalado pela sempre impecável Dalva de Oliveira, na canção &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Lembrança&lt;/i&gt;, acontece num espaço sensível de memória, como se&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;o ato de vestir/desvestir falasse, na verdade, de questões da alma, momentos de decisão, atitudes importantes a serem tomadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Já gosto do ritmo, sinto firmeza; são atores desenvoltos, têm química, são articulados. Há também toda uma relação entre o colorido das roupas penduradas, das roupas do corpo e a iluminação; remetem a um sépia guardado em gavetas, como um passado que está de visita.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O conjunto é carismático e o espetáculo se reveste de um bom-gosto básico, prende a atenção. Ainda assim, sou assaltada por uma velha e recorrente questão: onde é que está a &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;dança&lt;/i&gt;, afinal?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quem sou eu para tentar saber o que é dança, o que significa dança, nesse mundo repleto de paradigmas quebrados? No meu tempo, no reinado absoluto de Klauss Vianna e seu vasto talento, o que vejo agora neste palco se chamava &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;expressão corporal&lt;/i&gt;. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Era uma grande novidade, que ajudava imensamente os atores a descobrirem o movimento e a expandir seu trabalho interpretativo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O adjetivo “contemporâneo” parece caber em praticamente qualquer manifestação de arte que aconteça sem regras específicas, a dança inclusive. Do clássico fez-se o neoclássico, deste a dança moderna, nomeada em contraposição a um conceito de antigo, ortodoxo. E desta nasceu o que se convenciona chamar, hoje, de dança contemporânea. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A desconstrução do movimento tornou-se quase que obrigatória; só esqueceram de que, para desconstruir, é preciso primeiro aprender a construir. A aula clássica, ainda fundamental para moldar a “limpeza” dos movimentos, foi relegada a um segundo plano, quando não abandonada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas o que essa longa sessão sobre o movimento tem a ver com o espetáculo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;O que nos move&lt;/i&gt;?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Acho que tem muito. A Laso Cia. de Dança é uma companhia jovem, potente e criativa, bem dirigida e que consegue comunicar-se com a plateia, transmitir a mensagem, criar clima. A trilha sonora é brilhante, com destaque para a bela canção &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Le vent nous portera&lt;/i&gt;, do grupo francês Noir Desir, e pela música incidental construída pelo diretor Carlos Laerte, junto com o DJ Marcão. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas sinto falta de &lt;i&gt;dança&lt;/i&gt; – de ver movimentos que, mesmo em meio a uma eventual crueza, podem e devem ser executados com beleza e refinamento. Nesse particular, acho que ainda há um bom espaço para avançar. O momento que mais se aproximou de uma coreografia, a meu ver, foi uma espécie de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;pas-de-deux elástico&lt;/i&gt; entre o bailarino Hugo Gonçalves e as mangas quilométricas do conjunto lilás vestido por Carolina Saraiva. A dupla construiu desenhos quase modernistas no palco, tirando partido justamente das possibilidades do figurino da bailarina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas a força criativa do espetáculo repousa também em outros pilares. O uso de imagens tomadas na hora e projetadas na tela, combinado à leitura de poemas – principalmente por Maria da Lapa – e mesmo a um trecho de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Lembrança&lt;/i&gt;, cantado teatralmente por Carolina Saraiva, é muito eficiente cenicamente.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;E os momentos de dilema, conflito, carinho, solidariedade, alternam-se com muito ritmo e clareza, ao longo do espetáculo. Aliás, a leitura inicial, a meu ver, é perfeitamente dispensável, diante da expressividade e da capacidade de comunicação do elenco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A Laso Cia. de Dança é uma companhia na trilha da maturidade. Tenho certeza de que a percepção de algumas necessidades, como desenvolver melhor os caminhos coreográficos e ampliar a preparação dos bailarinos, virá a seu tempo. O corpo criativo do grupo – e isso inclui diretor, atores-bailarinos, iluminador, figurinista, produção etc. – reúne excelentes condições para aperfeiçoar, ajustar e reformular o que for preciso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;O que nos move&lt;/i&gt; é, em seu saldo geral, um espetáculo cativante e sobretudo sincero, feito mesmo com empenho e vontade de acertar. Daqui pra frente, com certeza, só pode ficar melhor do que já é.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-157612255021611461?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/157612255021611461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=157612255021611461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/157612255021611461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/157612255021611461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2010/10/comunicar-o-desejo.html' title='Comunicar o desejo'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TMzf-YQbdAI/AAAAAAAAAvY/CP0yxhI5vQM/s72-c/Laso-o-que-nos-move.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7066636748143442410</id><published>2010-10-04T22:30:00.011-04:00</published><updated>2010-10-04T23:28:59.426-04:00</updated><title type='text'>Sob a luz de Marlene</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TKqP1QGYtTI/AAAAAAAAAu4/H-O0_odl6qE/s1600/Annex+-+Dietrich,+Marlene_21.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 246px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TKqP1QGYtTI/AAAAAAAAAu4/H-O0_odl6qE/s320/Annex+-+Dietrich,+Marlene_21.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524386037940925746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Marlene Dietrich - Foto: coleção particula&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; line-height: 24px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Há alguns anos, um amigo me deu de presente a autobiografia de Marlene Dietrich. Até hoje não sei dizer se ele teve alguma razão especial para isto. O que sei é que meu vivo interesse pela mítica figura – que mal conhecia, além de alguns filmes – transformou-se, ao longo daquelas duzentas e poucas páginas, numa absurda e inesperada intimidade. Bem parecida, aliás, como a que experimenta o personagem Albert do espetáculo “Marlene Dietrich: as pernas do século”, após horas e horas de uma conversa surpreendente com a diva, a meio caminho entre o fascínio e a vertigem, entre o susto e o encantamento. Aliás, a boa e simples ideia de um diálogo perfeitamente possível entre duas pessoas “comuns” à sua maneira – a estrela, com sua profunda lucidez e prodigiosa memória, e o assustado e confuso entregador – funciona muito bem para dar o tom da sensibilidade que perpassa todo o espetáculo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Sylvia Bandeira, na pele de Marlene Dietrich, fez-me sentir como se captasse no ar o momento exato da síntese: aquele momento definitivo no qual as experiências e vivências humanas e artísticas de uma pessoa se fundem e tudo, de repente, se encaixa –  como se os elementos orgânicos, mentais, físicos, artísticos e intelectuais que compõem aquele ser tivessem esperado a vida inteira para, enfim, revelar-se em toda sua beleza, essência e densidade. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Estar linda no palco é apenas o óbvio. Além e acima disto está a luz – que afinal, segundo rezam os cânones do &lt;i&gt;inventor&lt;/i&gt; de Marlene Dietrich, Josef von Sternberg, deve vir sempre de cima. E a luz é de Sylvia, em plena maturidade artística, com uma franqueza na incorporação da personagem que vai muito além da postura, do gestual e mesmo do timbre vocal. Com toda a disciplina e estudo que transparecem em sua atuação, ela é verdadeiramente Sylvia enquanto Marlene, e Marlene na pele de Sylvia. A voz, afinada e bem ajustada, abraça sem imitar o estilo e a teatralidade despojada de Marlene Dietrich. E emociona de verdade em várias interpretações. &lt;i&gt;Johnny&lt;/i&gt; é o primeiro susto, no mais perfeito clima cabaré, tão típico de Marlene; &lt;i&gt;Falling in Love again&lt;/i&gt;, em deliciosa releitura, funciona muito bem. &lt;i&gt;Lili Marlene&lt;/i&gt; é um momento fortíssimo; na interpretação de Sylvia cabem, com sutileza e drama, todos os conflitos interiores da estrela e da mulher, naquele período de sua vida.  &lt;i&gt;Ne me quitte pas&lt;/i&gt; é uma boa e comovente surpresa, enquanto &lt;i&gt;Ich bin die fesche Lola &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Just a Gigolo&lt;/i&gt; são mais Marlene do que nunca. Sem que Sylvia deixe, em momento algum, de ser Sylvia. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TKqREfH0y5I/AAAAAAAAAvQ/J_oMLiuki8Q/s1600/sb-dietrich-best.jpg" style="font-style: italic; font-size: 12pt; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TKqREfH0y5I/AAAAAAAAAvQ/J_oMLiuki8Q/s320/sb-dietrich-best.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524387399183158162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Sylvia Bandeira como Marlene Dietrich &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foto: Antonio Guerreiro (divulgação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Luar do Sertão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;, que Marlene Dietrich fez questão de interpretar em sua apresentação no Copacabana Palace, é um episódio que, felizmente, não foi esquecido no roteiro. E Sylvia não tem medo de arriscar o sotaque de Marlene, as pausas, toda uma estética que acompanha o gesto, ao reproduzir o mágico instante em que a estrela tem a delicadeza de falar à plateia em sua própria língua, ainda que só um pouquinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;No palco, tudo é econômico sem ser contido, e por isso transborda: a presença da luz certa, a qualidade da música (que pontua sem invadir), os incríveis figurinos. Vale a menção a um elenco muito equilibrado. José Mauro Brant consegue ser o mais comum dos comuns como o entregador Albert – desajeitado, desconfiado, ingênuo. É de uma verdade cativante. E sai-se muito bem nos vários papéis alternativos, cantando e dançando à luz de uma época.  Silvio Ferrari é como se fosse a face do bom e velho teatro: encarrega-se com sucesso de várias encarnações quase simultâneas e é convincente na maior parte delas. Talvez menos como Maurice Chevalier, mas mesmo assim comove quando enuncia detalhes quase etéreos, esquecidos no fundo da memória, da linguagem corporal do velho &lt;i&gt;chansonnier&lt;/i&gt;. E canta! Aliás, um charme especial do espetáculo é utilizar o canto à moda antiga, ou seja, teatralmente, a serviço do drama. Com tudo o que tem de benfazeja para o nosso teatro, a avalanche de musicais chega a tornar-se cansativa por fazer justamente o contrário: o drama é que, muitas vezes, serve aos trinados e às exibições de vozes portentosas. Na sala de estar de Marlene Dietrich, nos magníficos flashbacks que comanda com sua vigorosa narrativa (pontos sucessivos, aliás, para o texto primoroso de Aimar Labaki), temos teatro o tempo inteiro. Sem que qualquer dos números musicais, mesmo os mais comoventes, se sobrepuje à dramaturgia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;A excelente Márcia Cabral, que hoje atende por Marciah Luna Cabral, é uma peça importante desse conjunto. Nos momentos em que é simplesmente atriz – como a filha Maria, a irmã Elisabeth, a mãe Wilhelmina, a ama Tamara – sua intensidade é marcante, afinada com o tom quase minimalista da direção. Apesar de sua bela voz e de sua versatilidade musical, tão essencial ao conjunto do espetáculo, faltou Piaf em sua Piaf. Mas aí, justiça seja feita: ainda que por um instante apenas, é mesmo difícil ser Piaf depois de Bibi Ferreira...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;Dentro do extremo bom-gosto que reveste toda a produção, os figurinos se pronunciam com bastante veemência. As roupas de Marlene falam – acariciam, sussurram, convidam, impõem, dirigem movimentos, são emblemas de toda uma época.  É bonito ver as calças bem cortadas, os coletes, os chapéus, até mesmo as peles (afinal, os tempos eram outros mesmo). A farda do Exército norte-americano quase “protagoniza” o momento Lili Marlene do espetáculo.  Como tirar os olhos dela? E o vestido da apresentação no Copacabana Palace, acrescido da capa que adorna o &lt;i&gt;grand finale&lt;/i&gt;, é uma evocação do que se pode chamar de verdadeiro &lt;i&gt;glamour&lt;/i&gt;. Aliás, isso me faz lembrar a deliciosa discussão de Marlene e Albert a respeito de Madonna. E tenho de concordar com a estrela: &lt;i&gt;pose&lt;/i&gt; não tem, absolutamente, nada a ver com classe. E muito menos com glamour! É, os tempos de fato são outros. E as estrelas também...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;Marcelo Marques veste com habilidade os mil e um personagens em que se reveza o elenco. Nisso, também, está o tom discreto, despojado, real, que envolve todo o espetáculo. Essa escolha é, a meu ver, fundamental para que a essência de Marlene fosse tão bem delineada. Lembro que, na leitura da autobiografia, eu me detive muito nas partes em que ela se referia a Sternberg e no que aprendera com ele sobre a luz. Não admira que o diretor William Pereira tenha se espelhado nisso. Afinal, o que a gente vê não é sempre a luz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;E o que a gente ouve, em “Marlene Dietrich – As pernas do século”? Ambientação musical de primeira, totalmente sintonizada com a direção. Os excelentes músicos Roberto Bahal, que além de atuar ao piano assina a direção musical e os arranjos, Luciano Corrêa (violoncelo) e Vinícius Carvalho (sopros). A gente os ouve com imenso prazer, mas não chega a &lt;i&gt;vê-los&lt;/i&gt;. Está aí mais um toque de mestre: a música faz parte da cena, os músicos do cenário. Mais um velho segredo do teatro, muito bem materializado pela direção. Isso para falar apenas da música incidental. O excelente roteiro musical merece um aplauso especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Senhoras e senhores, Marlene Dietrich! Por favor, desliguem o tempo presente e ocupem suas cabines para viver, em duas horas, os melhores 90 anos que já lhes foi dado viver!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12pt; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right;line-height:150%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7066636748143442410?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7066636748143442410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7066636748143442410' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7066636748143442410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7066636748143442410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2010/10/sob-luz-de-marlene.html' title='Sob a luz de Marlene'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TKqP1QGYtTI/AAAAAAAAAu4/H-O0_odl6qE/s72-c/Annex+-+Dietrich,+Marlene_21.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3256201920566078221</id><published>2010-09-24T09:41:00.004-04:00</published><updated>2011-03-30T22:02:12.652-04:00</updated><title type='text'>Muito além do alto da rua</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TJyq6X5Pn9I/AAAAAAAAAuw/3WYLKpJPPrc/s1600/grupo-impacto.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TJyq6X5Pn9I/AAAAAAAAAuw/3WYLKpJPPrc/s320/grupo-impacto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520475163072634834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; font-size: medium; "&gt;No espaço coreografado do silêncio, um ritmo quase respiratório se revela na entrada progressiva de bailarinos em excelente forma, com a disciplina das aulas saltando à vista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O Grupo Impacto, da cidade de Viçosa, começa com firmeza a impactar (não posso resistir!) os olhares e sentidos curiosos de sua primeira platéia no Rio de Janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tenho a sorte de fazer parte dela. De ser, ainda sem o saber, testemunha de um momento muito importante para a dança no Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A história de Adriano Luis Ramos, Alex Luis Ramos, Cleison Lana, Jean Carlo do Nascimento, Luis Filipe Claudino, Rafael Gregório, Rodrigo Abranches e Wellington Júlio poderia ser igual a tantas outras, belas e essenciais num país tão desigual como o nosso: buscar a arte como caminho para transcender justamente a desigualdade e sua prima-irmã, a violência. Mas é isso apenas em parte; no que sobrenada. A história que começa a ser contada a partir de &lt;i&gt;No alto da rua&lt;/i&gt;, espetáculo concebido e coreografado pelo emblemático Mário Nascimento para o grupo, que também participa da criação, é a da arte mais primal e verdadeira, aquela que sai dos poros e emoldura um sério trabalho de criação, pesquisa, competência e talento. E que transita muito além de qualquer conceito de projeto social, por mais relevante que seja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Os movimentos do que se ensaia como dança de rua, hip-hop e estilos correlatos, são, na face da verdade, ballet - dança pura e torneada, com leveza e técnica, com apuro, elegância. Um a um, em anárquica sincronia, os oito bailarinos penetram o silêncio sem medo ou exageros. Há um profundo senso de medida na paixão com que executam o que Mário criou em cima de seus corpos tão hábeis em descortinar cada movimento sabendo exatamente onde vai dar, onde falsamente se interrompe, onde recomeça, para onde evolui&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Em meio à densidade provocada pelo larguíssimo e sincopado silêncio, que conduz a uma suave mixagem para a porção Metallica da trilha, o movimento começa a edificar o enredo sem máscara que circula nas ruas de tantas cidades brasileiras. Reconhecemos o abandono, o desamparo, o medo, sintomas rotineiros no dia a dia de muita gente que mora onde, aparentemente, não mora ninguém. A perfeição da coreografia é proporcional à resposta dos bailarinos, que são maduros e consistentes. Nada acontece por acaso, nenhum gesto é perdido. Mesmo o constante enlear, enroscar, agregar e desagregar do desenho de conjunto é uma aliança essencial dos corpos contra os perigos insondáveis da noite. Tudo brota do movimento – as primeiras divisões, disputas, isolamentos, associações. Estabelece-se, pouco a pouco, a regra não escrita do mando das ruas, marcada por histórias de submissão e mais abandono, demarcação de território, sacrifício, crueldade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Com o uso de um único tipo de recurso cênico – pequenos caixotes retangulares – o grupo monta uma infinidade de cenas que refletem o dilema diário que muitos jovens são obrigados a enfrentar: disputas de poder e controle sobre áreas dominadas, trocas de favores, risco de vida, a violência como um hábito, banalizada e, no entanto, absurdamente real.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A ocupação do palco é primorosa: desenhos vigorosos, ágeis, rítmicos. Às vezes sufocantes, porém reais até a medula; às vezes nem a gente, na plateia, consegue respirar direito. A aflição se antecipa e vem dosada, contida, em pequenas e decisivas golfadas. Os movimentos são belos, líricos até, executados com técnica; são, sobretudo, harmônicos. A crueza dos sentimentos partilhados já parece suficiente. Desnecessário agredir a estética coreográfica para expressá-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Surpreendente o uso dos temas dos Racionais pelo coreógrafo: a voz de quem rompe o círculo de medo e impotência sobe do palco para a plateia, como a simbolizar que &lt;i&gt;eu posso ser você, assim como você pode ser eu&lt;/i&gt;. Os dois raps falam a língua dessa galera, do mundo que os recebeu e onde se reconhecem, mas não sem esperança, sem luta, sem ideais; muito ao contrário, com tudo isso junto – e encarado de frente, com força de mudar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Vejo os bailarinos que se alternam entre a boca de cena e o vão central ascendente da plateia, entre solos e conjuntos. E penso em MV Bill. Que também sonhava com uma realidade nova e conseguiu construí-la. Aliás, não só isso: conseguiu compartilhá-la e buscar mudanças. Bill sempre fala à alma porque, em franqueza absoluta e até nos momentos de aparente descrença, exala esperança e responsabilidade. Esperança nas pessoas e responsabilidade por levar a mensagem certa e ter a atitude certa aonde quer que vá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Eu poderia passar a noite inteira aqui discutindo minúcias técnicas – e todas elas seriam pontos a favor do espetáculo. Os figurinos do próprio Mário Nascimento são factuais, sinceros, convincentes. A trilha sonora, primorosa e perfeitamente ajustada. A luz, impecável, cria o momento presente e todos os outros tempos, em modo de flashback, memórias, reflexões, sonhos. Tudo isso é tecido imperceptivelmente junto com a coreografia, a trilha sonora, os sentimentos expostos visceral e ternamente. E que nos contagiam com uma força enorme.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O ballet de Mário Nascimento, criado para esses virtuosos bailarinos que apenas utilizam como “disfarce” a estética da dança de rua, é um acontecimento no cenário da dança brasileira. É uma semente forte se rompendo no meio da terra. Um rumor que se propaga com muita velocidade. Em breve tempo, vai ser uma gritaria inequívoca a favor do belo – e da felicidade a que todo artista tem direito: a felicidade de fazer, da sua arte, salvação para quem dança, para quem assiste e até para quem apenas ouve falar dela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;No alto da rua&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; é um espetáculo para não se perder.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Corram, por favor, corram ao Centro Coreográfico do Rio de Janeiro antes que o domingo se acabe!  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3256201920566078221?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3256201920566078221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3256201920566078221' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3256201920566078221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3256201920566078221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2010/09/muito-alem-do-alto-da-rua.html' title='Muito além do alto da rua'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TJyq6X5Pn9I/AAAAAAAAAuw/3WYLKpJPPrc/s72-c/grupo-impacto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5605620955382696067</id><published>2010-07-05T11:59:00.004-04:00</published><updated>2010-07-05T12:58:36.269-04:00</updated><title type='text'>Quero falar de uma coisa...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TDIO2AfQhNI/AAAAAAAAAug/cpsK0mEouoY/s1600/float-abstract-flwr.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TDIO2AfQhNI/AAAAAAAAAug/cpsK0mEouoY/s320/float-abstract-flwr.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490467216724886738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto: Abstract flowers 1 by &lt;a href="http://www.sxc.hu/profile/float"&gt;Float&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração de estudante desperta, com disposição, de profundas e variadas ausências. E acorda as palavras deste blog, que parecia estar de luto por Mercedes Sosa até hoje, mas não, não estava. Entre um grande amor e uma viagem, fotografias irremediavelmente engolidas por um backup entregue na portaria e que jamais chegou ao dono, pressões da sobrevivência, desenganos, crises, sonhos e projetos, aporto novamente aqui. Se terei sempre palavras, não sei dizer ainda. Mas prefiro acreditar em um post atrás do outro, sem rígidas imposições a mim mesma. Que escrever salva, para mim é mais que um fato científico. O que espero é ter vontade de me salvar todos os dias aqui, com pequenas construções em forma de ideias, poesia, argamassa. Com o coração cheio de empenho e revolta, como diria Lluís Llach, sem jamais desistir.&lt;br /&gt;Hoje, cinco de julho, às dez da manhã, eu já amargava três horas e quarenta de pé, na fila de compra dos ingressos da Festa Literária Internacional de Paraty - que, em anos de copa do mundo, muda-se do início de julho para o início de agosto. Para amenizar a dor nas pernas e nos calcanhares, tremiliques compassados de pernas, semelhantes aos que fazem os jogadores de futebol para se aquecer, já em campo, pouco antes da partida começar. Particularmente penosa, a compra este ano. Madruga-se numa fila e esgotam-se muitos ingressos antes da quarta pessoa (que era eu) chegar ao guichê. Reconheço que a compra de ingressos para a Flip é um problema insolúvel. Ou se é patrono, com o desembolso de somas elevadas, ou é isso. Nenhum fornecedor novo (a organização troca todo ano) consegue solucionar o problema de haver apenas 850 lugares na Sala dos Autores, onde nós, mortais, temos a chance de ver de perto muitos daqueles que preenchem as páginas dos livros da nossa vida. Mas há um prazer secreto em constatar que, em terras tupiniquins, os ingressos para um evento literário desaparecem nos primeiros dias da venda. Só queria não sofrer tanto para tentar comprá-los...&lt;br /&gt;Tempo firme, céu azul, sol e mar, névoa seca, temperatura amena. Inverno bom, discreto. Tem gente que até vai à praia... limito-me a contemplar e escutar as ondas a segredarem espuma. E ver o meu velho Carlos (Drummond) eternamente sentado, encolhidinho como era o seu jeito, num banquinho do Posto Seis, fascinando todo  mundo.&lt;br /&gt;Ontem, a visita habitual de Ricardo, do blog &lt;a href="http://tertulhas.blogspot.com"&gt;Tertúlias&lt;/a&gt;, via skype, no meio da tarde. Ricardo representa o que amo na internet: a possibilidade de grandes encontros ou reencontros, a ponte entre as ausências. &lt;br /&gt;Hoje, um tênue retorno a este cenário de palavras. &lt;br /&gt;Que ele se intensifique a cada dia é o meu mais ávido desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5605620955382696067?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5605620955382696067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5605620955382696067' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5605620955382696067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5605620955382696067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2010/07/quero-falar-de-uma-coisa.html' title='Quero falar de uma coisa...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/TDIO2AfQhNI/AAAAAAAAAug/cpsK0mEouoY/s72-c/float-abstract-flwr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-875314383674144522</id><published>2009-10-04T16:46:00.003-04:00</published><updated>2009-10-04T17:09:33.849-04:00</updated><title type='text'>Drume, Negrita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskO2D8K1vI/AAAAAAAAAt0/WuVFZXOD58Y/s1600-h/foto-reuters-vel%C3%B3rio-mercedes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 228px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskO2D8K1vI/AAAAAAAAAt0/WuVFZXOD58Y/s320/foto-reuters-vel%C3%B3rio-mercedes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388854751058908914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O rosto da dor: fãs se despedem de Mercedes Sosa em Buenos Aires (foto Reuters)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;No dia 29 de novembro de 2008, postei aqui minha alegria, o êxtase de estar em presença da voz, do amor e da força de Mercedes Sosa. Hoje, que a perdemos, um bumbo imaginário, irmão gêmeo daquele que ela carregava para nos exortar a fazer a nossa parte pela América Latina, ressoa num canto fúnebre, marcante e compassado como as pausas de uma procissão.&lt;br /&gt;A Negra que tanto amamos deixou o corpo que há algum tempo lhe pesava e seguiu em frente com seu canto, o canto que ela transformou no nosso sangue, para além das cordilheiras. Para além de qualquer tempo, de qualquer limite, de qualquer fronteira. Com a mesma fé criança com que sempre amou o seu povo, todos os povos, todo aquele que, onde quer que fosse, estivesse privado da sua liberdade, da sua cultura e de seus direitos essenciais.&lt;br /&gt;É esse o povo que mereceu seus melhores momentos, seus mais tonitruantes e libertários acordes. Mercedes pintada para a guerra, índia, mulher e espírito da vida, era o retrato da paz que todos almejávamos. Era o resistir em figura de gente. Mercedes resumia todas as alquimias, todos os ritos xamânicos, toda a nossa alma ancestral entranhada na terra. E o meu amor por ela não tinha limites; na sua voz cruzei o continente, atravessei todos os rios, vivi emocionada as misérias e beleza da nossa América Latina tão aviltada. Mercedes era a certeza de que podíamos ser como queríamos ser, todos latinos, todos hermanos, todos iguais.&lt;br /&gt;Mercedes habita em mim muito além dos poucos momentos em que tive a sorte de vê-la cantar. Está nas veias e canta. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gracias a la vida, que me ha dado tanto. Y vas Alfonsina con su soledad...&lt;/span&gt; Lá está Mercedes com seu poncho listrado, os escorridos cabelos e aquele olhar de índio, que ao apertar ligeiramente os olhos parece já ter enxergado o universo inteiro. Aquela fortaleza diante de quem todos, sem exceção, se emocionavam. Lá está ela com seu bumbo, com sua revolta e alegria, com seu amor infinito, ecoando pela cordilheira, atravessando o nosso corpo para espalhar verdade e poesia. Para arrastar consigo milhares de adeptos de uma paz possível, de um amor que rejeita toda e qualquer xenofobia e nos reúne a todos numa raiz celebrada e verdadeira, em que cada ser diferente é respeitado e se torna um igual na voz do sangue latino.&lt;br /&gt;Em novembro de 2008 eu estava exultante por tê-la visto, ainda que doente e inspirando cuidados. Hoje eu a revejo no filme dos últimos 30 e tantos anos, como um grande anjo revelador que guiou aspectos muito importantes da minha vida.&lt;br /&gt;As cinzas dessa nobre mulher de largo abraço e infinita voz, que será cremada amanhã, vão ser repartidas entre a Chacarita onde nasceu, Mendoza e Buenos Aires. O seu canto, porém, tem o dom da ubiqüidade e se espalhará mais uma vez pelo mundo e nos dirá, mais uma vez, o quanto é importante fazer o caminho da paz, da fraternidade e da alegria de ter o próximo como irmão.&lt;br /&gt;Drume, Negrita, no centro da paz que você plantou neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-875314383674144522?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/875314383674144522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=875314383674144522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/875314383674144522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/875314383674144522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2009/10/drume-negrita.html' title='Drume, Negrita'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskO2D8K1vI/AAAAAAAAAt0/WuVFZXOD58Y/s72-c/foto-reuters-vel%C3%B3rio-mercedes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3224394987089928273</id><published>2009-08-23T13:49:00.003-04:00</published><updated>2009-08-23T14:38:52.791-04:00</updated><title type='text'>À Motown, com carinho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SpGMrXRPF9I/AAAAAAAAAts/vyEnt_O6jZo/s1600-h/motown.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 287px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SpGMrXRPF9I/AAAAAAAAAts/vyEnt_O6jZo/s320/motown.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373230507038283730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver a década de 1970, com seu colorido e contradições, foi um privilégio para mim.  Com meus 14, 15 anos, adorava usar sandálias trançadas na perna, os ousados verde-limão, rosa-choque e laranjão que coloriam as roupas, o psicodelismo em todas as imagens, caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento.  Se havia um lado triste - a repressão indiscriminada, o obscurantismo e seus efeitos desastrosos na educação do nosso povo, a perda de grandes talentos brasileiros nas mãos de um monstruoso aparelho repressivo -, havia um lado adolescente legítimo, que era vivido irremediavelmente. E isso incluía as "brincadeiras" (pequenos bailes que acabavam por volta da meia-noite) no Cana Esporte Clube, em minha Barra Mansa natal, os Festivais da Canção que revelaram tantos talentos preciosos... e os artistas da Motown.&lt;br /&gt;Ainda tenho vários compactos simples e duplos da gravadora que revelou alguns dos maiores talentos negros da América: Diana Ross, Michael Jackson, Marvin Gaye... Por isso foi um prazer muito grande assistir ao espetáculo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O som da Motown&lt;/span&gt;, idealizado por Renato Vieira e Cláudio Figueira.&lt;br /&gt;A concepção é inusitada: cinco cantoras representam todos os artistas da Motown, revezando-se em figurinos e gêneros, numa sucessão bem organizada e profundamente representativa dos tempos de ouro da gravadora.  E que cantoras! Mais que isso: que boas atrizes! Simone Centurione, Thalita Pertuzatti, Ellen Wilson, Alcione Marques e Débora Pinheiro dão um verdadeiro show de versatilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é bom que se faça um parêntese com relação à recente "era dos musicais" do teatro brasileiro, que nos tem oferecido safras e safras de cantores-atores-dançarinos muito dotados e poderosos! Tudo é questão de oportunidade: os americanos não nascem sabendo, mas aprendem tudo isso nas escolas e aperfeiçoam depois. Está provado, com os nossos musicais, que não somos nem melhores, nem piores: com oportunidades iguais, sem dúvida ganhamos pelo número, pelo colorido e pela diversidade cultural! O talento brasileiro tem um tempero que ó, só aqui mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para situar a platéia, não faltou uma eficiente vídeo-reportagem retratando as contradições e alegrias de uma época de mudanças. Não faltou também a luz negra e o charme que embalou nossa juventude entre-mundos.  Em cena, o poderoso time de meninas desfila os sucessos da Motown com classe, elegância e, antes de tudo, voz. Voz verdadeira, cheia e poderosa, sem artifícios, direta e profunda. Destaco o belo timbre de contralto de Alcione Marques, apesar de sua evidente dificuldade com a pronúncia das letras. Os figurinos são extremamente fiéis e de bom gosto, além do ajuste perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não há como falar em Motown sem falar 'dele', Michael Jackson.  Nesse particular, cabe uma observação importante: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O som da Motown&lt;/span&gt; estreou três semanas antes do ato final do ídolo. Não há, pois oportunismo algum na mais bela homenagem que poderia ter sido feita, em qualquer tempo, ao artista. A cena é de uma simplicidade tocante e, confesso, me fez chorar muito. Afianço que não fechei luto por Michael e o produto em que se transformou ao longo do tempo: lamentei, apenas. Mas ao ver o seu momento em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O som da Motown&lt;/span&gt;, vivi um luto muito maior, diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um cenário praticamente às escuras, havia apenas um rasgo de cortina aberta, como que a mostrar um segundo palco lá dentro. Em cena, apenas a cantora Simone Centurione, a única branca do time, em traje de época e peruca black-power, observa as imagens que se insinuam no rasgo da cortina: Michael Jackson garoto, com seu sorriso aberto e limpo, de terno amarelo-ocre. Simone começa a cantar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ben&lt;/span&gt;, a cappella. E é secundada por Michael. Segue-se um dueto sentido, brilhante, honesto. Impossível não se pensar na essência de Michael Jackson, apenas um menininho começando a vida, uma criança cheia de sonhos, alegre, verdadeira. As pessoas que só conseguem ver a criatura disforme em que o artista, por razões diversas - medo, dificuldades internas, o que fôr - acabou se transformando, decerto não se lembram, em momento algum, daquilo que ele era, da matéria pura de que era feito. Criança. Talentoso. Fértil. Aberto. Apenas alguém que era o que era.&lt;br /&gt;Tocada pela singeleza, chorei por Michael, pela criança a quem não foi dado, verdadeiramente, o direito de existir. E tive saudades de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ben&lt;/span&gt;, a canção dedicada a um ratinho e tema de um sinistro filme que, de certa forma, prefigura o lado dark da futura vida do menino:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;They don't see you as I do,&lt;br /&gt;I wish they would try to,&lt;br /&gt;I'm sure they'd think again&lt;br /&gt;if they had a friend like Ben...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;"Eles não o enxergam como eu; gostaria que ao menos tentassem, pois tenho certeza de que pensariam diferente se tivessem um amigo como Ben.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"  &lt;/span&gt;É o que parece nos dizer Simone, porta-voz mais que habilitada da homenagem -  um dos grandes momentos de um espetáculo que, sem pretensões e com rara competência, é um dos melhores musicais da temporada, sem dúvida alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3224394987089928273?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3224394987089928273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3224394987089928273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3224394987089928273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3224394987089928273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2009/08/motown-com-carinho.html' title='À Motown, com carinho'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SpGMrXRPF9I/AAAAAAAAAts/vyEnt_O6jZo/s72-c/motown.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4118423576886289114</id><published>2009-07-18T13:06:00.006-04:00</published><updated>2009-07-18T20:32:06.528-04:00</updated><title type='text'>Ricardo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SmIGlagGfkI/AAAAAAAAAso/oU8DMmuljCs/s1600-h/Ricardooo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 258px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SmIGlagGfkI/AAAAAAAAAso/oU8DMmuljCs/s320/Ricardooo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359853746363203138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ricardo, década de 70 - Arquivo pessoal de R.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou aqui para contar de novo a bela história real que tenho contado - e vivido - tantas vezes. Estou aqui para comemorar a presença de Ricardo, essa pessoa que entrou na minha vida justamente por aqui - e pela canção &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Viagem&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, de Taiguara, um grande artista brasileiro muitas vezes esquecido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ricardo, alma bailarina, espírito a 24 quadros por segundo, coração de musical, sonhos com jeito de Fox, Paramount, MGM, é alguém que me despertou de novo o prazer de contar histórias, de voltar no tempo sem estar fora do meu tempo, que me devolveu várias vidas que andavam envolvidas em papel de seda no fundo da memória, mas me vieram renovadas, imensas, atuais e prontas para serem recomeçadas dentro de novas estéticas da alma, do corpo, do tempo-hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ricardo, um baú de riquezas com perfume das primaveras austríacas. Na verdade, a cada vez que me chega um email prenunciando as alegrias frequentes que tenho ao ler o &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" href="http://tertulhas.blogspot.com/"&gt;Tertúlias&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, comemoro Ricardo e sua inquietude tão viva, sua criatividade, entusiasmo, paciência de descobridor. Sempre que podemos, curtimos um delicioso &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;bate-volta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; nos comentários do seu blog, hoje seguido por mais de 60 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;habitués&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, como ele chama os seus seletos convidados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Alguns deles - sempre por obra e graça de Ricardo - têm aportado por aqui, o que me leva hoje a sacudir recentes impotências e animar-me, de novo, às palavras. Mais uma vez, Ricardo me desperta dos torpores e me convida à vida, a um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Peach Melba&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; imaginário em uma talvez magnífica varanda de algum hotel art-déco em Viena, em honra de Nellie Melba, a inspiradora da iguaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ricardo, neste sábado cheio de vontade de viver de novo, um beijo enorme para você!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4118423576886289114?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4118423576886289114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4118423576886289114' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4118423576886289114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4118423576886289114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2009/07/ricardo.html' title='Ricardo'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SmIGlagGfkI/AAAAAAAAAso/oU8DMmuljCs/s72-c/Ricardooo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1960506828921160541</id><published>2008-12-25T07:46:00.003-04:00</published><updated>2008-12-25T08:40:40.231-04:00</updated><title type='text'>Notas no tempo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVN-9bYdzfI/AAAAAAAAAqk/8AJbuQ6QG5w/s1600-h/mapa-brasil-natureza.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283706381623217650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVN-9bYdzfI/AAAAAAAAAqk/8AJbuQ6QG5w/s320/mapa-brasil-natureza.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Jana Castro - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;www.flickr.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Últimos tempos sem tempo de escrever, tempo de escrever sem caber nas horas, horas lentas e às vezes muito rápidas. Às vezes o tempo da gente não funciona dentro do relógio - ou o relógio de dentro se atrasa. Sinto que muitos assuntos mereciam estar aqui, mas as engrenagens, o tempo de dentro e de fora, as lutas de vencer distâncias em minutos às vezes longos demais... tantas coisas que me isolam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madonna no Brasil: a curiosidade era grande, mas os preços, intransponíveis. Houve silêncio e simpatia, quem viu gostou, minha amiga veio do sul do Brasil e curtiu bastante. A moça, afinal, é de respeito e ofereceu um espetáculo à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Leitner, o amigo de todas as vidas que, nesta, apareceu em setembro; na verdade não, alguns meses antes, mas digamos que desabrochou em setembro. Presentes que o Universo nos revela de forma inesperada, porém inequívoca. Faltou a visita que eu faria no inverno, "para assistir filmes antigos junto à lareira", como ele queria. Mas no mês de maio, com a primavera e as flores, também há de ser divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Palmas na minha vida: Maria João e Teresa me levaram à tarde portuguesa da Cadeg, em São Cristóvão. Muito engraçado o "Cantino da Concertina", regado a sardinhas na brasa, bolinhos de bacalhau, &lt;em&gt;binho berde&lt;/em&gt; e uma animação inesgotável ao som de muitos viras. De quebra, descolei um bacalhau impressionante, com as bênçãos da Teresa (pode levar este, eu garanto!), o rei da mesa natalina de ontem. Bravo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota triste: vivemos, desde fins de novembro, o inferno das águas. Santa Catarina submersa, centenas de mortos, perdas, danos, tristeza. E agora, Minas. A Congonhas do meu coração, como se não bastasse o barro vermelho e o abandono, agora também tem dor. A conta por desmatar e poluir é alta demais, cobrada em vidas e mais miséria. O Brasil precisa ser intransigente na preservação ambiental. Discursos não trazem os mortos de volta nem constroem novas casas para quem, hoje, está na rua da amargura. Lula, aproveite a sua popularidade e defenda não só a reconstrução, mas a proteção das cidades contra os efeitos do desmatamento, do lixo não tratado e da mineração irregular!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de retomadas: o coração singrou 2008 feliz, acalmado, aportado. E a sensação se prolonga. Há sentimentos profundamente nutritivos, que carregam consigo todas as vitaminas, proteínas e sais minerais que a alma precisa para expandir-se em plenitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi Josep Carreras de novo em março passado, em Curitiba. Uma felicidade só, afagos na alma, testemunhos de amizade e reconhecimento. Belo na sua simplicidade e grandeza, dois netos, feliz com o amor da sua vida - e ainda por cima cantando como nunca. Bom saber que o carinho perdura após tantos anos, bom saber que tudo valeu e tem valido a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presentes de Lluís Llach para minha vida: além das canções de uma força impressionante, a amizade preciosa de Àngels, Xavier, Montse e tantos outros. Não sei se Lluís, ao cumprir o plano longamente amadurecido de se afastar dos palcos, tinha a real dimensão do que a sua música continuaria a produzir. Talvez agora a ficha esteja caindo, não sei. Me parece que a eventual ausência é continuamente anulada por uma presença que insiste em crescer e ocupar espaço. Tenho a íntima certeza de que o grande artista sabe que de nada adianta subir ao palco como se fosse só um pianista - e não abrir a boca, como se não cantar fosse o bastante para calar o coração, o seu e o de quem o seguiu a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gratidão ao Universo: um período difícil vem se encerrando, pendências se solucionam, processos complicados se deslindam na paz. Uma serenidade vem tomando o lugar de tensões compridas que, felizmente, fecham seu ciclo. Muita calma pra pensar e ter tempo para amar a vida que vem, com novos projetos e sonhos na palma da mão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1960506828921160541?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1960506828921160541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1960506828921160541' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1960506828921160541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1960506828921160541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/12/notas-no-tempo.html' title='Notas no tempo'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVN-9bYdzfI/AAAAAAAAAqk/8AJbuQ6QG5w/s72-c/mapa-brasil-natureza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8187626821616183711</id><published>2008-11-29T23:24:00.006-04:00</published><updated>2008-11-30T00:44:38.315-04:00</updated><title type='text'>Mercedes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STIYJe_wsPI/AAAAAAAAApw/7mLf64kEARQ/s1600-h/Mercedes-bravo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 248px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STIYJe_wsPI/AAAAAAAAApw/7mLf64kEARQ/s320/Mercedes-bravo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274304664822657266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mercedes Sosa - Foto: Reuters&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Não sei direito por que a chamam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La Negra&lt;/span&gt;. Decerto já devo ter lido isso em algum lugar. Mas para mim é Mãe Terra, talvez a própria terra, lagos andinos e cordilheira, rios, cataratas, o olhar fundo e sincero de quem já viu tudo. Olhar que, aliás, ela já tem há muito tempo, bem antes de volver a los 17, ao lado de Milton Nascimento, num disco onde vira e mexe eu deixo a minha alma de molho. Talvez agora, sentada no meio do palco em toda a sua magnificência, ternura e força, as suas profundezas fiquem mais evidentes ao olhar comum. Mas no meio da arena de um Maracanãzinho lotado, tocando bumbo para ressoar "Drume, negrita", já era assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do Vivo Rio, com seus garçons e bandejas invasivos, Mercedes Sosa esteve ontem entre nós com sua grandeza tranqüila, a voz mansa, firme e pausada, as convicções que nos ensinaram o bê-a-bá da latinidade num tempo de sincera fé. Aquela voz que nos tomava a todos e sacudia os alicerces, desafiando-nos a abrir o peito, fez ali o seu milagre de cada dia. E ao ouvi-la tive saudades de mim quando assinei o manifesto pela liberdade de Alex Polari de Alverga, quando participei do Primeiro de Maio que poderia ter ido pelos ares em 1978, ou quando caminhei léguas na Presidente Vargas pelas Diretas Já.  Mercedes Sosa, com sua retumbante coerência, foi um dos símbolos dessa época em que tentar mudar a realidade do nosso continente era praticamente obrigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada diante das partituras, envolta em belos panos vermelhos, atenta a tudo, Mercedes comanda com as mãos os movimentos planetários e nos rege a todos, músicos e platéia. Entre palavras de carinho para os amigos e a bisneta pequenina, que não cansa de lhe jogar beijos, essa mulher impressionante desfila uma hora e meia de canções, as de hoje, as de sempre, as que nos desatam as lágrimas quentes de saudade, às vezes de tristeza por não termos ido além com as reformas do mundo. Ah, mas quem éramos nós então? Os mesmos de hoje? Mudamos ou foi o mundo que mudou? E a saída, onde fica a saída? Certamente não na sinalização discretamente iluminada nas laterais do Vivo Rio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Mercedes Sosa tem o poder de dissolver paredes de pedra, paredes de palavras, de sentimentos. A transparência com que o seu olhar presente e vivo nos reflete é mágica e esmagadora. Lembrei-me de um SEM CENSURA há mais de 20 anos, ainda nos áureos tempos da Lucia Leme (sem qualquer crítica à competência de Leda Nagle), quando diante dessa mulher todos os convidados choraram. "Eu posso te tocar?", perguntou a apresentadora, protagonizando um dos momentos mais verdadeiros do nosso jornalismo televisivo. Eu, em casa, virava um afluente do Rio da Prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercedes, mais que símbolo, é uma força da natureza latina. Representa os nossos povos com clareza de espírito, força de viver e aquele talento imenso que aprendemos a amar e respeitar. Até quando canta uma simples canção de amor, Mercedes é toda pátria, é toda terra, é toda gente. É rainha no centro dos iguais, porque é assim que prefere ser. Com alegria diante do novo e firmeza diante das injustiças que o mundo não aprendeu a apagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhada de músicos impecáveis, Mercedes Sosa mais uma vez compartilhou conosco a beleza das canções e a humanidade que faz parte da sua composição química. Ao levantar-se no final e ensaiar uns passos de dança ao som do estribilho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria, Maria&lt;/span&gt;, a golpes de punho cerrado, mostrou o quanto corresponde ao nosso amor. E o quanto ainda é aquela Mercedes que, com seu bumbo e sua voz, abria caminho na história para a nossa verdade latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercedes Sosa, uma das mais belas faces da nossa alma, eu te abraço aqui neste blog!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8187626821616183711?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8187626821616183711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8187626821616183711' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8187626821616183711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8187626821616183711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/11/mercedes.html' title='Mercedes'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STIYJe_wsPI/AAAAAAAAApw/7mLf64kEARQ/s72-c/Mercedes-bravo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4476914003002232383</id><published>2008-11-21T15:04:00.005-04:00</published><updated>2008-11-21T17:25:41.777-04:00</updated><title type='text'>Um velho filme</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSclIiV-_EI/AAAAAAAAAow/xhs28sX_ybM/s1600-h/o+leopardo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 291px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSclIiV-_EI/AAAAAAAAAow/xhs28sX_ybM/s320/o+leopardo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271222717448649794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Burt Lancaster e Claudia Cardinale em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Leopardo&lt;/span&gt;, de Lucchino Visconti (1965)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Nada como um velho filme para despoluir a cabeça carregada de cotidiano, de disputas, problemas no trânsito, chuva, a crise (mas qual, se há tempos que não se vive de outra coisa?), as pequenas tensões que nos consomem exageradamente. Mesmo se a tv é de 14 polegadas, um velho filme aciona mecanismos internos insuspeitos que nos fazem navegar por épocas não vividas, cidades que não conhecemos bem, mas onde nos sentimos em casa, em aviões cheios ou metrô apinhado, em ônibus desolados ou carros muito velhos, no futuro, no passado, na mente de criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a gente se lembra de tudo, até do cheiro da primeira vez que o vimos. Às vezes nunca o vimos, mas de tanto ouvir falar, acreditamos mesmo tê-lo visto. Às vezes só lembramos de partes e ficamos abismados quando aparece um detalhe que o HD da memória corrompeu. E há aqueles que vimos dezenas de vezes, apesar de todo mundo chamar a gente de maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não importa que seja bobo, não é fundamental que seja cult, cinema europeu ou japonês. O que vale mesmo é a magia que opera na gente. É a viagem além da técnica, da criatividade, da precisão da fotografia ou da luz. É aquilo que os nossos olhos comunicam ao coração, e que faz com que um velho filme nunca mais nos deixe.  É a música, o som do silêncio, um ator que a gente gosta e transforma num velho amigo, num parente, num amante, num confidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto dos canais de filmes antigos. Eles me confortam, providenciam cobertor, travesseiros e às vezes uma capa mágica ou um disco voador, uma cápsula do tempo - coisas simples e providenciais em tempos insanos. Uma de minhas paixões, há uns dois anos, era o Canal Retrô, uma raridade argentina que mais parecia um baú audiovisual de raridades. Como tudo que é bom, sumiu da tv a cabo e, segundo soube recentemente, foi vendido a um grupo americano e será desativado. Na verdade, a onda vintage começou com o canal Boomerang e os melhores desenhos do mundo (claro, os da "minha" infância). Esse, coitado, perdeu todo o glamour! Sei lá, também deve ter sido comprado, porque fala uma outra língua, só passa séries com adolescentes retardados, habitantes sei lá de que planeta. Bem, ou mal, tinha uma identidade, era dedicado à causa da lembrança. Qual pai da nossa geração não gostaria de apresentar Dom Pixote, Maguila e Wally Gator ao filho? Agora, virou qualquer coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos aos filmes. Tive recentemente o prazer de rever &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Leopardo&lt;/span&gt;, uma das obras-primas de Visconti (que aliás adoro, apesar de alguns amigos o considerarem datado e chato...). Que primor, que felicidade, delicadeza e cuidado na produção, atores maravilhosos em todo o seu esplendor, um belo roteiro (provavelmente melhor do que o livro que o inspirou). No final de outubro, no meio de uma maratona em homenagem ao aniversário de Rita Hayworth, finalmente fiquei sabendo por que nunca houve uma mulher como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gilda&lt;/span&gt;.  E finalmente fui além da cena do banheiro e descobri o segredo de Norman Bates, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Psicose&lt;/span&gt;. Rememorei com gosto a prodigiosa trilogia de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Poderoso Chefão&lt;/span&gt;. E me surpreendi muito ao rever com um amigo o inimaginável &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tambor&lt;/span&gt;, pois não lembrava de muitas passagens fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem topei com a versão original de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Metrópolis&lt;/span&gt;, de Fritz Lang. Que grande filme para 1925! Eu fui uma das pessoas que foi apresentada ao filme na versão colorizada (houve um tempo em que isso virou moda) e com uma estupenda trilha sonora de rock, na década de 1980. Gostei tanto que comprei o disco e tenho até hoje. A trilha original do filme é muitíssimo pesada, opressiva mesmo em certos momentos. Sinceramente, o rock da primeira vez teve muito mais impacto sobre mim!&lt;br /&gt;Meu amigo Ricardo Leitner, do fascinante blog &lt;a href="http://tertulhas.blogspot.com/"&gt;Tertúlias&lt;/a&gt;, é um cinéfilo contumaz e sempre traz à pauta alguma recordação recheada de beleza e histórias que poucos saberiam contar. Por sua inspiração, resolvi falar um pouco desse cinema de ontem, que também pode ser um pouco de hoje. Por que não? Saudosismos à parte, o novo e o revolucionário existiram em todas as épocas da arte. Em algumas com maior intensidade, em outras mais raramente. E o que havia de rico naquele momento de criação costuma permanecer intacto na obra, mesmo que se passem muitos anos. Um dia disse à minha filha: o que conta num filme não é ser velho ou novo, é ser bom. É essa a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a magia dos velhos filmes não anula a força criadora que está por aí agitando a tela grande, venha de onde vier. Mas pode contar que a garotada que faz acontecer, que bota a cara no mundo, cria e nos emociona, com certeza já viajou (e continua a viajar) em muita sessão nostalgia. Vai por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4476914003002232383?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4476914003002232383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4476914003002232383' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4476914003002232383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4476914003002232383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/11/um-velho-filme.html' title='Um velho filme'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSclIiV-_EI/AAAAAAAAAow/xhs28sX_ybM/s72-c/o+leopardo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8057267108305346896</id><published>2008-10-25T12:34:00.029-04:00</published><updated>2008-10-28T17:40:58.686-04:00</updated><title type='text'>E do silêncio fez-se o espanto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SQNt5AzqcvI/AAAAAAAAAnw/HTBRwqEYG6k/s1600-h/manresa02.557.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SQNt5AzqcvI/AAAAAAAAAnw/HTBRwqEYG6k/s320/manresa02.557.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261169615935533810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lluís Llach&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SQNLEfW80BI/AAAAAAAAAng/OgAfUL4PImw/s1600-h/manresa02.557.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma longa espera, já nem sei de quanto tempo. Um dia, no "dreaMule" (sim, a tecnologia também aprende a sonhar), encontrei e pus para baixar o Concert d'Acomiat, ou seja, o concerto de despedida de Lluís Llach, realizado dia 24 de março de 2007 em Verges, povoado onde passou sua infância e, segundo ele mesmo, "onde tudo começou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;o tal negócio: não era prioridade até o momento em que os dígitos começaram a anunciar a conclusão do download. Daí em diante, a ansiedade foi crescendo a olhos vistos. Ontem, afinal, o arquivo chegou completo. Que felicidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;M&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;as eu não sabia o que me esperava, de fato. Por mais que fosse capaz de imaginar, eu não estava preparada para o que iria ver, ao longo de três horas de emoção pura, bruta, concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A dois passos de Lluís no campo magnético e ilusório da tela de 17 polegadas, o seu rosto sincero e comovido, enorme, quase se deixava acariciar. Mesmerizada, as mãos no queixo, debruçada sobre a mesa do computador, eu não mais distinguia distâncias ou me reconhecia no tempo e no espaço: estava em Verges, com ele, os olhos nos olhos cheios do agora e da saudade que se produzia junto com a música, que antecipava o adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Si em dius adéu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A gravação feita pela TV3 barcelonesa e dirigida por Lluís Danès, cineasta que colaborou muito com Lluís Llach, não é apenas um registro rotineiro, com bons cortes e tecnologia. Longe disso. Danès colocou a câmera a serviço da mais fiel expressão da tragédia amorosa que se abateu sobre os dois lados: de um o palco, onde a simples alegria de viver e cantar juntos se produzia como se o mundo fosse acabar a qualquer momento, e de outro a platéia, onde milhares de olhos marejados de todas as idades se esforçavam por suportar a ausência que crescia na presença das canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Lluís planejou o encerramento da carreira, isso é verdade. Por razões e razões que nenhuma resposta técnica, elaborada, consegue mostrar. E mesmo com todos os planos, condições e soluções possíveis, ninguém queria e nem conseguia acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Morri tantas vezes ontem, ao contemplar os olhos que Danès tão bem soube mostrar, o estarrecimento, cada sorriso de mar, a taça quase a transbordar, o senhor que olha em frente, mas para dentro, e ali deixa passar toda uma vida, o rapaz jovem e bonito com o filho no colo, a cantar, a cantar, o marido amoroso que beija a mão da mulher, há tempos entrelaçada entre as suas, a tristeza tão digna nos olhos de Maria del Mar Bonet... A câmera passeia por milhares e milhares de rostos, cabelos, gorros, golas de casaco, bocas a murmurar canções, milhares e milhares de olhos brilhantes, boiantes, absolutamente desolados, lutando &lt;em&gt;tossudament&lt;/em&gt; para suportar a perda anunciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;E o rosto de Lluís Llach vai e volta, cada vez mais perto. Quase ignoro a tela que nos separa, quase posso respirar em cima dele. E mergulho nas eras fundas que transparecem dos seus olhos claros de terra e lua, de uma cor que ninguém explica, de uma força incontrolável. Ainda outro dia falava da sua &lt;em&gt;mirada&lt;/em&gt; com a amiga Àngels, que tanto o conhece de uma vida inteira, talvez de algumas outras. Os sentimentos também se debatem nesse rosto, em cada pequena ruga, em olhares cúmplices para os músicos, no esforço muitas vezes sobre-humano para tentar fazer com que as águas jamais transbordem dos olhos, melhor seria que voltassem para dentro assim como vieram. E como vieram, será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Colada a ele, sei que olha para o mundo, o pedaço de mundo feito daquela gente que é o seu país, o seu país são aqueles olhos atônitos à beira do drama que estão à sua frente e talvez acreditem até o último momento - que a fé move o povo e o povo é a verdadeira fé - poder conter o inevitável, desarmar a vontade que sabem firme, desmaterializar o adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Todos os músicos tocam com visível prazer, olham-se com sorrisos de orgulho, sorriem com olhos de amor, produzem ternamente a música do fim como se fosse sempre, como se o palco de Verges fosse inesgotável e as horas não existissem. Incrível como Danès teve a extrema sensibilidade de nos deixar participar dessa intimidade profunda, do sentimento comum entre eles, da sua verdade em cores fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Nas suas célebres conversas entre canções (satirizadas tantas vezes por seu brilhante imitador no programa humorístico &lt;em&gt;Polónia),&lt;/em&gt; Lluís compartilhou em Verges a vida inteira. Meu coração doeu de orgulho, feliz, ao vê-lo falar da forte impressão que lhe causou o olhar de Vinícius de Moraes, e das canções do nosso poetinha que o inspiraram a escrever &lt;em&gt;Sabessis bé&lt;/em&gt;, sua mais emocionada homenagem ao falecido amigo e poeta Miquel Martí i Pol. Tem razão o Lluís; de que outro modo, senão o brasileiro, ele conseguiria expressar musicalmente a sua &lt;em&gt;saudade&lt;/em&gt; - sentimento que, ao contrário da palavra que o define, não é privilégio nosso, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A emoção beirava todo o tempo o insuportável. Sinceramente, não sei como aqueles fãs ali reunidos conseguiram suportar. Era como se se comprimissem contra paredes de vidro, esticando o coração, os olhos, as palmas das mãos, as lágrimas espalhadas pela face, até as velas acesas em vários momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Por que?&lt;/em&gt;, eu não me cansava de repetir, falando com minhas próprias águas. O que faz um homem com tanta música por dentro decidir partir para uma vida comum, por mais que o tempo livre e o anonimato, às vezes, possam seduzir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li esses dias uma frase de outro Luís que também adoro, Louis Armstrong: "&lt;em&gt;Músicos jamais se aposentam. Só param quando não há mais música dentro deles&lt;/em&gt;." &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Impossível não pensar em Llach. Sobretudo h&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;oje, ao ver o vídeo de sua entrevista sobre vida e vinhos no excelente programa "La clau del vi", do Canal 33 da Catalunha. &lt;em&gt;"Jo me anyoro molt&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"&lt;/span&gt;, sinto muita saudade, admitiu. E eu sem conseguir calar o tal "&lt;em&gt;Por que?&lt;/em&gt;"!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Verges, final de festa. Lluís Llach desce ao meio do seu &lt;em&gt;poble&lt;/em&gt;, dos que vão amá-lo eternidade afora. Muitos beijos, abraços, e ele acaba desistindo de manter na cabeça o imemorial gorrinho de lã, com tantos afagos por todos os lados. Eu já tinha visto isso no YouTube, mas com o concerto inteiro o &lt;em&gt;gest correcte&lt;/em&gt; dos fãs - que cantam a cappella a emblemática "L'Estaca" e depois "Laura", muito afinados - é muito mais forte, derruba mesmo a gente. Nem o mais insensivel do seres conseguiria resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Olhar para Lluís Llach, tanto no palco como nas entrevistas, é sentir-lhe a música pelos poros. Quando sua, não cai água, brotam notas da pele. Como os &lt;em&gt;pássaros do pentagrama&lt;/em&gt;, estrofe de um poema de Xavier Monsó Brignardelli, um dos sensíveis fãs que fazem parte do fórum do artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Queria mesmo o impossível: estar no seu coração, para saber como ele consegue segurar a &lt;em&gt;onada&lt;/em&gt; de canções que lhe inunda o peito todos os dias. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Ah, quem dera se ele se dignasse a deixá-las sair uma vez por ano, pelo menos, para encontrar os amigos fiéis, apaixonados e sinceros, que naquele dia 24 de março de 2007 voltaram para casa ou para os hotéis carregados de um vazio que sabiam ser impossível de preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Ao falar de Martí i Pol, o próprio Lluís admitiu que o espaço deixado por ele só faz ampliar-se. Diante da morte, porém, há pouco a fazer - talvez um poema, uma canção, uma homenagem sentida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Vivo (muito vivo!), vibrante, docemente aguerrido, forte como um pássaro do deserto, Lluís pode, se quiser, marcar encontros. Ainda que esporádicos ou, como ele diz, pontuais. Há muita alma e sonoridade, ainda, para compartilhar. Tantos de nós precisamos, e muito, daquela &lt;em&gt;tendresa&lt;/em&gt; que só ele tem, e que &lt;em&gt;ens cura quan fa por la solitud!&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;strong&gt;* Vocabulário catalão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tossudament&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - obstinadamente (referência à canção "Tossudamente alçats")&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Si em dius adéu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - Se dissermos adeus (da letra da canção "Que tinguem sort")&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mirada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - olhar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jo me anyoro molt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - sinto muita saudade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;poble &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;- povo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;gest correcte&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;- gesto correto (referência a uma estrofe da letra da canção "Amor particular")&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;onada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - onda, palavra muito usada por Lluís Llach em suas letras&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;La tendresa... que ens cura quand fa por la solitud&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - A ternura que nos cura quando a solidão dá medo (da letra da canção "Tendresa")&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8057267108305346896?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8057267108305346896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8057267108305346896' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8057267108305346896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8057267108305346896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/10/e-do-silncio-fez-se-o-espanto.html' title='E do silêncio fez-se o espanto'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SQNt5AzqcvI/AAAAAAAAAnw/HTBRwqEYG6k/s72-c/manresa02.557.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2030764659338748882</id><published>2008-10-09T18:24:00.010-04:00</published><updated>2008-10-09T21:43:38.648-04:00</updated><title type='text'>Quatro anjos em um (ou "À Seita, com carinho")</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SO6JjteezdI/AAAAAAAAAnQ/pxDo_4vc3IM/s1600-h/4-angels.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SO6JjteezdI/AAAAAAAAAnQ/pxDo_4vc3IM/s320/4-angels.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255289061783817682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Instantâneos de Àngels, por Jaume Lujan&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais, a vida me confirma a crença de que ser fã é uma qualidade especial do espírito. Tem gente - como eu - que nasce com esse tipo de inclinação. Coisa que muita gente pode considerar "menor", "infantilidade" ou coisa que o valha. Há quem ache, inclusive, que quem tem natureza de fã não merece crédito.&lt;br /&gt;Em defesa própria e também dos muitos fãs maravilhosos que conheço por este mundo afora, venho dizer que essas visões desfocadas não passam de preconceito. Eu, particularmente, gosto muito de ser fã - e de muita gente, entre famosos e anônimos, próximos ou não.  Com o meu eterno prazer de encontrar personagens fabulosos pela vida, digo que o fato de ser fã só tem me ajudado a colecioná-los. E olha... eu garanto que a minha coleção tem preço. E não há leiloeiro no mundo que tenha o poder de arrematá-la!&lt;br /&gt;Para minha felicidade, eu só faço aumentá-la. Na foto acima está Àngels, o anjo de verdade que acaba de valorizar imensamente o meu acervo de grandes personagens humanos. Àngels é especial em muitos sentidos, mas muito particularmente por ser, também ela, uma fã.&lt;br /&gt;Foi a primeira a receber-me - e com que carinho! - no universo virtual de Lluís Llach,  a lista ou fórum chamado Cafè Antic. Hoje estamos construindo uma bela amizade regada a música, idéias e embebida na sabedoria da resistência. Resistência, aliás, praticada com toda poesia pelo grupo de fãs mais afetuoso, animado, exacerbado e apaixonado que conheço: a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;placeta&lt;/span&gt;, como eles mesmos se definem, ou a Seita, como o próprio Llach carinhosamente os chama.&lt;br /&gt;Freqüento a lista, dentro das minhas possibilidades e guardada a distância transcontinental. Participo também, quando posso. Já me vi envolvida em acaloradas e respeitosas polêmicas musicais, já me deliciei com os textos do incrível Gerard, já falei no msn com a Montse e troquei emails com vários integrantes. De Àngels, tenho me aproximado mais - talvez por termos em comum o universo do ferro e do aço, talvez por eu ter sido, em alguns momentos da vida, próxima de sindicatos operários, ramo em que ela milita com verdade e energia. Ou talvez, simplesmente, por Llach, e pronto.&lt;br /&gt;Mudei com a lista. Resolvi aprender catalão e engrossar as fileiras do fortalecimento do idioma (embora ainda esteja bem no bê-a-bá). Entrei em vários mundos llachianos que enriquecem minha vida pessoal. Tenho conhecido mais profundamente a música extraordinária do grande artista que é Llach. Mas, sobretudo, aprendo intensamente, todos os dias, algo sobre a natureza humana.&lt;br /&gt;Se quisermos de verdade, podemos ser iguais sendo diferentes. Se quisermos, deixamos de lado nacionalidade, idioma, cor, credo, crenças, tudo em nome da causa maior da nossa humanidade. Se quisermos, podemos encontrar pontos comuns com cada pessoa, por mais diferente de nós que ela possa parecer. Assim me sinto em relação a essa seita amorosa, verdadeira, firme, aberta e receptiva, musical, capaz de santas loucuras e de construir tanta felicidade.&lt;br /&gt;Hoje vi muitas fotografias dos eventos familiares animadíssimos que organizam. Lá estão todos com suas mulheres, maridos, filhos. A criançada llachiana se diverte, curte com os pais, brinca, aproveita. A vida em família é mais um lado forte de ser fã. No caso da Seita, a família da música faz com que todas as famílias se encontrem, cantem juntas, lembrem do que é bom, esqueçam as tristezas e construam coisas bonitas.&lt;br /&gt;Lá está Llach entre eles, rindo, posando para fotos, fazendo boas brincadeiras em momentos que deixam saudades, pois afinal o cantautor de Verges - ou simplesmente "o de Verges", como muitas vezes é chamado - deixou os palcos, mudou de vida e se dedica à música que se produz nos tonéis onde envelhece o cobiçado vinho Vall Llach, produzido em sua vinícola. Ou, uma vez por ano, entrega-se à direção artística da Procissão de Verges, inspiração de um dos belos temas do emblemático cd Verges 50.&lt;br /&gt;Mas a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;placeta&lt;/span&gt; - ou seja, a pracinha do bairro, o lugar onde tudo acontece, segundo me explicou a incansável Àngels - não desiste. O amor pelas canções é incurável, o respeito pela decisão do artista uma lei entre eles.  Fazem planos, preparam um disco, formam grupos, coros, trios, quartetos - reinventam sempre o espírito llachiano que os move. Cujo lema bem poderia ser, por exemplo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"per això, malgrat la boira, cal caminar"&lt;/span&gt;, ou seja, seguir em frente apesar de tudo, como reza uma das letras mais emblemáticas de Lluís Llach, da canção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que tinguem sort&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Sorte mesmo tenho eu, de ter o privilégio de aprender com eles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2030764659338748882?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2030764659338748882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2030764659338748882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2030764659338748882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2030764659338748882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/10/quatro-anjos-em-um-ou-seita-com-carinho.html' title='Quatro anjos em um (ou &quot;À Seita, com carinho&quot;)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SO6JjteezdI/AAAAAAAAAnQ/pxDo_4vc3IM/s72-c/4-angels.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3537017339391215525</id><published>2008-09-27T12:30:00.007-04:00</published><updated>2008-09-27T18:25:01.049-04:00</updated><title type='text'>My old blue eyes...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN5gChUbJZI/AAAAAAAAAcI/fjoQEKjyGRg/s1600-h/paul+newman.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN5gChUbJZI/AAAAAAAAAcI/fjoQEKjyGRg/s320/paul+newman.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250739811980617106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Paul Newman - Foto: Arquivo/Press&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Este era o "meu" sorriso confiante, complemento quase indispensável aos olhos azuis feitos do melhor mar do universo. Este era o homem mais emoldurado em meus sonhos de adolescente, a criatura confiável que eu respeitava e amava numa redoma, da forma estranha e intensa com que os fãs de cinema amam seus atores. Este era o exemplo de ser humano que cultivava uma dignidade sem limites, uma força solidária fabricada pela dor da perda de um filho, uma humanidade que só fazia ampliar-se.&lt;br /&gt;No impulso da notícia de sua morte, no piloto automático que des-controla a falta que já faz uma era de esperanças boas, combates sadios e sonhos românticos também, por que não?, escrevo sobre a falta que ele me faz. A mim, que só o vi com os olhos mergulhados na tela. Que só o li com a alma cheia de confiança, taí um sujeito decente, que não é só um par de olhos bonitos e o sorriso incandescente que será difícil apagar da memória.  A enorme falta que já faz esse personagem, que dignifica a tão combalida sociedade americana, para tanta gente, próxima ou não.  Só de saber que ele existia, eu sentia uma espécie de conforto interno. Era como se pensasse: ele está lá, bonito e digno como o vi em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estrada para Perdição&lt;/span&gt;, engolindo tranqüilamente, com sua arte segura, profunda, gente do calibre de Tom Hanks e Jude Law.&lt;br /&gt;A beleza de Paul Newman, que escolheu o caminho da verdade, da firmeza e dos princípios, é muito maior do que os seus olhos azuis de mar, maior que a idade, do que qualquer idade. A beleza de um homem que escolheu uma companheira e viveu para ela, atravessou os anos de mãos dadas com ela, é bem mais intensa do que o visível.  Por isso eu amava Paul Newman com reverência e respeito, entre sonhar com seus olhos azuis de um Butch Cassidy montado na bicicleta e gritando "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Etta Place! My Etta Place!&lt;/span&gt;" ao redor da bela Katharine Ross e acompanhar sua paixão por velocidade (como eu morria de medo de que se acidentasse!), seus comoventes discursos humanitários, seu interesse permanente pela juventude e em viabilizar um mundo melhor para ela.&lt;br /&gt;Eu amava Paul Newman com o direito impossível de fã, na salva de prata da distância próxima com que a tela grande nos ilude. Olho para ele em qualquer de suas fases e sinto o mesmo calor, a mesma ternura, a mesma vontade de ter tido, um dia, o instante de visitar-lhe os olhos em pessoa. Hoje, tudo pesa porque aquela fortaleza que fazia parte dos meus tesouros pessoais se foi. Mas como não se perderá tudo o que ele me ensinou e me fez ver nessa vida, com sua hombridade, arte e beleza, estou aqui para homenageá-lo com as palavras mais sinceras que consigo encontrar, e revivê-lo no azul sem fim que me invade o coração neste momento.&lt;br /&gt;Obrigada, Paul, por ter existido para o mundo, para mim e para o cinema - este senhor da magia que, felizmente, fará com que você continue a existir para muitas gerações que virão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3537017339391215525?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3537017339391215525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3537017339391215525' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3537017339391215525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3537017339391215525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/09/my-old-blue-eyes.html' title='My old blue eyes...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN5gChUbJZI/AAAAAAAAAcI/fjoQEKjyGRg/s72-c/paul+newman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8449288965585234021</id><published>2008-09-26T15:24:00.007-04:00</published><updated>2008-09-27T18:22:04.862-04:00</updated><title type='text'>Che gelida manina...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN1DV-23jpI/AAAAAAAAAcA/AE8QEgxpLtg/s1600-h/puccini3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN1DV-23jpI/AAAAAAAAAcA/AE8QEgxpLtg/s320/puccini3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250426785513311890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Giacomo Puccini&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Convenço-me de que o povo, aqui no Brasil, gosta mesmo é de falar. Falam quando a coisa é boa, falam quando é ruim, falam de todo jeito. Ao assistir, no dia 19, à última récita de La Bohème, a escolha do Teatro Municipal para não deixar passar em branco o ano Puccini nesses tempos de vacas magras, concluí que é melhor fazer ouvidos moucos à criticagem geral e escutar a música.&lt;br /&gt;Em matéria de dificuldades, o Municipal é graduado e pós-graduado. Não é de hoje que as autoridades abandonam o teatro à própria sorte, como se ele fosse capaz de, milagrosamente, fazer brotarem recursos para atender a gregos e troianos, manter temporadas de diversidade européia, fazer manutenção e tudo o mais que é necessário. É claro que isso não acontece, e a instituição tem que fazer das tripas coração para não deixar a peteca desfolhar-se no chão.&lt;br /&gt;A Bohème saiu, apesar dos pesares. E foi digna das comemorações do ano Puccini, apesar da falta de quase tudo. Orquestra, regente, elenco e técnica fizeram o possível e o impossível para realizar uma produção de alto nível - e conseguiram.&lt;br /&gt;Reclame quem quiser da alternativa, por sinal muito bem aproveitada e interessante, de utilizar projeções de quadros famosos na boca de cena e à guisa de cenários, durante a ópera: se o teatro não tem recursos para construir cenários mirabolantes, por que não criar? Gostei. Ficou bonito, desperta a curiosidade pelas obras, dá um visual requintado. Muito melhor do que certos cenários, no passado, feitos por artistas plásticos afetos a instalações de funcionalidade e estética duvidosas. Há muito, muito tempo mesmo, que não se vê alguém do nível de um Gianni Ratto fazendo algo no Teatro... Acabou que a Bohème e os quadros se entenderam muito bem e a coisa funcionou, no aspecto cênico.&lt;br /&gt;Em termos de música e interpretação, que é o que mais interessa quando se fala em ópera, não tive do que me queixar. Sou grande fã de Fernando Portari e adorei vê-lo novamente em cena. O desempenho vocal foi muito bom e, como ator, também não fez feio, embora eu às vezes tenha a impressão de que há algum tempo vem se desleixando um pouco de si mesmo e da carreira. Em alguns momentos, talvez os mais marcantes, esteve inteiro e doou-se muito ao papel; em outros, porém, me pareceu algo distante. Já Rosana Lamosa, cujo timbre não me agrada tanto, foi se intensificando a partir do segundo ato. Sua "Mi chiamano Mimì" foi sofrível, mas a melhora foi sensivel até o ato final, no qual ambos foram brilhantes. Rodrigo Esteves, Homero Velho e Luiz Ottavio Farias - como Marcello, Schaunard e Colline, respectivamente - formaram um trio coeso, qualificado e de bela sonoridade.&lt;br /&gt;Há, porém, um reparo a fazer: a idéia de transformar a sublime ária de Musetta num arremedo de Marilyn Monroe cantando "Diamonds are a Girl's Best Friends", com dois bailarinos estranhíssimos e coreografia grotesca, foi realmente um desastre. Que me desculpe o diretor de cena Francesco Maestrini, mas aquilo foi uma palhaçada, não tem outro termo. A reação do público foi condigna, diga-se de passagem, no dia em que assisti; perpassavam a cena murmúrios de escárnio. A intérprete Gabriella Pacce também ficou prejudicada, pois como cantar bem, sendo jogada dum lado pro outro como se fosse uma corista?  Convenhamos,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; um pouco de respeito é bom e o Sr. Puccini gosta, assim como nós, ali na platéia. Foi realmente lamentável que, por causa de uma pantomima mal engendrada, um dos momentos mais expressivos da ópera tenha sido perdido, reduzido a galhofa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas olhando para a cena, do alto da minha galeria G45, não pude deixar de pensar em outra Bohème, de 1981, idealizada por Franco Zefirelli para o Metropolitan Opera. Não, não se trata de estabelecer comparações; essa nossa Bohème acabou por me remeter àquela, a primeira que vi, ainda que em vídeo, e que nunca esqueci. De fato, não há como apagar aquela delicadeza e despojamento que tão bem apresentavam o tom de denúncia social sugerido por Puccini ao retratar toda aquela pobreza em lastimável condição, sem assistência nenhuma, nos bairros boêmios e pobres de Paris.&lt;br /&gt;Pensei na fragilidade de Tereza Stratas, no romantismo vívido de um Josep Carreras no auge de sua forma, na presença de Joseph Morris, nos cenários, figurinos, na música que, como disse o meu vizinho de poltrona, "comove muito, não tem jeito..."&lt;br /&gt;Em março deste ano, Zefirelli foi homenageado no Metropolitan, no entreato da 347a. apresentação de "sua" Bohème, com elenco liderado por Angela Ghiorghiu. Uma montagem que já dura 17 anos e permanece fresca, adorável, perfeita para traduzir Puccini!&lt;br /&gt;Guardadas as proporções, a Bohème do Teatro Municipal marcou presença e demonstrou que, quando os verdadeiros artistas resolvem arregaçar as mangas, sempre conseguem produzir qualidade e beleza.&lt;br /&gt;Tenho a certeza de que o mestre aí em cima, de modo geral, aprovaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8449288965585234021?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8449288965585234021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8449288965585234021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8449288965585234021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8449288965585234021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/09/che-gellida-manina.html' title='Che gelida manina...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN1DV-23jpI/AAAAAAAAAcA/AE8QEgxpLtg/s72-c/puccini3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7261434241200255980</id><published>2008-08-23T07:14:00.007-04:00</published><updated>2008-08-23T23:07:16.869-04:00</updated><title type='text'>Minha alma canta...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SLAS1hyGPRI/AAAAAAAAAbI/T6v5IvjF_bI/s1600-h/caetano-e-o-Rei.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SLAS1hyGPRI/AAAAAAAAAbI/T6v5IvjF_bI/s320/caetano-e-o-Rei.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237707077442747666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Caetano e Roberto durante os ensaios&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há momentos extraordinários na vida. Que trazem surpresa e êxtase, sentimentos leves e fundos suspensos no ar. Momentos de simples beleza, puros, comoventes. E que, às vezes, fazem história também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O encontro entre Caetano Veloso e Roberto Carlos em torno da obra de Tom Jobim, ontem à noite no Municipal do Rio, foi um desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desde que soube do concerto, tive vontade de estar lá. E graças à paciência do meu amigo Paulo Henrique, que enfrentou galhardamente a fila que deu conta dos ingressos todos em apenas três horas - sem chance pro pessoal que se fiou na internet -, tive essa felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Devo declarar aqui que a minha fidelidade ao Rei é referencial apenas. Admiro, contudo, uma pessoa que consegue manter a popularidade em alta - e que alta! - há mais de 40 anos, quase sem abalos. Ninguém consegue isso por acaso. Acompanhei a Jovem Guarda, adoro várias músicas emblemáticas, mas fui me afastando do Roberto quando enveredou por algumas estradas um tanto duvidosas, para o meu gosto pessoal. Mas devo dizer também que a figura dele é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gostável&lt;/span&gt;; é como um velho amigo. E dos poucos que ainda diz "bicho" com um jeito todo especial. Gosto das marcas registradas do Rei. E no entanto nunca, até precisamente ontem, tinha me arriscado a um show seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Caetano é o meu São João menino, uma paixão eterna e irrestrita. Caetano é o profeta de um futuro presente - músico, obra e  criador numa só pessoa. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saber da história dos "Caracóis", em anos recentes, foi um prazer e uma emoção. Falo da visita de Roberto ao grande artista no exílio em Londres e a música-homenagem que a gente tanto gostava de ouvir, de (então) secreta e comovente inspiração. Mas Caetano e Roberto deixaram outras marcas na história: as canções que Caetano fez para o Rei cantar - "Como dois e dois", "Força Estranha" e "Muito Romântico",-  a citação na letra de  "Baby" (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;ouvir aquela canção do Roberto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo levava a crer, portanto, que na noite de ontem estaríamos diante de um momento histórico. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E foi o que aconteceu, em todos os sentidos. O Teatro Municipal descortinou-se para uma camada do público que jamais o vira - e provavelmente por pura distração ou esquecimento. E o público de Roberto, em franca e assumida maioria, tomou os espaços do Teatro em profusão. Estava ali justificada a fila descompassada para disputar os ingressos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem suas particularidades, essa classe média que aceita sem maiores filtros a cultura de massa que lhe é servida em abundância, produto de um sistema social baseado no recorte, e não no todo. Em muitos países do mundo, da América Latina inclusive, todas as culturas convivem ricamente. Na escola, as crianças têm a opção de estudar música e se habituam tanto às salas de concerto quanto aos espetáculos de rock ou música popular. Há lugar para tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui ocorre um fenômeno curioso: há preconceitos malucos contra a arte dita "erudita", que fazem com que um volume enorme de pessoas de razoável poder aquisitivo se excluam de certos contextos por considerá-los privilégio de poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Municipal, ontem, era evidente a surpresa em muitos rostos bem trajados. Era como se, de repente, batessem aqueles célebres "cinco minutos" e a pessoa pensasse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Nossa! Como isto aqui é bonito! Por que será que eu nunca vim aqui antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Respeitoso, o público de Roberto encheu de orgulho o nosso Teatro. Com raríssimas exceções, fez-se o silêncio condigno. E quando o entusiasmo deu lugar a comoventes e afinados coros, como no caso de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Samba do avião&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, interpretado por Roberto, e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Eu sei que vou te amar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, cantada pelos dois, isso se deu com imenso cuidado e carinho. Demonstrações claras de que o que falta não é sensibilidade, e sim a percepção de que música é música, e  todos os estilos cabem na alma. Com certeza, o amor ao Rei terá conquistado ontem novos corações para o Teatro Municipal também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No palco, as homenagens de cada um a Tom Jobim foram de extremo bom gosto, tanto musical quanto cenicamente. A alta tecnologia por trás dos cenários nos devolveu a alegria de um Rio que era só música, sol, céu e mar. O Rio de Tom, Vinícius, da Bossa-Nova cinqüentona e inteiraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De desafinado, mesmo, só o backlight do projeto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;Itaú brasil&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; - escrito assim mesmo, com "b" minúsculo - que pairou no palco até o início (atrasadíssimo, por sinal) do espetáculo. A publicidade anda tão agressiva! É óbvio que não tenho nada contra os grandes patrocinadores; sem eles a nossa cultura estaria infinitamente mais capenga do que já está, por absoluta asfixia financeira. E os bancos, mais do que qualquer outro setor da economia, têm em mãos os instrumentos para revitalizá-la. Mas francamente, um backlight no palco é de um mau gosto extremo, uma invasão de espaço sacralizado que não deveria ocorrer. Há modos e maneiras de marcar presença sem atirar um "tô pagando" assim tão evidente em cima das pessoas - que por acaso também pagaram, e muitas regiamente, para ali estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Caetano Veloso é hoje, além de pensador, esteta, compositor e uma das grandes figuras da nossa intelectalidade, um instrumento musical inigualável. A sua voz está cada vez mais bonita e perfeita. Com sua espontaneidade e beleza, comportou-se quase que religiosamente em relação à obra jobiniana. Interpretou a canção &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Por toda a minha vida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; praticamente como se fosse uma ária. Sereno e muito à-vontade, uniu emoção e elegância, suavidade e coração, força e delicadeza. Envolveu-nos numa aura apaixonada, marcada pela saudade de Tom e talvez um pouco de nós mesmos, daquele "nós" que gostávamos de ser quando ouvíamos e vivíamos as músicas do maior entre os Brasileiros de Almeida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Roberto Carlos comoveu, na sua pequena voz tocante, aquela voz que está na nossa alma desde sempre. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Samba do avião&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Lígia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; (com a boa lembrança, em vídeo, do dueto com Tom em um de seus especiais de fim de ano), &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Corcovado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Por causa de você&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;... Roberto tem uma marca, um poderoso carisma, uma força que emociona sempre, uma história que não merecia mesmo ser manchada pelo triste episódio que envolveu o processo contra o jornalista Paulo Cesar de Araújo, e que confiscou uma tremenda e amorosa biografia musical do cantor, baseada em mais de 200 entrevistas e em material publicado em jornais e revistas. O fruto da pesquisa de uma vida, feita com o conhecimento do cantor, foi confinado a um galpão de propriedade do Rei, para apodrecer longe da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não sei quem terá levado o nosso Roberto Carlos a ter uma atitude tão feia e incompatível com sua biografia. Caro Rei, eu peço a você que repare isso, em nome de tudo o que vi no Teatro Municipal, na noite de ontem! Você sabe que o livro foi um ato de amor à sua obra, vida e carreira. O argumento utilizado pelos advogados - de que somente Roberto deveria lucrar com a sua obra - é de uma fragilidade absurda, pois muitos e muitos artistas já foram biografados por escritores competentes e nem por isso deixaram de ganhar muito dinheiro. E nem por isso os biógrafos sequer chegaram perto de enriquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Roberto, vire de uma vez essa página negra e devolva ao seu público - a esse mesmo público que, por causa de você, descobriu ontem o Teatro Municipal do Rio - a oportunidade de conhecer o excelente trabalho sobre a sua vida que dorme, intocado, em porões onde um importante registro da música brasileira, em breve, virará comida de traças. E devolva, sobretudo, ao zeloso biógrafo Paulo Cesar de Araújo a alegria de compartilhar o seu trabalho de autor com todos os que te admiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas voltemos ao palco do Teatro Muncipal, na noite de 22 de agosto de 2008. Roberto e Caetano, que abriram o concerto com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Garota de Ipanema -&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; sentados em banquinhos, como se estivessem ali batendo papo há horas e sempre fazendo mil salamaleques um para o outro, cortados por carinhosos (e verdadeiros) abraços e beijos - tiveram a feliz idéia de fazer os papéis de Dick Farney e Lúcio Alves e revisitar a memorável &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Tereza da Praia,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; mais carioca impossível. E fechar, muito poeticamente, com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Se todos fossem iguais a você&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, um espetáculo marcado pela delicadeza, em que nada foi desperdiçado: luz, cenário, timing, a presença de músicos magistrais, o repertório e o melhor dos dois solistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto ouvia, do meu excelente lugar na fila C da galeria, o povo entoar baixinho, quase num sussurro, o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Chega de saudade&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; - em excelente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;back-vocal&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; para os artistas -, senti, sem esforço e com o coração nas nuvens, o peso da história. E sem precisar de uma camiseta com a inscrição "Eu fui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Agora atenção, Itaú: não bastam os concertos previstos para o Rio e São Paulo. Esse espetáculo, a bem da música popular brasileira, merece tournée nacional.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7261434241200255980?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7261434241200255980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7261434241200255980' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7261434241200255980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7261434241200255980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/08/minha-alma-canta.html' title='Minha alma canta...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SLAS1hyGPRI/AAAAAAAAAbI/T6v5IvjF_bI/s72-c/caetano-e-o-Rei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7099673268945169660</id><published>2008-08-23T06:43:00.004-04:00</published><updated>2008-08-23T07:07:53.863-04:00</updated><title type='text'>Oh vento, que faz cantiga...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SK_tNKfsHdI/AAAAAAAAAbA/aw6rv3USkDA/s1600-h/DORIVAL.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SK_tNKfsHdI/AAAAAAAAAbA/aw6rv3USkDA/s320/DORIVAL.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237665702066527698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Foto: Capa do livro "Dorival Caymmi", de Francisco Bosco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Edição PubliFolha (2006)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Coqueiro de Itapoã,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;coqueiro...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Areia de Itapoã,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;areia...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Morena de Itapoã,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;morena...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Saudade de Dorival&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ,&lt;span id="palavra5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;me deixa!....&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="palavra5"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span id="palavra6"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Dorival Caymmi - 30/04/1914-16/08/2008)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="palavra6"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;pre&gt;&lt;span id="palavra6"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="javascript:muda_palavra(6);"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="palavra54"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="javascript:muda_palavra(54);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7099673268945169660?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7099673268945169660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7099673268945169660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7099673268945169660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7099673268945169660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/08/oh-vento-que-faz-cantiga.html' title='Oh vento, que faz cantiga...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SK_tNKfsHdI/AAAAAAAAAbA/aw6rv3USkDA/s72-c/DORIVAL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2155697423619633788</id><published>2008-07-30T12:27:00.006-04:00</published><updated>2008-07-31T16:11:28.606-04:00</updated><title type='text'>Dercy</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCbClmocuI/AAAAAAAAAaA/XDyVrj5zm2A/s1600-h/dercy_cem_anos_f_034.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCbClmocuI/AAAAAAAAAaA/XDyVrj5zm2A/s320/dercy_cem_anos_f_034.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228849636133335778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dercy Gonçalves &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;É estranho que este blog tenha, em tão pouco espaço de tempo, registrado tantas despedidas: Zélia Gattai, Jamelão... e agora Dercy, 101 ou 102 anos, grande musa do imaginário popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo aqui ficar no tom da tristeza nem criar uma vibração saudosista, mas não há como não reconhecer que o andar de cima anda movimentado, com pressa de transferir tantas personalidades queridas, e todas de uma vez!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasci, a impávida Dercy Gonçalves já tinha dobrado o Cabo da Boa Esperança. Posso dizer que me criei com a sua imagem na pauta da televisão - e não nego que sempre gostei dela. Já era uma figura carismática na era anterior ao palavrão no ar; divertida, espevitada, com expressões faciais fortes e impagáveis e sempre um comentário espirituoso na ponta da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti muitas entrevistas até comoventes da filha de Madalena, uma mulher vivida e segura, que possuía espiritualidade e deixava entrever a decência do seu caráter. Lembro-me que uma vez alguém lhe perguntou qual era o seu maior desejo na vida, e ela disse: "Que a humanidade se entenda para produzir a paz, e que meus netos sejam os maiores homens do mundo." Achei bonito, puro. Dercy era resolvida, enfrentava-se, não tinha vergonha de nada, era positiva e interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca a vi dentro do rótulo de escrachada, como meio mundo fazia questão de classificá-la. Era uma atriz de verdade, uma comediante inteiríssima - e isso, convenhamos, é muito difícil de fazer. É incrível que as pessoas gostem de ouvir alguém dizer mil palavrões, paguem ingresso no teatro para vê-la - e no entanto discriminem essa pessoa justamente por isso. Creio que essa foi a injustiça básica com Dercy, uma verdadeira marca de brasilidade, uma boa tradução do nosso espírito boa-praça. E corajosa, por tudo o que enfrentou na sua época, para firmar sua vocação e dar rumo ao próprio destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi triste para mim vê-la flertar com a senilidade, pois eu conhecia a outra Dercy, sempre imperturbável e senhora de si. Não gostei de ver as pessoas se aproveitarem do seu estado para expô-la indevidamente na frente das câmeras. Afinal, ela merecia, em tudo e por tudo, a reverência dos brasileiros. Ajudou a construir a memória deste país; foi uma personagem de garra e amplitude, que nunca deixou de lutar - e atravessou dois séculos sorrindo e fazendo sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui o seu rostinho maroto, no auge da carreira. Uma foto que sintetiza a alegria de que foi portadora, e que encheu o nosso coração a vida inteira.  Dercy foi muito gente, foi muito Brasil. Curvo-me à sua passagem, certa de que a memória do povo, mesmo com fama de ser curta, há de lhe fazer toda a justiça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2155697423619633788?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2155697423619633788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2155697423619633788' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2155697423619633788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2155697423619633788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/07/dercy.html' title='Dercy'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCbClmocuI/AAAAAAAAAaA/XDyVrj5zm2A/s72-c/dercy_cem_anos_f_034.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1435371119371754033</id><published>2008-07-20T17:47:00.005-04:00</published><updated>2008-07-25T00:27:41.766-04:00</updated><title type='text'>Hora de encontrar a turma das filas</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 0, 102);font-family:trebuchet ms;" &gt;ESPECIAL FLIP 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIPfeHGhEJI/AAAAAAAAAZo/dWJc5FTPuzI/s1600-h/Flip-bandeirolas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIPfeHGhEJI/AAAAAAAAAZo/dWJc5FTPuzI/s320/Flip-bandeirolas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225265701075357842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Flip 2008: embandeirada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Foto: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 102);font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;A Festa Literária Internacional de Paraty, ou simplesmente FLIP, tem lá suas peculiaridades: todos os anos a compra de ingressos é uma angústia longa que se transforma em stress e, às vezes, tem final feliz. Estamos sempre sujeitos ao enlouquecimento espontâneo de um dono de pousada que pode, a qualquer momento, ter um surto e achar que está perdendo dinheiro: motivo suficiente para aumentar preços sem critério e suscitar uma longa e complexa negociação. Isso sem falar nas passagens de ônibus, o já proverbial tem-não-tem-ônibus-extra, quando todo mundo sabe que vai ter, tem que ter, pois a procura é grande e a empresa, logicamente, não vai querer deixar de faturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essas coisas todas têm um pouco de graça. Todos os anos tem a célebre fila nos pontos de venda, pois os pobres mortais que se candidatam à verdadeira prova de resistência que é assistir a 20 palestras - ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mesas&lt;/span&gt;, como a organização as chama - à razão de cinco por dia têm de aguardar ansiosamente que seja anunciado o dia da venda e o horário em que as bilheterias, a internet e o telemarketing vão abrir, sempre todos ao mesmo tempo. Tudo em nome de uma democracia fictícia que pressupõe - em intenção, não em gesto - garantir o acesso de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ponto de venda é a loja da Modern Sound, em Copacabana, a dois passos de casa. Sempre acho que serei a primeira, pois tenho uma paciência praticamente inquebrantável para me enquadrar em longas esperas. Pois este ano fui a terceira - o que parece bom, salvo se a velocidade dos compradores (e vendedores) online não superar a compra direta. No caso da Flip, nunca se sabe. Mas a fila - que na Modern Sound merece a deferência de um civilizado par de bancos compridos - é um local de encontros. Você sempre vê as mesmas pessoas, conhece algumas novas, ouve histórias, administra os boatos que proliferam - é mais caro, tem taxa, não tem taxa, acho que já acabou e terrorismos desse quilate - e, no mínimo, tem diversão garantida por algumas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, o "sistema" - nome genérico que no meu tempo personificava a ditadura e hoje representa a rede informatizada - ia abrir às nove. Sabedores disso, os pontuais fileiros pediram ao dono da Modern Sound para abrir a loja antes do horário normal de nove e meia. Às dez, já com quase três horas de fila e muito papo rolando, foi anunciado aos quatro ventos pelo segurança, no papel de um autêntico jogral, que haveria um atraso. A tensão progride, alguns gesticulam, outros tentam por telefone, alguém diz que em casa não conseguem acessar as vendas pela internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o sistema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, às onze-quase-doze, o tal sistema resolve funcionar. Só deixam entrar um de cada vez, para não dar problema; aguardo por minutos agora intermináveis na porta, até que me liberam. No caixa, porém, dá-se o milagre da suavidade. Peço dois pacotes completos, entrada inteira. A menina processa e os ingressos começam a jorrar rapidamente da impressora. Em menos de 15 minutos, tenho todas as folhinhas na mão, com as mesas discriminadas e os hologramas perfeitos para leitura eletrônica. Em nenhum momento ouvi algo sequer parecido com "Acho que não tem..." Pago e, na dúvida, resolvo afundar-me numa das poltronas da Modern Sound para destacar os ingressos, contar e conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo certo. Já é quase uma da tarde. Despeço-me de um ou outro companheiro de fila e sigo para casa carregando os preciosos (e caros) ingressos para a Tenda dos Autores. Ao chegar, descobriria que esquecera os óculos no balcão, mas foi só questão de telefonar e passar para pegar no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga que comprou por telefone sofreu um pouco mais, pois era sempre o número 89 ou coisa que o valha na fila de espera, mas afinal foi atendida e comprou o que queria.  Já no ônibus, porém, começo a ouvir histórias de não-tem; gente que chegou à noite e não achou quase nada, gente que viu a fila de idosos arrebatar o estoque inteiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa eu aprendi, no penoso ano em que a venda ficou por conta das Americanas.com; a Flip não põe todos os ingressos à venda no primeiro dia. Eles dividem em cotas e vão soltando aos poucos. No tal ano das Americanas, quando entrei na internet - poucos minutos após a abertura das vendas - já não havia quase nada. Comprei o que pude e, dia após dia, dedicava-me ao trabalho de formiguinha de garimpar ingressos. Nesse afã, acabei conseguindo entradas para quase todas as mesas na Tenda dos Autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em Paraty, nas seis filas que se formam para o acesso à tenda - que continuam absolutamente manuais, mesmo após seis anos - a gente encontra o pessoal de todos os anos. Há pessoas com quem nunca trocamos uma palavra sequer, mas que conhecemos de longa data - quer dizer, de longa fila. A senhora acompanhada da filha, que quase sempre é a primeira como nós, a outra senhorinha de descendência indígena, os cabelos ainda pretos, outras duas amigas que sempre vêm... Criamos um vínculo estranho com essas pessoas. O fato de vê-las parece nos assegurar uma familiaridade, um compromisso inusitado que só se dá com flipianos: o início de julho é guardado a sete chaves para aqueles momentos ora fortes, ora perturbadores, ora engraçados, para aquela sala-de-estar com escritores que a gente admira, com outros de que só ouvimos falar e muitos que nem isso. Mas aprende-se, e como! As idéias e linguagens nos cercam com sua novidade e espírito. Cabe a nós aproveitá-las e engordar a alma de beleza, realidade, inconformismo, susto e emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a Flip, com seu jeito único, é um pouco de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1435371119371754033?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1435371119371754033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1435371119371754033' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1435371119371754033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1435371119371754033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/07/hora-de-encontrar-turma-das-filas.html' title='Hora de encontrar a turma das filas'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIPfeHGhEJI/AAAAAAAAAZo/dWJc5FTPuzI/s72-c/Flip-bandeirolas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1438600526489970587</id><published>2008-06-29T22:56:00.005-04:00</published><updated>2008-06-30T14:36:01.815-04:00</updated><title type='text'>... antes de me despedir, deixo ao sambista mais novo o meu pedido final...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SGhMnP2t3eI/AAAAAAAAAZA/AI1j88-fe7k/s1600-h/jamelao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217504405463358946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SGhMnP2t3eI/AAAAAAAAAZA/AI1j88-fe7k/s320/jamelao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Verdes e rosas mais pálidos, gritos de guerra mais roucos, ruas do Rio mais caladas, cortadas de um luto discreto, fundo, uma dor do povo.&lt;br /&gt;Mestre Jamelão se despede em farto, amplo cortejo. Sob as palmas da platéia que se alonga nos quilômetros e quilômetros do adeus.&lt;br /&gt;O samba sente muito. Mas é o povo que chora. O povo que não pensou duas vezes e foi em peso vê-lo passar pela última vez, interpretando como ninguém uma saudade profunda.&lt;br /&gt;Jamelão saiu de cena como um rei, com a pompa e circunstância que mereceu e conquistou vida afora.&lt;br /&gt;Houve um tempo em que já era tradição: duas semanas antes do Carnaval, as intrigas da oposição sempre espalhavam no Rio de Janeiro que Jamelão tinha morrido. Mas todo mundo sabia que era para enfraquecer a Mangueira. Imagino que ele risse da piada, pois no dia aprazado estava lá ele, com sua voz inconfundível, à frente da mais querida. Era Estandarte de Ouro na cabeça!&lt;br /&gt;Sou o tipo de devota que aprendeu a sonhar com o ZiCartola que nunca viu, que ouvia Matriz e Filial com respeito e reverência - e que sempre chora quando a Velha Guarda entra na avenida com seus ternos de festa.&lt;br /&gt;Com Jamelão não foi diferente: sempre o olhei como um desses seres superiores que detém o segredo de estar no coração do povo. Mas não como uma &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;moda&lt;/span&gt; que é esquecida assim que sai de cartaz: Jamelão é pra sempre. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por onde passou, o cortejo do grande mestre encontrou um olhar perdido, um surdo imaginário a soar compungido, uma cabeça baixa, uma lágrima, mãos em jeito de oração, o silêncio de alguém que saúda de dentro de uma tristeza tímida, sincera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há uns quatro anos, acho, tive a felicidade de assistir ao Desfile das Campeãs numa frisa. Minha amada Mangueira, segundo lugar naquele ano, estaria lá. Num dos intervalos, perambulando pela área do bar, pude vê-lo. Pequenino dentro do terno rosa e amparado por dois ou três guardiães da Escola, brilhava com uma força tremenda. Não pude evitar o nó na garganta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jamelão, um símbolo e uma voz, já faz muita falta. Mas sei que há de refulgir sempre sobre a Sapucaí, no céu do Carnaval. Não uma estrela, constelação. Não um puxador, um intérprete, como sempre fez questão de dizer. Não um sambista, mas o próprio samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1438600526489970587?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1438600526489970587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1438600526489970587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1438600526489970587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1438600526489970587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/06/antes-de-me-despedir-deixo-ao-sambista.html' title='... antes de me despedir, deixo ao sambista mais novo o meu pedido final...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SGhMnP2t3eI/AAAAAAAAAZA/AI1j88-fe7k/s72-c/jamelao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1785221733214475591</id><published>2008-06-14T14:16:00.006-04:00</published><updated>2008-06-14T15:11:57.886-04:00</updated><title type='text'>Gerard</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SFQVsZgHhoI/AAAAAAAAAYo/NcUgHDU2BxE/s1600-h/cafeantic_foto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SFQVsZgHhoI/AAAAAAAAAYo/NcUgHDU2BxE/s320/cafeantic_foto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211814521278531202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.lluisllach.cat/"&gt;www.lluisllach.cat&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um inusitado efeito multi-idiomático tem operado em mim um verdadeiro milagre: leio e compreendo o catalão! Óbvio que com algumas limitações, mas mesmo assim é uma proeza. Ainda não freqüentei nem mesmo um curso online e, no entanto, progrido a olhos vistos na escola da generosidade e de uma empolgação genuína.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Isso se deu por obra e graça de Lluís Llach, aquele que, mesmo tendo encerrado voluntariamente a carreira musical no ano passado, ainda canta muito em milhares de corações, principalmente na sua Catalunya e na França, onde se exilou durante o franquismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em seu esmerado e elegante &lt;a href="http://www.lluisllach.cat/"&gt;website&lt;/a&gt;, um dia desses deparei-me com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;El Cafè Antic&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Não, não é um café.  É simplesmente o nome da lista de discussão dos fãs de Llach, que por sua vez foi assim batizada em homenagem a uma de suas belas canções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entrei na &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;llista, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;pois é assim que se escreve em catalão,  muito timidamente, mais para observar. Mas que acolhida recebi! Logo os mais assíduos se interessaram em saber como eu cheguei lá - e abriram não só o coração, mas também o baú de lembranças. Àngels, Montse, Xavier, Carme, Carlos, Juanjo... cada um com uma história, uma ternura, uma razão para ser llachiano.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao calor e à força dos participantes, me veio Gerard.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia abro o  gmail e vejo um texto de estarrecer. Em catalão, como sói, que é como se expressa a maioria absoluta da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;llista&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Leio com a atenção redobrada que o pouco domínio do idioma me exige,  entre uma e outra olhada no "Dicionari català, valencià i balear",  gentilmente disponiblizado online pelo Institut d'Estudis Catalans. E me delicio com sua precisão, suas fagulhas, suas idéias envolvidas no amplo abraço de um estilo irretocável.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gerard é um poeta que, por distração ou por gosto, escreve em prosa. Na llista, cria textos formidáveis, sempre com alguma referência ou situação criada para lembrar Lluís Llach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de umas três ou quatro leituras, resolvo manifestar o meu deslumbramento e travamos contato. A força de suas histórias, dos personagens e das variadas dimensões do seu povo é muito comovente, terna mesmo, apesar da dureza inevitável, temperada por vezes com algum sarcasmo ou fina ironia.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas linhas leio coisas quase &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brasileiras&lt;/span&gt;; não são referências explícitas, mas maneiras de ser, observações, detalhes que mostram que há incertezas, violência e amoroso respeito em toda parte. Ora é uma situação documentada, ora apenas uma idéia a defender. Mas Gerard as transforma  com sua doçura e mestria, com uma &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;tendresa e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;uma elegância tais que é impossível resistir-lhe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Gerard é moderno no sentido renovado da palavra, na forma como fere o papel com verdades e sangue. Nesse sentido, ler em catalão é, para mim, um ponto de honra. Agora, além de aprender para poder mergulhar, em intenção e gesto, na obra llachiana, há que fazê-lo pelas palavras de Gerard, que calam fundo acima e além da barreira (mas que barreira?) do idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ele chama de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;cultura oculta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; o universo de belezas que vive dentro da língua catalã, talvez com alguma tristeza. Ouso discordar. Acho que são coisas como a música de Llach e os escritos de Gerard -  ao lado de uma imensa e inquietante obra nacional em literatura, poesia, teatro, música e todas as artes, sem esquecer o design - que fazem com que pessoas como eu desejem ardentemente virar a chave da língua e entrar, devidamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;alfabetizadas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;,  no coração desse fascínio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1785221733214475591?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1785221733214475591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1785221733214475591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1785221733214475591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1785221733214475591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/06/gerard.html' title='Gerard'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SFQVsZgHhoI/AAAAAAAAAYo/NcUgHDU2BxE/s72-c/cafeantic_foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1888796711811651896</id><published>2008-05-21T23:57:00.009-04:00</published><updated>2008-05-26T17:42:28.761-04:00</updated><title type='text'>Noris e as cores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDT1oV5o1FI/AAAAAAAAAWY/8fB2vvcTXTU/s1600-h/Noris1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDT1oV5o1FI/AAAAAAAAAWY/8fB2vvcTXTU/s320/Noris1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203053542942233682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao lado da estufa em Riddervoldsgate - Foto: &lt;a href="http://www.noris.no/"&gt;www.noris.no&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meu reencontro, há dois anos, com os companheiros bolsistas do American Field Service, a turma daquele emblemático ano letivo 1974/1975,  tem sido alegria pura e surpresa constante.Trouxe-me, por exemplo a arte de Noris Maria Dias, gaúcha de Pelotas hoje radicada na Suécia, que no dia 14 de maio último inaugurou sua primeira exposição individual naquele país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história dessa psicoterapeuta que tornou-se uma artista referencial é fascinante. Bolsita do AFS na Noruega, foi estudar psicoterapia na Itália com o marido; depois de formado, o casal foi morar e trabalhar em Oslo, onde nasceram os dois filhos. Foi lá que Noris conheceu o pintor Garman-Vik e passou a freqüentar o seu grupo. Apesar de ter ido morar na Toscana, Noris retornava periodicamente ao trabalho com o mestre e, desde 1998, dedica-se integralmente à pintura. E a fertilidade é impressionante: entre 2004 e 2008 foram doze mostras em várias cidades do mundo, inclusive no Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até dia 27, Noris realiza o sonho de expor individualmente no país que adotou como pátria. E nós, colegas AFSers, vibramos muito com isso. Em seu interessantíssimo &lt;a href="http://www.noris.no/"&gt;site&lt;/a&gt;, é possível ter uma idéia da profundidade e beleza do seu trabalho, além de conhecer melhor a sua intensa trajetória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena publicar aqui o texto de apresentação da exposição de Noris, escrito pela amiga Juliette Atwatter e retraduzido por mim, após mergulhar de olhos e sentidos bem abertos no seu universo "desfeito em cores no além", que descrevo com essa brilhante estrofe da canção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teletema&lt;/span&gt;, do compositor Paulo Sérgio Valle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns, Noris, pelo trabalho e por suas vitórias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;Noris&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Texto de Juliette Atwatter&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;A arte de Noris não é fácil de qualificar. É feminina sem ser estereotipada ou água-com-açúcar; tampouco é abertamente feminista, como mero contraponto a uma perspectiva masculina. É uma arte profundamente enraizada em fértil terra de imagens, em criações que mesclam, com riqueza de detalhes, a natureza, a religião, os mitos e o (sub)consciente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Ainda que muitas das imagens sejam facilmente perceptíveis a olho nu, diante de um observador mais atento, pronto a dedicar-lhes o necessário tempo, desdobram-se lentamente e revelam uma essência condensada, firme, consistente. As&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;várias camadas de sonho são recheadas de um estonteante&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;imaginário mítico e psicológico, com crânios escondidos pelos cantos. Esqueletos – lembretes da nossa fragilidade e mortalidade – ao lado de mulheres fecundas, curvilíneas, e de madonas voluptuosas e sensuais, celebram o ciclo de vida, morte, renascimento e acima de tudo amor. Que, em um dos quadros, faz com que a&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;té a esquelética morte  tamborile os dedos, ansiosa por ser notada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;O surpreendente uso da cor e as ricas padronagens envolvem detalhes inesperados - e na maioria das vezes desconcertantes, como as curvas da cauda de um gato que escapam do robe de uma mulher (Tommasia); os rostos aparentemente encaixados de um casal que dança (Beijo); um auto-retrato com um pé calçado, outro descalço e uma mulher nua ao fundo, embrenhando-se furtivamente na mata (Crepúsculo); um gato manhoso que imita sinuosamente os contornos de uma árvore banhada por um luar espectral (Allegro, ma non troppo); um homem sentado de costas para o mundo lá fora (A árvore de Stein); seus filhos rodeados de borboletas. Toda essa atenção aos detalhes nos leva a estender e explorar mais a fundo as imagens - e, em última análise, a questionar a impermanência à nossa volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 51); font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Embora sua bagagem em psicoterapia fique patente no trabalho, sua arte nunca se leva demasiado a sério. Um humor irônico está presente quase o tempo todo, seja num título (Galinhas da Paz) ou num detalhe (o gênero de uma figura crucificada); e, embora o estilo vigoroso e a técnica madura denotem uma escuridão imanente, há sempre traços de luz e uma beleza fugaz, que nos deixam uma sensação de esperança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1888796711811651896?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1888796711811651896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1888796711811651896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1888796711811651896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1888796711811651896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/noris-e-as-cores.html' title='Noris e as cores'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDT1oV5o1FI/AAAAAAAAAWY/8fB2vvcTXTU/s72-c/Noris1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-864632543176067719</id><published>2008-05-18T08:08:00.006-04:00</published><updated>2008-05-18T08:43:38.300-04:00</updated><title type='text'>Zélia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDAcdcQFBOI/AAAAAAAAAV0/sy3dlFFF2Ec/s1600-h/Z%C3%A9lia+Gattai.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDAcdcQFBOI/AAAAAAAAAV0/sy3dlFFF2Ec/s320/Z%C3%A9lia+Gattai.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201688861738337506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Zélia Gattai - Foto: &lt;a href="http://br.yahoo.com/"&gt;Yahoo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Sei de alguém que hoje deve estar feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Lá no Céu dos Escritores Eternos, Jorge Amado abre os braços para sua queria Zélia, que nos deixa decerto com aquele sorriso confortador e macio de poesia, com que fazia a vida parecer muito fácil, muito normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;A lei natural das coisas e o coração da gente nunca se entendem lá muito bem; intelectualmente, conseguimos ver a lógica de uma vida longa e bem vivida, rica, fértil, terminar após 91 anos, quase 92. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com o coração, porém, sentimos saudades dela, íntima à sua maneira da nossa alma ávida de alguma solidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zélia Gattai era a beleza em estado bem sólido, que não só tinha uma enorme graça como um jeito de ser prazeroso, que quase imediatamente nos convidava à cozinha, a uns bolos de fubá ao som da Bahia. Convidava-nos, sobretudo, a uma presença marcante de Jorge, o seu Jorge com quem tinha um pacto lindíssimo - e com quem viveu um mundo que, para muitos de nós, tinha o doce sabor de uma utopia possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que tudo fossem flores; eles é que eram capazes de florir as adversidades com sua fé profunda, sua verdade, seu talento e as histórias que deram cor e forma à nossa memória, enquanto nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em maio de 2006 estive na Casa de Jorge Amado, em Salvador, espaço mais que vivo que Zélia presidia com o ardor próprio da sua personalidade. Podia senti-la em cada detalhe, nos óculos de Jorge, nas capas dos livros, no café e na água mineral que pedi. Na capa amarelecida de Seara Vermelha, que me fez lembrar o dia em que meu pai me falou desse livro, e de Jorge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Zélia enchia a tela da tv com o seu sorriso, parecia que tudo estava bem. Sua vitalidade ultrapassava as marcas por vezes duras da vida. Tinha alguma coisa de fresco, de natural, que fazia a gente gostar dela mesmo sem a ter de fato conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É chato começar este domingo em meio à saudade material de Zélia. No Rio de Janeiro, o sol brilha demais para essa tristeza. Mais isso deve ser uma forma de homenagem. Salvador terá talvez emudecido; os personagens diários da velha capital, com quem ela conviveu desde que começaram a brotar dos livros do marido, devem andar pensativos, sombrios, pelas ladeiras. Os anarquistas estarão de luto, apesar do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no Céu dos Escritores Eternos, há uma animada mesa de amigos que comemora a chegada da grande mulher Zélia Gattai, escritora e brasileira como poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos tentar, em nossa pequena medida, brindar com eles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, querida Zélia, e bem-vinda ao coração da lembrança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-864632543176067719?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/864632543176067719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=864632543176067719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/864632543176067719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/864632543176067719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/zlia.html' title='Zélia'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDAcdcQFBOI/AAAAAAAAAV0/sy3dlFFF2Ec/s72-c/Z%C3%A9lia+Gattai.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6737456608190728196</id><published>2008-05-16T07:43:00.005-04:00</published><updated>2008-05-16T20:00:20.784-04:00</updated><title type='text'>Sobrevivência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2Ek8QFBLI/AAAAAAAAAVc/PBUYySw3x2k/s1600-h/dor.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2Ek8QFBLI/AAAAAAAAAVc/PBUYySw3x2k/s320/dor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200958914866513074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ando na rua e tento lutar contra a pressa; observo. Não necessariamente em busca de um fato novo; faço o que posso para registrar a magia do corriqueiro, do comum, do casual. Nas quadras em torno de casa, que freqüento religiosamente por razões domésticas - mercado, farmácia, caixa eletrônico, banca de jornal - tenho um bom retrato de uma Copacabana que não engana mais ninguém. Hoje, expor as vísceras virou uma dolorosa moda que nos impõe, a cada dia, os tons sem tom de sua passarela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Observo a crescente população de panfletadores. É uma polpuda massa onde cabem todas as idades, desde o senhor de poucos cabelos brancos à senhora de quadris mais pródigos e calça colante - passando,  é claro, pelos rapazolas de bermudão e camiseta e as menininhas mais ao estilo funk. Deve ser duro disputar centímetros de calçada, todo dia, com vários concorrentes - e para entregar um produto que ninguém quer! Pois eu pego senão todos, quase todos esses papeluchos que oferecem dinheiro rápido, compram jóias, vendem serviços. E não é raro receber de volta um aliviado "obrigado" . É, deve ser duro entregar panfleto em Copacabana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A linha de sobrevivência está cada vez mas tênue nesse território de diversidades. Palavra essa, aliás, que a cada dia se esvazia mais. Tenho observado como as palavras, num mercado de poucas verdades, vão sendo saqueadas: carente, cidadania, risco social (agora é "vulnerabilidade"), diversidade, diferenças... A síndrome do politicamente correto tem o dom de desvitalizar o idioma e nos deixar mais pobres, mais sem sentido. Nunca pensei que esse tipo de doença fosse tão fatal para a língua. Daqui a pouco não teremos mais o que dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que vejo, sem nuances, é a miséria mesmo. E ela se agiganta. Não falo como os incomodados de ocasião, nem como quem pede que "tirem essas pessoas da minha vista". Não. Vejo a miséria a rondar-nos muito de perto. Ninguém está imune à destruição que ela infunde em tudo: crenças, valores, sentimentos, conduta, na mesa e nos móveis da casa, na roupa que vestimos, naquilo que comemos. Viramos egoístas por centavos - e por necessidade. Temos tanto medo de viver que disparamos um pico de adrenalina a cada vez que enfrentamos (sim, enfrentamos) a rua. O velho prazer de bater perna está carcomido pelo medo dessa miséria que avança e toma conta de cada canto. O que antes era um simples moleque, no doce conceito "literário" do nosso cotidiano, hoje é uma arma em potencial. Não conseguimos mais dizer, sem hesitar, que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;vivemos na melhor cidade da América do Sul, baby, eu sei que é assim&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, como Caetano nos ensinou um dia. E nem podemos dizer, como Geraldo Azevedo, que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;em Copacabana tudo é rei... e rainha&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Em Copacabana, tudo é grade, tranca e ferrolho, do Leme ao Posto Seis. No shopping-cidade onde moro, que a vida inteira exibiu com orgulho suas cinco entradas para três ruas, erigiram feias grades de alumínio anodizado, totens da desesperança que de dia pendem sobre nossas cabeças, ameaçadores, e de noite fecham-se sobre a liberdade como uma sentença perpétua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por que temos tanto medo da miséria? Por que não nos dedicamos, de corpo e alma, a eliminá-la?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por que não queremos essa responsabilidade. Mais fácil delegá-la às autoridades, sob a frágil desculpa de que pagamos nossos impostos, e se alguém rouba no Governo, não é culpa nossa. Não queremos agir por meios pequenos, não buscamos organizar-nos dentro dos valores que por tantos anos defendemos, mas que na verdade não temos, ou perdemos. Será que não existe uma forma de nos entendermos e trabalhar sem disputa, de modo limpo, pelo bem-estar de todos? Nós, a população enjaulada que pensa ser a mocinha da história, fechamos todo dia os nossos olhos aos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;pigmeus do boulevard&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, nas santas palavras de Aldir Blanc. (Sim, a nossa música-retrato é uma fonte inesgotável de bons exemplos que ainda não se consumiram na autofagia das mentiras travestidas de benevolência). Precisamos acreditar que, se uma pessoa que vive na rua não come, um dia ela virá - e com justa razão - cobrar a conta diretamente, com os meios de que dispõe. E não há sociologia, por mais lúcida que seja, que possa resolver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vamos esperar mais o quê? A tão falada (e tão vazia!) justiça social tem que ser hoje. E nós temos de ser capazes de realizá-la, pois os discursos já não conseguem nem disfarçar a medonha face da tragédia nacional que presenciamos. Num mundo de privacidade zero, não há criancinha que não saiba dos males do mundo. A barbárie corre nas nossas veias, não é atributo exclusivo da massa que viceja diante dos nossos aterrorizados olhos, como se não fizesse parte do mesmo mundo. Nós a alimentamos com a nossa indiferença cortante. Assim como foi na Revolução Francesa, essa massa já nos atinge em cheio, e não há argumento que a convença a voltar ao &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;seu território&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. Ela não se contenta mais com isso, já perdeu o que tinha a perder e agora, o que vier é lucro. Doa a quem doer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vamos acordar o que ainda nos sobra de princípios e vontade - e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;fazer a hora&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, como disse um dia o Geraldo Vandré, num mundo onde ainda havia espaço para muita fé no poder de gente unida. De baixo para cima, como formiguinhas operárias, com a mão na massa mas gritando forte. E com a certeza de que, se não formos à luta para trazer de volta o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;bem comum&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, se não dermos de nós &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;para que ninguém mais tenha de sacrificar-se por uma casa, um buraco&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, como disse Maiakovski pelas palavras de Caetano na canção que, não por acaso, se chama &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Amor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, um confronto maior, mais duro e mais sofrido será inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de agir com pouco, mas organizados e coerentes, para fazer muito. Com nosso tempo engolido, nosso pouco dinheiro, nossa força de pressão em cima do síndico, do vereador, do subprefeito, enfim, sabendo o que fazer, onde ir e como conseguir que a população saia da inércia e abra espaço para que todos possam primeiro sobreviver - e, logo em seguida, conhecer o doce sabor da dignidade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6737456608190728196?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6737456608190728196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6737456608190728196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6737456608190728196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6737456608190728196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/sobrevivncia.html' title='Sobrevivência'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2Ek8QFBLI/AAAAAAAAAVc/PBUYySw3x2k/s72-c/dor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6947642051927803120</id><published>2008-05-11T09:39:00.005-04:00</published><updated>2008-05-11T09:53:05.492-04:00</updated><title type='text'>Per molts anys, Lluís!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb57sQFBII/AAAAAAAAAVE/sOfYqK9mX3c/s1600-h/lluisllach-pb.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb57sQFBII/AAAAAAAAAVE/sOfYqK9mX3c/s320/lluisllach-pb.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199117623732012162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Lluís Llach - Foto &lt;a href="http://www.prato.linux.it/%7Elmasetti/antiwarsongs/canzone.php?id=3178&amp;amp;lang=it"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;a href="http://www.lluisllach.cat/"&gt;Lluís Llach&lt;/a&gt; fez 60 anos no dia 7 de maio. Entusiasta recente da arte e da poesia desse catalão prodigioso, acho importante comemorar. De longe, Llach - que há um ano trocou os palcos por suas vinhas no interior da Catalunha - deve estar sorrindo: seus fãs, que são muitos e profundamente antenados, manifestam sua amorosa saudade com enorme respeito à decisão do artista de mudar de vida.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Eu cá comigo acho que mudou de vida sim, mas de alma não dá para trocar. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;E minha esperança-última-que-morre de fã tardia ainda arde por vê-lo cantar. Sobretudo depois de ver um vídeo impressionante, o registro de um concerto seu diante de um Camp Nou (o estádio do Barcelona) apinhado de gente, velas acesas na mão, a entoar L'Estaca, sua mais emblemática canção de alerta, num lindo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mareio&lt;/span&gt; prá lá e prá cá, com o maior jeitão de Maracanã em dia de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pra não dizer que não falei de flores&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Era 6 de julho de 1985, e Llach, então com seus 37 e carinha de 28, embriagava-se da pura felicidade de cantar. Uma energia incrível, e a simplicidade de um tempo que nos parecia mais terno.&lt;br /&gt;Fica no blog o meu abraço, recheado de teimosas esperanças. Às vinhas e às canções!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6947642051927803120?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6947642051927803120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6947642051927803120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6947642051927803120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6947642051927803120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/per-molts-anys-llus.html' title='Per molts anys, Lluís!'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb57sQFBII/AAAAAAAAAVE/sOfYqK9mX3c/s72-c/lluisllach-pb.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7385337781851550934</id><published>2008-05-11T09:21:00.005-04:00</published><updated>2008-05-11T09:39:16.988-04:00</updated><title type='text'>Já murcharam nossa bola, pá...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb1sMQFBGI/AAAAAAAAAU0/YddvjDietxk/s1600-h/flamengobosta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb1sMQFBGI/AAAAAAAAAU0/YddvjDietxk/s320/flamengobosta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199112959397528674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vida de torcedor - Foto &lt;a href="http://www.engenhariacivil.blogger.com.br/flamengobosta.jpg"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;De &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom Tempo&lt;/span&gt; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rosa dos Ventos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Tanto Mar&lt;/span&gt; 2&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bolas, mal o radinho cantou direito a vitória do Mengão, sob as bênçãos do eterno tricolor Chico Buarque, veio a vitória no Carioca e a amarga e tola derrota para o América do México. Adeus, Libertadores! Sniff!&lt;br /&gt;E já que comemorei com Chico, é também dele o tom do luto, com duas passagens históricas: as estrofes de abertura de "Rosa dos Ventos" e um trechinho da letra da segunda Tanto Mar, lamentando os resultados meio amargos que sobrevieram à inocência libertária da Revolução dos Cravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Rosa dos Ventos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;pre  style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E do amor gritou-se o escândalo&lt;br /&gt;Do medo criou-se o trágico&lt;br /&gt;No rosto pintou-se o pálido&lt;br /&gt;E não rolou uma lágrima&lt;br /&gt;Nem uma lástima&lt;br /&gt;Pra socorrer&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;Tanto Mar (2)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;pre  style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;F&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;oi &lt;/span&gt;bonita a festa, pá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Fiquei contente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ainda guardo renitente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;um velho cravo para mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Já murcharam tua festa, pá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mas certamente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Esqueceram uma semente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;n'algum canto de jardim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fazer o quê, não é? Resta guardar as bandeiras, porque rubro-negro que se preza não desiste nunca. Não é à-toa que somos a maior torcida do Brasil. Hora de dar a maior força para o novo treinador, sacudir a poeira e dar a volta por cima, galera...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7385337781851550934?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7385337781851550934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7385337781851550934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7385337781851550934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7385337781851550934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/j-murcharam-nossa-bola-p.html' title='Já murcharam nossa bola, pá...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCb1sMQFBGI/AAAAAAAAAU0/YddvjDietxk/s72-c/flamengobosta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2766653480813032361</id><published>2008-05-03T08:32:00.006-04:00</published><updated>2008-05-04T00:54:57.702-04:00</updated><title type='text'>Bom tempo (em vermelho e preto)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBxboBT7bwI/AAAAAAAAAT4/fEQ0wL6XKxk/s1600-h/Chico-e-Francisco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBxboBT7bwI/AAAAAAAAAT4/fEQ0wL6XKxk/s320/Chico-e-Francisco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196128813183627010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chico Buarque e o neto Francisco no Maracanã, 27/4&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1"&gt;Zero Hora&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;pre  style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No compasso do samba&lt;br /&gt;eu disfarço o cansaço,&lt;br /&gt;Joana debaixo do braço,&lt;br /&gt;carregadinha de amor!&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Vou&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Satisfeito, a alegria batendo no peito,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O radinho contando direito&lt;br /&gt;a vitória do meu tricolor!&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;pre&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Chico Buarque, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Bom Tempo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/pre&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O dia de glória de todo flamenguista que se preza chegou: ver Chico Buarque, sabido e ferrenho tricolor, no meio da torcida. E a foto que vocês aí vêem, além de não deixar a menor dúvida, foi com toda justiça matéria de capa de vários jornais brasileiros, na última segunda-feira. Tá certo que o neto, o mais jovem Francisco da família, é o grande responsável por isso. A gente entende. Mas o prazer... o deleite de ver um Chico atento, concentrado e mesmo sorridente, pendendo para o vermelho e preto em pleno Maracanã, é inenarrável. Sinal de bom tempo nos corações rubro-negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como discutir que Chico é uma unanimidade. Mesmo que cante pouco, grave pouco e sinta mais vontade de escrever seus livros, numa altura da vida em que todas as escolhas lhe são permitidas. Mas esse rosto ainda de menino, esses olhos d'água que têm arrastado, há décadas, os sonhos femininos em praticamente todas as faixas etárias, são mesmo uma paixão da gente. Paixão brasileira, de poesia, de luta, de compromisso e coerência. Falar de Chico é difícil, às vezes, porque ele está pregado na alma. É olhar para trás e para a frente como se o tempo fosse um só, apenas um trem com várias composições, cuja viagem é curta e, ao mesmo tempo, não acaba nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver Chico e o neto no Maracanã, lembrei-me dessa canção que cito aí em cima, de um Chico que, carioca de berço, ainda era bem "paulistano" e cantava com sotaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um marinheiro me contou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que boa brisa lhe soprou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que vem aí bom tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um pescador me confirmou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que um passarinho lhe cantou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que vem aí bom tempo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tempo bom que, já então, andava longe da inocência. O menino Chico, de violão em punho, incorporava-se às lutas estudantis e sabia que, a qualquer tempo, o tempo que era bom podia fechar. Mas ia se aventurando na saudável mistura de amor, poesia e resistência. Como todo mundo, também eu vi, ainda menina, a banda passar; mas vi também &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Januária&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carolina&lt;/span&gt;, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rita&lt;/span&gt;... e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedro Pedreiro&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Morte e Vida Severina&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Funeral de um Lavrador&lt;/span&gt;. E depois, entre nuvens mais cinzentas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Construção&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de Você&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cálice&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pelas Tabelas&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Vai Passar&lt;/span&gt;... e a esperteza do parceiro-heterônimo Julinho da Adelaide, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acorda Amor&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jorge Maravilha&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo fecha, tempo abre, e esse Chico de mil faces sempre nos recheou da melhor poesia que o povo podia cantar. Há alguns anos, na Festa Literária de Paraty, pude sentir na pele o tamanho do carisma desse homem; uma fila que dava voltas à enorme tenda da Flip mobilizou praticamente todo o contingente policial da cidade, aos gritos de "Lindo! Lindo!". E não das mulheres daquele tempo, mas de suas filhas, ou mesmo netas. Chico retribuía com um sorriso cabisbaixo e um rosto roxo. Difícil conter a explícita emoção da galera. Senti orgulho por ver que o nosso rapaz, mesmo aos sessenta e poucos, consegue provocar esse baticum em tantos corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabem do fervor do Chico pelo Fluminense, e de sua paixão por futebol. Todos conhecem a história do seu Politheama Futebol Clube e das célebres partidas privadas que gosta de jogar, em seu campo particular ou em outras plagas. Na fila de entrada da Flip, inclusive, uma francesa segredava a uma amiga que tinha conseguido "convites para o futebol do Chico Buarque". Quem não gostaria de ter o privilégio de assistir aos volteios do craque da alma pelo gramado? Confesso ter amargado uma invejinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao segundo Francisco, um belo flamenguista, fica o agradecimento da torcida. Que eu saiba, foi o único capaz de arrastar um amoroso "vô" às fileiras rubro-negras. O repórter disse que Chico comemorou o gol de Obina; mais ainda que assim não tenha sido, estava lá, com sua camisa azul e florida emoldurada pelas cores do coração de tantos como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, meu caro Chico, que bom que o futebol é democrático, ou pelo menos pode ser!... É diante dele que os Pedros Pedreiros da vida deixam escapar o grito, ainda agarrados ao imemorial radinho. É ele que faz o avô ter o prazer de levar o neto ao Maracanã, de partilhar a magia da torcida em dia de quase decisão, mesmo quando o seu time não está. Há até quem diga que brasileiro só é patriota no futebol, mas não creio nisso não. Antes, acho que o amor ao futebol ajuda a ser patriota, mas essa é uma outra conversa. O importante mesmo é saber que, ainda que por um dia e por razões amorosas, Chico Buarque fez a alegria dos flamenguistas e parou para ver o Flamengo passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2766653480813032361?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2766653480813032361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2766653480813032361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2766653480813032361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2766653480813032361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/05/chico-buarque-e-o-neto-francisco-no.html' title='Bom tempo (em vermelho e preto)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBxboBT7bwI/AAAAAAAAAT4/fEQ0wL6XKxk/s72-c/Chico-e-Francisco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1017093859414299333</id><published>2008-04-26T09:12:00.010-04:00</published><updated>2008-04-27T18:22:41.799-04:00</updated><title type='text'>Lluís Llach</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBMqaRT7bqI/AAAAAAAAATI/HhfEWypGN6I/s1600-h/super-llach.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBMqaRT7bqI/AAAAAAAAATI/HhfEWypGN6I/s320/super-llach.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193541426100268706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/xaviplateria/"&gt;Xavier Minguella&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Olho para ele com o coração parado, fotografado no tempo mas ainda batendo em cada momento passado de insuspeita coragem, medo, dor, tristeza, vontade, revolta, mãos dadas pelas Diretas Já, pânico, raiva, alívio ou felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O seu rosto está no vídeo, olhos firmes através dos quais algumas eras desfilam. Eras de incertezas e desafios, como um filme dentro do outro. Há vidas inteiras em cada pequena ruga perto desses olhos. Anda mansamente, como se estivesse na rua de qualquer cidade. Como alguém do povo, que recebe e rebate os golpes com aquela temperança típica de quem conhece bem o peso do que vem e do que vai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;a href="http://www.lluisllach.cat/"&gt;Lluís Llach&lt;/a&gt; me chegou assim, como que do nada, mas dizendo muito. Começou por dizer que nunca é tarde. Sim, nunca é tarde para a gente se reconectar com a natureza desassombrada típica do nosso coração de estudante, que mora dentro de todos que já passaram, como protagonistas ou nem tanto, por alguma forma de opressão. Em seus olhos de guerra e paz, revejo minha família na sala de jantar da casa de minha avó, a velha televisão de válvula ligada, a acompanhar em preto e branco os passos de ordem-unida do golpe militar de 1964. Meu pai a andar de um lado para o outro, os rostos traçados de angústia. Revejo os pronunciamentos presidenciais, a grade de silêncio, o luto pelos líderes caçados. Revejo o AI-5, quatro anos depois, e o terror da era Médici. E o silêncio tão bem retratado por Ivans Lins e Vitor Martins, na canção “Aos nossos filhos”. E os nossos trabalhos de faculdade, representados com brilhos desafiadores para uma classe ávida e fervilhante de crenças, todas elas contra o mal personificado no aparelho repressivo – que, nos anos da suposta democracia, nunca conquistada mas outorgada, foi sendo substituído por um vazio interminável, que torna o gosto pela liberdade inacessível aos nossos filhos, impossível de expressar para crianças construídas na era do consumo e da irrelevância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Está diante de mim com sua veemência, seu aguerrido fervor, sua música irrepreensível, seja no clamor ou no romance, no réquiem ou no êxtase. Lluís Llach é uma ponte, sim – uma ponte entre a fé original que carrego e a sensaboria dos dias que escondem inimigos de enorme e cotidiana perversidade, que anestesiam, corroem e diluem aquele sentido tão palpável que eu conhecia muito bem, o sentido de resistir, ainda que com mudas palavras e pouco alarde. Não ouvir Roberto Carlos, não comprar O GLOBO, suspeitar sempre da América, ler Eduardo Galeano, ouvir Mercedes Sosa, escutar respeitosamente os discursos de Fidel Castro, amar Chico Buarque sobre quase todas as coisas, praticamente ajoelhar-se diante de Guernica...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O mais bonito é que não há a menor possibilidade de vê-lo como um romântico estandarte do passado. Llach é uma força da natureza humana, presente como um sinal de fumaça nos céus de sempre. Ele incorpora as renovações sadias da crença e da fé, da coerência, do ato de ser verdadeiro consigo mesmo e com suas convicções. Diante de sua grandeza fico estarrecida, mas nem penso em lamentar não tê-lo conhecido antes, não ter acompanhado sua vida, sua luta, suas canções ao longo dos anos. Antes agradeço porque não é tarde, nunca é tarde para atravessar, com a maior vontade, o espelho daqueles olhos que me confirmam a capacidade de reconstruir a força, rever os parâmetros da luta, acreditar que o que está guardado em mim pode mudar o mundo ainda que em pequena medida, como nos tempos em que, mudamente, resistíamos contra a ditadura enorme. Hoje há outras, diárias e aparentemente mínimas, quase sem valor, mas que merecem uma boa, cotidiana e paciente dose de resistência. E Llach me mostra isso sem qualquer conotação salvadora ou redentora, mas como gente normal, gente igual, gente que, dentro de um calmo silêncio, guarda um vulcão na alma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Olho para ele com enorme respeito. Escuto suas canções com profunda paixão e um prazer estético sem tamanho, as que fazem sonhar, as que fazem pensar, as que fazem acordar.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Llach é a beleza original de um coração limpo, que nos revigora contra o conformismo, ao mesmo tempo que nos protege a ternura. Cada vez que repito as estrofes das canções nessa sua língua que canta sozinha, e que me esforço por compreender, sinto-me de novo parte de alguma coisa que nunca pode morrer, e que essencialmente não ficou para trás, porque, afinal, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;malgrat la boira, cal caminar&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;*.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;*&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar da névoa, é preciso caminhar &lt;/span&gt;(da letra de Que tinguem sort, de Lluís Llach)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1017093859414299333?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1017093859414299333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1017093859414299333' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1017093859414299333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1017093859414299333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/04/llus-llach.html' title='Lluís Llach'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SBMqaRT7bqI/AAAAAAAAATI/HhfEWypGN6I/s72-c/super-llach.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8116316123551330880</id><published>2008-04-21T07:36:00.010-04:00</published><updated>2008-04-21T13:45:23.484-04:00</updated><title type='text'>Talvez seja cedo...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAyJDZCI0hI/AAAAAAAAASA/orKZ9Ilfv90/s1600-h/bandelvis2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAyJDZCI0hI/AAAAAAAAASA/orKZ9Ilfv90/s320/bandelvis2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191675161803805202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;... para falar de dores e filhos, filhos dos outros, mas ainda assim filhos, crianças que nascem, florescem e morrem, vítimas da insanidade e da estupidez. Talvez seja cedo - ou quem sabe tarde? Talvez a hora seja incerta para qualquer tentativa de pensar as feridas de mães que perdem suas crianças para a violência do mundo, do medo, da alma. Ou talvez seja tarde para lamentar, em vez de tentar mudar a sociedade, as leis e os estatutos impostos por uma impossível ordem social, ou às vezes uma desordem afetiva de dimensões endêmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes acho que perdemos o gosto de lutar, nas águas que levaram a certeza tão inabalável que tínhamos de que havia um lado "do bem" e outro "do mal". Do lado do bem estava a esquerda que nos apaixonava romanticamente, um mundo ideal onde a justiça social operaria milagres e transformaria vidas, acabaria com a indústria da seca no Nordeste, com as favelas e com todas as enfermidades que nos dividiam em castas, guetos ou ideologias.  Hoje materializam-se os piores pesadelos futuristas, há um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rollerball &lt;/span&gt;em curso e mais violento ainda do que o filme que tanto me apavorou, isso na primeira versão, com James Caan. Quatro ou cinco empresas donas do mundo, e todos os jogadores têm de morrer, precisam morrer para legitimar os valores alicerçados no nada. Será que alguém ainda se rebela???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso na sensação de turbulência, a bordo de um avião. Nesses momentos tenho sempre a compulsão de fechar os olhos e me agarrar aos braços da poltrona. Mas na mesma hora digo a mim mesma: estou me agarrando a quê? O que é um avião a tremer no vazio? Qualquer contratempo e o nada nos engole fácil, fácil. Vivemos hoje a turbulência na pele. Um dos homens que mais admiro neste mundo, por sua coerência e verdade - valores raros como o Santo Graal hoje em dia - vive em Jerusalém e admitiu, um dia, que não podia indicar aos filhos um caminho seguro até a escola. Esse mesmo homem, o grande escritor israelense David Grossman, um dos mais ferrenhos defensores da paz e do entendimento, perdeu um de seus filhos na guerra do Líbano. Mas em quê Jerusalém é diferente do Rio de Janeiro ou de São Paulo, na guerra urbana que nós, reféns inapeláveis do crime e da brutalidade, travamos todos os dias? Como se isso não bastasse, estamos também à mercê de outras guerras, aquelas lutas internas impossíveis de se perceber no rosto de quem passa, ou de famílias aparentemente normais, que vão ao supermercado com as crianças e, poucas horas depois, são personagens de tragédias inacreditáveis como a morte da menina Isabella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, era disso mesmo que eu queria, precisava e preciso falar. E relutava por pensar que pode ser cedo, ou terrivelmente tarde, para entrar no mundo das hipóteses num caso desses. Em momento algum deixo de pensar em João Hélio, trucidado por duas bestas humanas sem motivo algum - e é impossível não comparar as duas histórias. Dois bandidos, dois animais, acharam "divertido" crucificar uma criança indefesa e acabar com a vida de uma família. O Brasil se chocou, o mundo se chocou, as mais inabaláveis convicções sobre a espiritualidade foram postas em cheque. Mas o que se pode pensar - e me perdoem se é cedo ou se é tarde para mexer nessa ferida - de um pai que não só permite como participa da violência contra sua própria filha, uma criança de apenas cinco anos? Está certo que não se pode condenar ninguém sem provas concretas, mas o quadro que se afigura a cada dia é mais tenebroso, é mais angustiante e nos deixa mais e mais perplexos. Lembro-me de um outro episódio de alguns anos atrás, cujos nomes e referências perderam-se na memória. Um pai, que perseguia a ex-mulher e tinha a obrigação de levar as filhas gêmeas todos os dias ao colégio, planejou nos mínimos detalhes uma vingança absurda: matou as duas meninas a tiros e suicidou-se, deixando uma carta que condenava a ex-mulher a sofrer pelo resto da vida, para "pagar" por algo que supostamente lhe teria feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as informações que me chegam, no caso de Isabella, me assustam pelo caminho de violência que descortinam. Aquela violência profunda que turbilhona dentro da alma, e que leva pessoas aparentemente comuns a atos de extraordinária torpeza. Não me cabe aqui discutir as conclusões dos legistas, o rio de incertezas e evasivas que cerca todos os envolvidos, os desencontros que distorcem qualquer senso de justiça, a demora que nos leva a temer que haja mais Paulas Thomaz e Guilhermes de Pádua soltos por aí, com o "direito" de ter vidas normais, mesmo após terem sido julgados e condenados pelo crime hediondo que o país inteiro testemunhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora só consigo pensar na mãe da menina Isabella, na mãe das duas gêmeas que o pai assassinou, na quantidade enorme de mães - e pais também, por que não? - que, por força da lei, têm de permitir que seus filhos pequenos passem fins de semana com o pai ou a mãe em ambientes sobre os quais não têm controle algum. É óbvio que não se pode julgar a maioria das pessoas pelos parâmetros patológicos que cercam o caso de Isabella, mas eu duvido que um certo arrepio não tenha passado pela cabeça de muitas mães e pais que porventura tenham algum tipo de conflito ou incerteza em relação a seus ex. Eu mesma sou mãe solteira e, talvez por presente do destino, nunca precisei passar por essa experiência, mas lembro que, quando a minha filha era pequena, tinha a mais ferrenha convicção de que nunca saberia lidar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o Brasil inteiro, eu espero e anseio e rezo para que a Justiça seja implacável com os assassinos de Isabella, sejam eles quem forem. A velha máxima de que "o direito de uma pessoa termina quando começa o de outra" precisa voltar a ser praticada em sociedade, para que tenhamos alguma esperança de nos curar das epidemias sociais que destroem e matam muito mais do que a dengue ou a febre amarela. Matam mais gente, destroem as ilusões e as esperanças, corroem brutalmente a sociedade e qualquer tipo de valor ético que ainda se tente sustentar. Precisamos reaprender a lutar pela nossa própria dignidade humana, pela compaixão e solidariedade perdidas, para deter o comércio abusivo de almas em troca de marcas famosas ou quinze minutos de fama em reality shows. Precisamos voltar às ruas com bandeiras e talvez cravos, com hinos e muita vontade, com um coração de estudante disposto, sobretudo, a reconstruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim fizermos, talvez não mais seja cedo nem tarde. E talvez seja possível deter as lágrimas e o ranger de dentes, pois, como dizia Geraldo Vandré num tempo em que acreditávamos que éramos capazes de quase tudo, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8116316123551330880?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8116316123551330880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8116316123551330880' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8116316123551330880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8116316123551330880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/04/talvez-seja-cedo.html' title='Talvez seja cedo...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAyJDZCI0hI/AAAAAAAAASA/orKZ9Ilfv90/s72-c/bandelvis2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2821361352433992963</id><published>2008-04-02T00:18:00.007-04:00</published><updated>2008-04-02T12:27:24.672-04:00</updated><title type='text'>Improviso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_MZfoPkXkI/AAAAAAAAAOo/VGBNyByrlTU/s1600-h/colision-de-galaxias.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_MZfoPkXkI/AAAAAAAAAOo/VGBNyByrlTU/s320/colision-de-galaxias.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184515627202928194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/juanmin/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/juanmin/"&gt;Juan Manuel Garcia Hernandez&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O espaço-tempo que me envolve não possui gravidade; avolumo-me sem fronteiras perceptíveis e apoio-me docemente no nada, que estranhamente não me devolve às impressões comuns de segurança, objetos com forma e cor e volume. Há uma profunda renovação celular em curso, não reconheço aspecto algum do meu próprio corpo; sobrevivo à varredura das estrelas e assemelho-me mais a uma fina onda de areia celeste, rebrilhante, a tomar formas várias num leito azul-escuro, infinito, insondável. Há um prazer alongado nesse sentir-se assim dispersa, pontilhada numa carta celeste, meio constelação, meio lembrança do que talvez tenha sido antes de ter perdido tão suavemente, quase sem perceber, a referência da matéria.  É como descansar supostos músculos num banho de meteoros, que ora fervem, ora esfriam, é tocar de leve algum fundamento muito remoto da formação do Universo, entre sensações que perpassam a pele e sonoridades que relaxam o elemento potencialmente espiritual que ainda me garante essa espécie de registro akhásico, essa frágil construção de memória.&lt;br /&gt;Ser parte da poeira estelar é insanamente confortável; ondas magnéticas reconstroem as sensações mais sutis, como mover um dedo, reviver um arrepio, uma onda de desejo, associar os sons que adejam em volta da luz, a formar padrões muito definidos, matemáticos... sim, há matemática nas estrelas e na música, e esta as leva muitas vezes ao limite do intangível, onde a música se entrega sem resistir ao imperativo das forças cósmicas, como Richard Strauss, talvez... Quem poderia sonhar que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Assim falou Zaratustra&lt;/span&gt; tornar-se-ia quase indissociável das estrelas? Enquanto fragmento de corpo celeste, poeira ou sucessão de pontos de luz, ouço Richard Strauss a conectar-me as mais ínfimas partículas, a retecer-me enquanto alguma espécie de matéria, é às vezes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zaratustra&lt;/span&gt;, às vezes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vida de Herói&lt;/span&gt;, outras vezes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Elektra&lt;/span&gt; a transformar sua dor em beleza, mas nada em mim dói, tudo flui e se encompassa, formando cadências de imensa claridade a mergulhar sem medo nos espaços escuros e sentir-se umedecer de finas alegrias, muito finas alegrias que desmancham e recriam a idéia de corpo que antes existia e agora já faz pouco sentido diante das imensidões onde navego, revisitada de luzes e sinfonias.&lt;br /&gt;O manto celeste é generoso e parece colher-me, ainda sem peso e inexata, em seu abraço de vaga noite, e reconstituir-me delicadamente as moléculas recheadas de eternidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2821361352433992963?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2821361352433992963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2821361352433992963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2821361352433992963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2821361352433992963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/04/improviso.html' title='Improviso'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_MZfoPkXkI/AAAAAAAAAOo/VGBNyByrlTU/s72-c/colision-de-galaxias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5146759181568474587</id><published>2008-02-19T07:48:00.004-04:00</published><updated>2008-02-19T14:57:21.557-04:00</updated><title type='text'>Pão, circo... e perigo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Quando aconteceu o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, lembro-me de ter acompanhado, pelos jornais, uma polêmica com relação à realização desses megashows na praia. E lembro-me de ter lido que tais eventos não mais seriam autorizados pela Prefeitura do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável que tal propósito não tenha sido cumprido, e que mais uma vez a nossa tão amada Cidade Maravilhosa tenha corrido, no último domingo, o sério risco de engrossar as já desalentadoras estatísticas sobre segurança do nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo do megashow de um grupo chamado Babado Novo, que faz muito sucesso entre os jovens com sua música no estilo baiano, alegre e ritmada. A vocalista, uma mocinha bonita e faceira chamada Cláudia Leitte, há muito figura entre as celebridades mais disputadas do mercado fonográfico popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não contesto a alegria contagiante desse tipo de música, muito menos a validade das micaretas que, pelo Brasil afora, reúnem milhares de adeptos em torno de grupos como Chiclete com Banana, Asa de Águia, o próprio Babado e artistas como Ivete Sangalo, Netinho, Margareth Menezes. Ocorre que as micaretas são eventos comerciais, em geral pagos a peso de ouro, e realizados em espaços devidamente cercados e adequados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show do dia 17 de fevereiro - que o site do grupo reputa "histórico" - foi gratuito e autorizado pela Prefeitura do Rio. O feérico palco, acompanhado por sistemas de iluminação e sonorização dignos de qualquer estrela de primeira grandeza do cenário internacional, foi montado, curiosamente, no mesmo local que o palco dos Rolling Stones. A grande e essencial diferença é que o evento, montado para a gravação de um DVD que fará os fãs delirarem e, ao mesmo tempo, atestará a inegável capacidade de mobilização popular do grupo, foi realizado sem as mínimas condições de segurança necessárias. E, como tal, trouxe sérios riscos à segurança da população que estava lá para prestigiar os seus ídolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 17, por volta das cinco da tarde, vi chegarem ao Quartel da PM da Rua Figueiredo Magalhães, próximo à minha casa, os reforços para o policiamento do show. Cruzei com o destacamento já a caminho da praia de Copacabana, e vi medo em muitos daqueles olhares. Eu sabia que não seria fácil o trabalho dos policiais - aliás, diga-se de passagem, a rotina deles nunca é fácil - mas não imaginava, nem de longe, o tamanho do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou acostumada a multidões. Participei do comício - este sim histórico - das Diretas Já, numa Avenida Presidente Vargas repleta, vibrante e respeitosa. Estava no RioCentro naquele 1º de Maio que só não foi fatídico porque a bomba destinada a destruir e difamar explodiu no colo dos encarregados do servicinho. Neste Carnaval, eu era um dos 500 mil que tentavam brincar ao som do Cordão da Bola Preta. Mas nunca, em minha vida, passei por um momento de medo e apreensão semelhante ao que vivi domingo na Avenida Atlântica, ao tentar levar minha filha até o Acesso de Fãs, um espaço "exclusivo" reservado aos privilegiados que conseguiram ter o nome numa lista que dava direito a uma pulseirinha cor-de-rosa como passaporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizemos o trajeto de ida pela Rua Toneleros até a Mascarenhas de Morais; ao nos aproximarmos do Copacabana Palace, já percebi que o negócio seria difícil. Com extrema dificuldade chegamos até a pista próxima da praia, completamente engarrafada de gente. A única e precária chance de caminhar era seguindo os "bondes" que iam e vinham nos dois sentidos, apertados em verdadeiros corredores poloneses. Tudo bem, faz parte, pensei, e seguimos com o bom-humor indispensável à ocasião. Após muitas idas e vindas a passo de cágado manco, conseguimos nos aproximar da entrada do tal espaço exclusivo. Para minha surpresa, não passava de um precário arco sustentado por torres de luz e demarcado por uma grade que viria abaixo ao menor gesto de "vigor" do público que se apinhava em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que a minha ficha caiu. Vi a grade tremer duas, três, várias vezes. Alguns pobres seguranças tentavam, sem sucesso, conter a massa humana que se precipitava na direção da entrada, vários "empulseirados" brandindo os bracinhos coroados no ar. Percebi, num rasgo de clareza, que nada - nem a PM, nem a fragilíssima segurança do evento - poderia conter aquela multidão, caso resolvesse partir para cima da grade. Estávamos a um triz de ser literalmente engolidos pela areia e pelos ânimos já cansados de esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incapaz de proteger minha filha ou de me defender nessa hipótese, promovi um brusco movimento de saída. Tudo o que eu queria era me afastar daquela grade, o que a muito custo consegui, passando por mais uma histérica com pânico de multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dou a mínima para o que pudesse pensar toda aquela gente exacerbada, já devidamente "calibrada" pelo intermitente som na caixa que a produção começou a lançar, no cair da noite, para animar um pouco o ambiente, como se não bastasse o clima excessivo que brotava sozinho. Mas importo-me, sim, com a irresponsabilidade das autoridades que permitem a realização de eventos como o show do Babado Novo, com base na teoria do pão e circo. E com a irresponsabilidade de uma produção que não avaliou os riscos corridos ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo a emoção que sentem os artistas quando são capazes de levar tanta gente a um espetáculo. Mas esses mesmos artistas são responsáveis pelo tipo de comoção que provocam. Antes de pensar na grandeza de um evento, há que pensar na segurança. E sejamos francos, Sr. César Maia, nosso Prefeito, e Sr. Ricardo Macieira, nosso dileto Secretário das Culturas, sem falar nos órgãos de Segurança: a praia de Copacabana não oferece segurança para um espetáculo dessa natureza. E isso é responsabilidade direta dos senhores, junto com a produção do Babado Novo, já que falo especificamente do show do último domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns poderão contra-argumentar, dizendo que no réveillon mais famoso do mundo tudo acontece com a maior tranqüilidade. Vale lembrar, porém, que no réveillon a população toma a orla inteira, os shows acontecem na orla inteira e há mais espaço para as pessoas se espalharem. Já tive oportunidade de passar o réveillon na praia e não vejo problemas, apesar das cinco pessoas feridas este ano (felizmente sem gravidade) por balas perdidas na altura da Rua Figueiredo Magalhães, fato devidamente documentado pelos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto: a praia de Copacabana não oferece segurança para um megashow localizado, ainda mais quando os artistas que se apresentam são tão populares quanto o Babado Novo. Se a idéia é oferecer pão e circo, por que então não alugar o Maracanã, como fez a Ivete Sangalo, quando resolveu gravar seu DVD? De segurança, o Estádio Mário Filho entende. Ou então por que não utilizar a Quinta da Boa Vista, um espaço muito mais dilatado e espalhado? As pistas de trânsito - uma das quais continuou aberta ao tráfego, e os carros disputavam espaço com as pessoas! - representam uma faixa estreita, se considerarmos que o palco está logo ali à frente, e as pessoas não vão querer se afastar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tímido Posto Médico, montado em frente ao Copacabana Palace, parecia ridículo diante da  imensa massa humana que o circundava. Os pobres PMs - alguns instalados num precário palanque próximo ao palco, outros circulando nas imediações da área do evento - eram praticamente engolidos pela multidão. Agora imaginem se algum deles resolvesse, por exemplo, atirar para cima, numa tentativa de impor a ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lanço aqui o meu apelo às autoridades que professam a toda hora o seu amor pelo Rio de Janeiro: acabem de uma vez por todas com essas situações de risco. Não permitam mais a realização de megashows localizados, seja em Copacabana ou em qualquer outra praia do Rio. Se a incrível sorte que tivemos até então vier a nos faltar, a Princesinha do Mar poderá vir a ser palco de uma tragédia. E isso pode ser evitado com uma simples mas sábia decisão administrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aproveito para criar aqui um slogan, que ofereço de público à Prefeitura e ao Estado, caso queiram criar uma campanha de conscientização:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;MEGASHOW, MEU IRMÃO? NA PRAIA, NÃO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5146759181568474587?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5146759181568474587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5146759181568474587' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5146759181568474587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5146759181568474587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/02/po-circo-e-perigo.html' title='Pão, circo... e perigo'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3894478228794237</id><published>2008-02-18T14:23:00.007-04:00</published><updated>2008-02-19T07:47:04.539-04:00</updated><title type='text'>Fica um pouco do teu queixo...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7nR25ay3SI/AAAAAAAAAMI/an_wKeoquA4/s1600-h/AJ-GREAT.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7nR25ay3SI/AAAAAAAAAMI/an_wKeoquA4/s320/AJ-GREAT.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168392788440702242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A. J. Croce no Festfolk Pensilvannia - Setembro 2007&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" href="http://www.flickr.com/photos/chrbal"&gt;Shinyobjects&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;... no queixo de tua filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Tive um querido amigo, Carlos Alberto Löffler, que me ensinou a amar o poema “Resíduo”, de Carlos Drummond de Andrade, sobretudo por causa dessa estrofe. O poeta tinha toda razão: &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;de tudo fica um pouco&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;. Do que fazemos, do que geramos, do que desejamos, passamos sempre algo adiante pelos laços do amor ou do sangue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Às vezes uma mãe olha para o filho pequeno brincando e diz que é a cara do pai. Se a avó paterna olha, o comentário será diferente:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;- Engraçado como ele franze a sobrancelha igualzinho ao meu filho nessa idade!&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;É incrível como os laços da vida vão unindo as gerações, seja por um detalhe no rosto, uma expressão, um gesto - ou pela força dos dons e talentos que muitos grandes criadores estendem por seus filhos e netos. Se olhamos para Maria Rita, mesmo com a maior rejeição a rótulos, não podemos deixar de ver um pouco de Elis (bem, nesse caso, não tão pouco assim). &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Whitney Houston superou a mãe, a grande Cissy Houston de quem eu tanto gostava na juventude. Se de tudo fica um pouco, é bonito ver como essa tendência se confirma muitas vezes, no caso das artes e da música.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Em setembro de 1973, o talentoso e espontâneo &lt;a href="http://www.jimcroce.com"&gt;Jim Croce&lt;/a&gt;, de apenas 30 anos e vários sucessos com a marca do folk’n’rock, morria em conseqüência da queda do avião em que viajava, após um show, junto com seu grande amigo, compositor e produtor musical Maury Muehlheisen.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Em 1974-75 eu fazia intercâmbio nos Estados Unidos e interessei-me por suas fabulosas rock-baladas, que continham respingos de country e um mundo de blues. Comprei um disco de vinil com seus maiores sucessos, em cuja capa aparece o seu filho pequeno, brincando com o chapéu do pai. Nunca soube detalhes sobre a vida daquelas pessoas, mas guardei a música, a forte presença e a voz de Jim Croce em algum lugar do coração. E os anos se passaram.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Essa voz só veio a acordar de novo dentro de mim em meados de 2006, quando ouvi o Jorge Palma cantar uma composição sua chamada “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A estrada do sucesso&lt;/span&gt;.”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E acordou com uma tal limpidez que até me assustei. Algum tempo depois, em Portugal, contei o fato ao Jorge e perguntei se ele também tinha influência do Jim Croce, além de outros do folk'n'rock americano. Jorge espantou-se, porque nunca tinha ouvido falar dele.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Hoje resolvi pesquisar Croce na internet – e encontrei. Além de algumas canções no emule e vídeos no YouTube, achei também o filho - o menininho da capa do meu disco de vinil. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Fiquei curiosa em saber como tinha sido a sua vida além da imagem um tanto desoladora, eternizada na capa do disco que trouxe comigo.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Pois Adrian James, ou simplesmente &lt;a href="http://www.ajcroce.com"&gt;A. J. Croce&lt;/a&gt;, hoje com 37 anos, é um talentosíssimo cantor, compositor e pianista, respeitado pelos melhores críticos e revistas especializadas de seu país.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Claro que quis ouvir. Nem poderia ser diferente. Na verdade, fui em busca do pai dentro dele – e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;me surpreendi muito com sua versatilidade e carisma. A. J. é um autêntico jazzman com suaves tintas de rock, estilo próprio e total independência em relação ao legado do pai.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Sim, de tudo fica um pouco. Herdou o talento, o nariz, a naturalidade e mais um ou outro gesto espontâneo. Pouco tempo depois da morte de Jim Croce, o pequeno Adrian James, com pouco mais de quatro anos, ficou completamente cego por causa de um tumor cerebral. Operado várias vezes, conseguiu aos poucos recuperar a visão de um dos olhos. Foi nesse período difícil que encontrou o piano e literalmente se amalgamou a ele.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Olho para o rapaz e penso &lt;st1:personname productid="em Drummond. Como" st="on"&gt;em Drummond. Como&lt;/st1:personname&gt; é linda a estratégia do Universo para acolher, consolar pessoas - e fazer com que sonhos venham a realizar-se.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os curtíssimos 30 anos que Jim Croce viveu são agora resgatados por seu filho, que não só oxigena a sua memória como apresenta vertentes criativas renovadas, em sintonia com o espírito mais genuíno da música do seu país.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Gosto de testemunhar essas verdadeiras “operações de resgate” do destino, que unem as almas, propagam o amor e dão voz aos talentos. A música de Jim Croce, que emocionou e até hoje emociona muitas pessoas, instalou-se na alma do filho e deu frutos ainda maiores, que sem dúvida devem surpreender o próprio Jim, onde quer que esteja.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;E o rapaz, que poderia ser mais um revoltado porque perdeu o pai e quase ficou cego ainda muito pequeno, decidiu colher só as melhores coisas do seu destino, para transformá-las em inspiração e poesia e prosseguir na semeadura da beleza, que é a sua verdadeira herança.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;P.S. – E não deixem de ler o poema &lt;i style=""&gt;Resíduo&lt;/i&gt;!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3894478228794237?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3894478228794237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3894478228794237' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3894478228794237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3894478228794237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/02/fica-um-pouco-do-teu-queixo.html' title='Fica um pouco do teu queixo...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7nR25ay3SI/AAAAAAAAAMI/an_wKeoquA4/s72-c/AJ-GREAT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-942929559006012966</id><published>2008-02-17T09:20:00.005-04:00</published><updated>2008-02-19T07:42:32.656-04:00</updated><title type='text'>Solidariedade? Aqui tem!...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7g5ZZay3PI/AAAAAAAAALw/M9QczQIaShw/s1600-h/Monarcha-Nuno.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7g5ZZay3PI/AAAAAAAAALw/M9QczQIaShw/s320/Monarcha-Nuno.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167943680890428658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O despertar da borboleta Monarcha - Foto: &lt;a href="http://nunoalexsousa.blogspot.com/"&gt;Nuno Sousa&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;(dedicada à &lt;a href="http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Flávia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; pelo autor)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Este é um post feliz. Feliz pelos 18 comentários recebidos até agora na matéria "Flávia, uma história de amor", publicada no dia 13. E muito mais feliz pelo que eles significam: há muito mais gente solidária no mundo do que se possa imaginar. E muita gente neste mundo já se tomou de amores pela menina Flávia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui a primeira pessoa a falar do assunto, e no entanto todos fizeram questão de comparecer, agradecer, partilhar. A atitude generosa de vocês só vem demonstrar que vale a pena confiar na grandeza essencial do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Seicho-No-Ie, uma filosofia oriental pela qual tenho grande simpatia há vários anos, tem como um de seus princípios essenciais o conceito de que todo ser humano é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;filho de Deus perfeito&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;, ou seja, carrega dentro de si a perfeição essencial que é a verdadeira &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;imagem e semelhança do Pai&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;, que não é física e sim espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, sim, o livre arbítrio de estragar essa perfeição permitindo que sentimentos inferiores ganhem espaço dentro de nós, mas na essência - e aos olhos de Deus - todos os seus filhos são perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Seicho-No-Ie diz mais: pecado, doença e morte na verdade não existem. São apenas ilusões que criamos quando nos comportamos de modo contrário à nossa essência perfeita e divina. Segundo o ensinamento, se somos filhos de Deus perfeitos, não existe pecado, não há razão para ficarmos doentes e o nosso espírito é de fato imortal.  Há uma linda explicação na oração básica da Seicho-No-Ie, que se chama "Sutra Sagrada Chuvar de Néctar da Verdade"; não morremos, apenas trocamos de casca, como a crisálida que se transforma em borboleta (tás a ver, caro Nuno, não há coincidências nessa vida!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui temos um exemplo de que essas idéias se confirmam: a nossa perfeição está falando mais alto quando tantas pessoas aderem incontinenti a uma causa solidária, como a de Flávia. E essa adesão amorosa só tem virtudes, beleza e fé. E carinho para com a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico feliz por poder, com apenas algumas palavras, suscitar isso. Agradeço a todos por suas mensagens de apreço e estímulo. Que bom que estamos todos juntos, aqui, por Flávia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um beijo na alma de cada um.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-942929559006012966?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/942929559006012966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=942929559006012966' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/942929559006012966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/942929559006012966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/02/solidariedade-aqui-tem.html' title='Solidariedade? Aqui tem!...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7g5ZZay3PI/AAAAAAAAALw/M9QczQIaShw/s72-c/Monarcha-Nuno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3460199854151994299</id><published>2008-02-14T23:23:00.003-04:00</published><updated>2008-02-14T23:57:55.189-04:00</updated><title type='text'>Palavras, mágicas palavras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7UGLpay3NI/AAAAAAAAALg/6lh6JUdP8IA/s1600-h/museu-lingua-portuguesa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7UGLpay3NI/AAAAAAAAALg/6lh6JUdP8IA/s320/museu-lingua-portuguesa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167042944644078802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Museu da Língua Portuguesa - São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/kath"&gt;Kathrine Labes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Terminou ontem uma viagem fantástica de 13 semanas que empreendi, ao lado de vários companheiros brasileiros e portugueses com variadas histórias profissionais, pela trilha das palavras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Falo da quarta edição do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Laboratório de Escrita Criativa&lt;/span&gt;, uma iniciativa fascinante do Instituto Camões de Lisboa. Como timoneiro tivemos o múltiplo &lt;a href="http://luiscarmelo.blogspot.com/"&gt;Luís Carmelo&lt;/a&gt; – professor, tutor, romancista, ensaísta e cronista de primeira, além de companheiro de viagem e enfermeiro das mais variadas mazelas literárias de um grupo entusiasmado, apavorado e feliz ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A idéia da minha participação foi do &lt;a href="http://1-por-dia.blogspot.com/"&gt;Bruno Cunha&lt;/a&gt;, poeta, escritor e amigo que muito admiro, já veterano nesse clube. Abracei a proposta e comecei em outubro, já com atraso por causa da viagem anual a Belém do Pará para participar do Festival Internacional de Dança da Amazônia. Logo de cara vi que não ia ser brincadeira: a cada semana um tópico interessantíssimo e muito bem documentado com textos explicativos e exemplos que dava gosto ler. Em seguida vinha uma respeitável bateria de exercícios para estimular nossa compulsão interna de transformar em texto cada segundo respirado. Um deles deveria ser depositado pontualmente na caixa de entrada do Prof. Carmelo às terças-feiras. Os comentários, absolutamente privativos, chegavam na quinta com a mesma pontualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos intervalos, a correspondência trocada num fórum aberto às chuvas, trovoadas e terremotos da alma de cada um. Confesso que não fui uma participante tão ativa desse espaço, embora aparecesse esporadicamente; o confessional intimida-me um pouco. Muitas vezes prefiro arejar o tormento das dúvidas com mais escrita que desengavete o por vezes incômodo musgo  agarrado aos recantos de dentro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Foi muito bom ter uma visão mais acadêmica e estruturada das modalidades de escrita, explorar técnicas com nome e sobrenome. Algumas delas até já se encontravam, ainda que disfarçadas, no meu cardápio. E tem a angústia essencial de todo aluno, a cada vez que se posta o exercício da semana: o que achará disto o professor?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As condições de aluno e professor são praticamente imunes a mudanças – e não dependem de idade. Um aluno é um aluno; faz o dever de casa, não sabe se acertou, tem um frio na barriga na hora da correção. E o professor fica de olho ao menor movimento em falso para acertar o curso das coisas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Pois digo que exerci com todo o meu potencial o direito a ser aluna. Não conversei na aula nem pulei o muro na hora do recreio, mas angustiei-me mais de uma vez na hora de decidir se o exercício estava ou não pronto para ser enviado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Prof. Carmelo, sempre pacientíssimo, foi extremamente atento e ofereceu muito mais do que um mero suporte: percorreu nossas palavras uma a uma, sublinhou exemplos, esclareceu, conversou, incentivou. Nunca poupou elogios quando o trabalho os merecia; quando havia reparos, porém, era econômico e de uma respeitosa delicadeza para com o interlocutor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O melhor dessa festa foi sentir que as palavras são, mesmo, capazes de muita mágica. Ao final, todos ficamos felizes em ver o nosso progresso – que foi enorme – e entusiasmados com a possibilidade de um Nível Avançado, que deve chegar em março ou abril. Tenho a certeza de que cada um de nós teve o seu quinhão de alegrias e de reconhecimento pelo empenho nessa arte salvadora e desesperadora que é escrever.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se um ou outro momento foi mais difícil, isso é o de menos, pois logo a seguir as palavras tornam-se mais maleáveis ao toque da nossa mão e, com elas, crescemos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O importante mesmo é ver que as pessoas escrevem – e bem! – cada vez mais. E quanto mais escrevem, mais querem escrever. Saber disso prolonga o prazer das noites insones e momentos febris, na urgência de salvar o mundo dentro de nós com essas incríveis e mágicas palavras em bom português. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;      &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3460199854151994299?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3460199854151994299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3460199854151994299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3460199854151994299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3460199854151994299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/02/palavras-mgicas-palavras.html' title='Palavras, mágicas palavras'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7UGLpay3NI/AAAAAAAAALg/6lh6JUdP8IA/s72-c/museu-lingua-portuguesa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-712719006977666158</id><published>2008-02-13T05:53:00.005-04:00</published><updated>2008-02-13T10:34:13.955-04:00</updated><title type='text'>Flávia, uma história de amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7LKxJay3MI/AAAAAAAAALY/3l-Zz-grlTs/s1600-h/mae-e-filha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7LKxJay3MI/AAAAAAAAALY/3l-Zz-grlTs/s320/mae-e-filha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166414668238085314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Odele Souza e Flávia, há 13 anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nesse nosso mundo que anda rápido demais para o coração dos homens, numa sociedade desenfreada que tudo sacrifica em função do consumo de toda sorte de coisas, pessoas e sentimentos, muitas vezes passamos batido diante do sofrimento humano - que aliás alimenta o consumo da mídia e é diariamente banalizado por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se perdemos a capacidade da verdadeira compaixão, perdemos tudo. É um sintoma sério de que a nossa condição humana está indo pelo ralo. Não podemos deixar os deuses de ocasião nos reduzirem a meros espectadores do grotesco, como vem acontecendo. Devemos recusar o cardápio bizarro que nos é oferecido todos os dias dentro de casa, com a progressiva invasão de privacidade e o bombardeio de inutilidades que nos desvia de sermos gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quero falar de Flávia, uma doce menina que há dez anos está em coma porque foi sugada por um ralo de piscina. E de sua mãe, Odele, uma resistente de dar inveja. Em visita a um blog de Portugal, deparei-me com o endereço http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com. Mal sabia eu o que encontraria lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávia, que poderia ser a filha de qualquer um de nós, está em coma há dez anos mas tem muitos amigos e admiradores. Possui uma vida de amor e carinho, participação e presença, graças ao empenho diário de sua mãe, Odele. Uma pessoa que, em vez de se amargurar e apontar um dedo acusador para o mundo, optou por viver e lutar, cuidar da filha e dar-lhe voz. Mais do que isso: optou por trabalhar pela conscientização das pessoas e para tentar, na medida do possível, evitar que outras pessoas tivessem o mesmo destino de Flávia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odele conseguiu reunir em torno da menina um tal círculo de amor que todos se sentem compelidos a conversar com ela, a enviar-lhe carinho e procurar envolver-se com a causa. Na verdade, a gente não pensa em ralo de piscina, pensa? A não ser que já se tenha ouvido falar de algum acidente desse tipo. Eu, por acaso, já tinha, mas a velocidade do mundo já havia arquivado a informação. Que agora acordou, ao saber da Flávia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou encantada com sua mãe. Tanto que ontem não resisti e lhe mandei um email com um abraço dentro. Foi tudo o que consegui fazer, e para minha surpresa à noite já recebia uma resposta muito doce e carinhosa. Na verdade, senti-me tão mínima diante da grandeza daquela mulher que não sabia como chegar a ela, e no entanto o pouco que ofereci foi recebido com grande festa. Espanta-me e comove-me a sua energia límpida. Não se percebe um traço de mágoa sequer. Odele trabalha pela felicidade da filha em coma, uma idéia que dificilmente seria concebível em qualquer cabeça que não fosse muito, muito especial. E consegue milagres todo dia. Faz questão absoluta de ler para a filha as palavras de carinho que lhe são dirigidas. Contava-me, no email de resposta, como ficou comovida com a voz gravada do português António, que fez questão de falar com a menina. O seu apreço pelas pequenas delicadezas que sabe fazerem bem à filha é realmente algo de divino, uma experiência de beleza, como diria a Adélia Prado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávia vive em coma uma vida especial, graças à dedicação de sua mãe. Se pudesse eu daria a Odele Souza um desses prêmios de Mulher do Ano, ou antes de Mulher de uma Vida. Não falo de troféus-bobagem, mas sim de alguns prêmios que efetivamente reconhecem o papel de muitas mulheres para o bem da nossa sociedade, que já foram conferidos, com toda justiça, a personalidades como a Dra. Rosa Célia Fernandes, criadora do Pró-Criança Cardíaca, uma batalhadora incansável pelos direitos de toda criança com cardiopatia grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através do seu constante amor e de sua determinação, Odele dá uma vida à filha e, ao mesmo tempo, luta com consciência e verdade para que se fiscalizem mais os fabricantes de equipamentos para piscinas e as empresas que constroem as piscinas. É preciso que sejam usados, em cada obra, equipamentos não só em perfeito estado como compatíveis com o tamanho da piscina que está sendo construída. A Flávia acidentou-se na piscina do próprio prédio onde morava. Com certeza Odele nunca pensou que isso fosse possível, mas aprendeu da pior maneira. E a sua incondicional compaixão não lhe deixa esquecer que outras pessoas podem ser vitimadas, portanto ela não deixa de lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo contribuir, na minha estreita medida. Não sou grande como ela mas sou jornalista - um estado de alma mais do que uma profissão. E fiz um juramento quando me formei. Portanto estou aqui para ajudar a dar voz à causa de Flávia, à causa de Odele. Só quero pedir que visitem o seu blog, conheçam a sua história e divulguem o máximo que puderem. Com amor e persistência, do jeito que a própria Odele faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez assim a gente possa participar da felicidade da Flávia, levar a ela o nosso carinho e dizer o quanto nos importamos com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica aqui o endereço e o meu eterno respeito por essa grande mulher chamada Odele Souza. Que conheço por uma foto, um email e um maravilhoso exemplo de sabedoria e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-712719006977666158?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/712719006977666158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=712719006977666158' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/712719006977666158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/712719006977666158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2008/02/flvia-uma-histria-de-amor.html' title='Flávia, uma história de amor'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R7LKxJay3MI/AAAAAAAAALY/3l-Zz-grlTs/s72-c/mae-e-filha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2608430815483670187</id><published>2007-11-03T21:25:00.000-04:00</published><updated>2007-11-04T11:45:23.889-04:00</updated><title type='text'>Belém, a dança e o FIDA</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ry3oTdVBHwI/AAAAAAAAAJI/k9MPyKSxixY/s1600-h/DSC01211.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ry3oTdVBHwI/AAAAAAAAAJI/k9MPyKSxixY/s320/DSC01211.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129010971632803586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt;"Batuque", de Fábio de Mello - Abertura do FIDA 2007 - 28/10&lt;br /&gt;Homenagem ao poeta paraense Bruno de Menezes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt;Foto: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;A Amazônia dança em minha vida pelas graças de Belém do Pará, cidade pródiga, o seu cheiro quente de vento cortado à tarde pela chuva rápida, generosa. Há muitas calçadas de pedra que, molhadas, escorregam. Mas a chuva de cada dia logo seca, e doce calor embalado pela brisa nos acompanha pelas avenidas largas, da Basílica à Praça da República quase em linha reta. O movimento é grande, a gente, em geral, tranqüila. Conversar é um vício, o paraense justifica a existência do termo &lt;i style=""&gt;boa-praça&lt;/i&gt;. E a gente vai andando e vai conhecendo gente, fazendo amigos instantâneos porém verdadeiros dentro da sua instantaneidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E há as mangas, por toda parte as mangueiras frondosas, exuberantes, amazônicas a seu modo. Fala-se em acidentes, alguém jura que uma pessoa foi parar no hospital com uma “mangada” na cabeça... Ninguém se protege como deve, e a vida convive com as frutas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tem muita arte no sangue das ruas, em cada bar há uma linda voz pendurada para secar, um violão, às vezes uma percussão. O talento abençoou esse povo desde sempre. Vê-se no rosto da cidade a linha de um verso, um traço arquitetônico de beleza, um estribilho de canção perdido na pauta do dia. Só Belém tem a mais linda Estação das Docas decorada com os guindastes da antiga estiva, sobraçando o rio Gualmar, igual-ao-mar, uma correnteza barreada de vida, precisa esforço para enxergar os verdes lá da outra margem. Só no galpão dos restaurantes há uma ponte rolante que insistiu em continuar funcionando – e virou palco para a música da terra, que corre de cabo a rabo acima das cabeças, acima do bem e do mal, espalhando felicidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Este ano, o meu quinto na cidade por obra e graça do Festival Internacional de Dança da Amazônia, o porto de arte pelo qual atraquei em Belém, ganhei uma medalhinha da Senhora de Nazaré na porta da Igreja. Para mim, um sinal, um batismo de fé. Acho que a famosa Nazinha, como o povo a chama carinhosamente, quis dizer que, de algum modo, já faço parte dali. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Belém combina perfeitamente com a idéia de um festival internacional de dança. E a Clara Pinto – que foi quem inventou toda essa história – sabia muito bem disso desde o início. Já lá vão quatorze anos desde o primeiro; eu cheguei no décimo, mas consigo traçar essa memória a partir dos pequenos detalhes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Clara Pinto é uma instituição na cultura paraense. Bailarina, Miss Pará, professora de dança e coreógrafa são alguns aspectos pontuais de uma trajetória brilhante como empresária e defensora da arte e da cultura. Há cinco anos testemunho sua dedicação e a capacidade de trabalhar com uma equipe que funciona quase sem palavras. Plantou-se um espírito – e este tem dado frutos bem consistentes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durante o FIDA, professores e administradores assumem a produção. E cada um sabe perfeitamente o que deve fazer para que tudo funcione impecavelmente, sem que se perca o sabor da camaradagem, tão mais humano e caloroso do que atravessar um exército de frias regras e minutos contados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Festival Internacional de Dança da Amazônia tem sido, para mim, um aprendizado importante sobre a forma de o norte do país viver a dança. No palco do Teatro da Paz, talvez a mais forte das paixões que me ligam a Belém, tenho caminhado com os grupos locais e de outras cidades como São Luís, Macapá, Tucuruí, Fortaleza, Barcarena. Em cinco anos houve crescimento, sobretudo no aspecto da valorização do que brota da própria cultura amazônica e é transportado para os movimentos da dança. O formato do festival é democrático; permite que os participantes concorram ou simplesmente dancem pelo prazer de dançar. Nas asas dessa liberdade descobrem-se coisas incríveis, como o grupo de dança indiana Nataraja, ausência sentida este ano, uma verdadeira jóia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O importante, no FIDA, é a oferta de referências novas, seja através das oficinas com professores sempre atualizados, seja a partir do trabalho dos artistas convidados. Quem quer se aperfeiçoar, portanto, sempre encontra um caminho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nos espetáculos, gosto de me sentar na varanda. Não, por favor, não me entendam mal: varanda, no Teatro da Paz, não é o mesmo que a varanda da nossa casa. A varanda é o principal espaço do teatro, onde as cadeiras são dispostas horizontalmente bem de frente para o palco e ligeiramente elevadas. A platéia fica embaixo, na altura do fosso; as frisas, como em qualquer teatro, estão nas laterais. A melhor visão frontal é, portanto, a da varanda. Dali acompanho, apreensiva, as apresentações dos grandes amigos e, com permanente curiosidade, o trabalho dos artistas novos no festival. Vale o destaque, este ano, para a dupla argentina Natalia Pelayo e Federico Fernandez, que deu um show no clássico e no contemporâneo. E também para Ellington Gomes, um dos mais perfeitos bailarinos desse tempo recente, que faz parte do corpo de baile do Municipal do Rio e este ano fez par com a já veterana Cláudia Motta, uma das primeiras-bailarinas do Theatro Municipal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas uma coisa que me encanta é a azáfama de centenas de bailarinos pelos corredores do teatro milenar. As escadarias com seu décor em bronze e balaustradas polidas só fazem rir, em sua sabedoria; as estátuas fazem troça. Os lustres de ferro e cristal só aceitam ser apagados ao som da Protofonia do Guarany. E os espelhos se comprazem em cultivar o seu dom de iludir. No fundo, protegem os pequenos e grandes artistas com o seu manto de tradição e leveza, desejando que sejam felizes no palco, no seu palco, assim como na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sou mesmo uma pessoa chegada a rituais. Ao aproximar-se o final de outubro, todos os anos, começo a entrar no ritmo dos rituais do FIDA: a chegada a Belém, o carinho do Waldir, da Ana Clara e da Lorena, o reencontro com o amigo e vizinho Fábio de Mello, o imensamente talentoso coreógrafo que dirige o Festival e me carregou pra Belém há cinco anos, e com Fred Salim, bailarino, coreógrafo e meu par constante na cidade desde 2003... São muitas pessoas, detalhes, instâncias que são vividas com imensa alegria a cada ano. Como a apresentação dos grupos folclóricos, na tarde-noite de sábado, uma emoção renovada, apesar de a popularização da chapinha ter feito um estrago nas charmosas dançarinas de carimbó e síriá. Fica o protesto, em prol dos belos cachos naturais injustiçados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O FIDA, para mim, traduz-se em pessoas como Edna e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Eliana, as super-produtoras, incansáveis em cuidar da logística e da infra-estrutura. Lenita e Jussara, revezando-se entre a Escola e o Teatro da Paz; Graça, no subcomando geral, resolvendo tudo com a classe e a fleuma que lhe são peculiares. Elade, a nova secretária, muito simpática e presente. Rosana, Paula, Tereza, Therezinha e muitas mais, coordenando som, luz, ensaios e os outros vários palcos do Festival – Iguatemi, Teatro Margarida Schivazzapa, Pólo São José Liberto e Praça da República, este no domingo final. E fechando o circuito, Clara Pinto com olhos de lince e um cuidado enorme com o processo inteiro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não é à-toa que Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus, por exemplo, adoram estar lá todos os anos. No FIDA, quem chega entra logo para a “família” e só quer saber se, no ano que vem, vai voltar para os braços de Belém, nas asas da dança e para o seio de um trabalho que, sem dúvida alguma, é referência na Região Norte do país.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2608430815483670187?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2608430815483670187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2608430815483670187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2608430815483670187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2608430815483670187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/11/belm-dana-e-o-fida.html' title='Belém, a dança e o FIDA'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ry3oTdVBHwI/AAAAAAAAAJI/k9MPyKSxixY/s72-c/DSC01211.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6245877131405130260</id><published>2007-10-11T08:59:00.001-04:00</published><updated>2008-10-24T07:58:12.035-04:00</updated><title type='text'>Sanduíche dos mais caprichados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rw4mq98TcdI/AAAAAAAAAIo/axTQGysyLGA/s1600-h/mortadela2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rw4mq98TcdI/AAAAAAAAAIo/axTQGysyLGA/s320/mortadela2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120072345990689234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt;Fotos: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O sabor é excelente, o pão cheira a recém-saído do forno (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;aqueeele&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; cheiro que é melhor do que o gosto do próprio pão), a manteiga é fresca, e a mortadela... bem, a mortadela é aquela mesmo da infância, com uns pontinhos escuros de pimenta-do-reino, clarinha e com muito pouca gordura. Enfim, temos aí uma iguaria de primeira qualidade: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Pão com mortadela&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, a peça, inspirada na obra de Charles Bukowski.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A literatura &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;beat&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; toma o palco carioca num momento bom. É preciso rechear com referências importantes o vigor e a ansiedade dos jovens talentos.  E &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Pão com mortadela&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; está cheio deles, carinhas novas com todo gás, que mostram um bom entendimento do espaço teatral e da teatralidade em si. Por trás, pela frente e pelos lados, um bom diretor com estilo (João Fonseca). Cenários e figurinos práticos e inteligentes ajudam a história a fluir, com um eficiente revezamento do pequeno elenco em múltiplos papéis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O "maldito" Bukowski conta, em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Ham on Rye&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, obra que inspirou a peça, a sua infância, adolescência e um pouco da vida adulta, num texto que mais ou menos o explica para o mundo. A apropriação mais que justa que João Fonseca fez do livro, ao transpô-lo para o palco, apresenta as situações em algumas dimensões apenas, deixando ao público o benefício de construir, com a imaginação, as outras que as completam. É meio como ler um livro em que os personagens, de tempos em tempos, acordam e vivem a cena diante da gente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os jovens rostos apaixonados que vemos no palco são talentosos sem distinção.  E todos têm o seu grande momento em cena, de modo que o que passa é uma valorização de cada um no que tem de melhor. Não conseguimos esquecer nenhum deles, ou lembrar mais de outro - mesmo a peça tendo um excelente protagonista, Sacha Bali, que vive Henry Chinaski, o alter-ego do escritor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acho bonito ver a força que jovens vozes dão ao texto. Não posso deixar de me lembrar que, há muitos anos, num pequeno teatro de colégio na Tijuca, assisti a "O Despertar da Primavera",  de Frank Wedekind, com um elenco jovem que daria o que falar: Miguel Falabella, Maria Padilha, Fábio Junqueira, Daniel Dantas, Paulo Reis... É a mesma coisa, a mesma chama flamejante, o mesmo ciclo dos tempos renovando as forças do teatro. A sensação de frescor, de que o minuto seguinte não existe, portanto é preciso viver este, agora, com tudo o que se tem dentro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando resolvi escrever dei uma passeada pelas críticas da peça disponíveis na internet. Numa delas o autor queixa-se de problemas de tradução, e diz que a peça nunca poderia chamar-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Pão com mortadela&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; porque o título em inglês é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Ham on Rye&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Presunto no centeio&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, referência explícita à obra mestra de J. D. Salinger, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;O apanhador no campo de centeio&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quero discordar. Aliás, chamou-me a atenção justamente a criatividade desse título. E não por qualquer abrasileiramento da obra: porque todos os retratados eram crianças americanas mais ou menos pobres (o próprio texto ressalta esse fato, na voz do personagem: - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Meus pais não se achavam pobres...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;), numa época pobre (o período pré e pós Grande Depressão, nos EUA). E a mortadela -  uma comida "de pobre", para os padrões daquele tempo - existe lá; atende pelo genérico nome de "Bologna" e, acreditem, não é gostosa como a daqui. Pão com mortadela, portanto, é plausível dentro da situação retrada. E muito mais fácil de ser prontamente digerido enquanto título.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os atores, além de ótimos e com amplas possibilidades de exibir, cada um, os seus diferenciais no palco, têm uma agilidade incrível na troca de papéis, com um figurino que realmente favorece isso. Os tons sépia escolhidos pelo cenógrafo e pelo iluminador são perfeitos para criar o clima de época sem que o todo perca vitalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O relato emocionante de Bukowski é vivido com a melhor dose de emoção, mostra clara de que existe, entre elenco e direção, uma fé verdadeira na importância de se dizer aquilo que está sendo dito, justamente nesse momento e nesse lugar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que posso dizer é que curti muito, senti no rosto e na alma os ventos novos que chegam, com determinação e talento.  De fato, este foi o melhor sanduíche teatral que tive a chance de provar em muito, muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6245877131405130260?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6245877131405130260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6245877131405130260' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6245877131405130260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6245877131405130260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/10/sanduche-dos-mais-caprichados.html' title='Sanduíche dos mais caprichados'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rw4mq98TcdI/AAAAAAAAAIo/axTQGysyLGA/s72-c/mortadela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-1108068185907814302</id><published>2007-09-30T09:05:00.000-04:00</published><updated>2007-09-30T09:15:29.771-04:00</updated><title type='text'>Jorge Palma no Metrô de Lisboa</title><content type='html'>&lt;embed src="http://imgs.sapo.pt/sapovideo/swf/flvplayer-sapo.swf?file=http://rd3.videos.sapo.pt/BriRap6dHIarRUAjpIOw/mov/1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="325" width="400"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda não conhece este génio da música popular portuguesa - ou melhor, do mundo - vai aí uma matéria jornalística que fala muito dele.&lt;br /&gt;Na minha opinião, Jorge está para a música portuguesa assim como Chico, Caetano, Milton, Edu, Baden e outros estão para a música brasileira.&lt;br /&gt;Não tê-lo conhecido ao longo dos mais de 30 anos que está na estrada é uma perda que só não reputo como irreparável porque ainda há como remediar: é sair vorazmente em busca da obra desse fantástico cantor, compositor, arranjador e instrumentista.&lt;br /&gt;De cara dou as dicas para quem gosta muito de música e quer ser mais feliz ainda: vale pesquisar no eMule, baixar tudo o que for oferecido e visitar os sites abaixo.&lt;br /&gt;Boa "viagem na palma da mão"*!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bloguepalmaniaco.blogspot.com/"&gt;http://bloguepalmaniaco.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jorgepalma.web.pt/"&gt;http://www.jorgepalma.web.pt&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Título de uma canção de Jorge Palma&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-1108068185907814302?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/1108068185907814302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=1108068185907814302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1108068185907814302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/1108068185907814302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/09/jorge-palma-no-metr-de-lisboa.html' title='Jorge Palma no Metrô de Lisboa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-27174718338289218</id><published>2007-09-13T17:52:00.000-04:00</published><updated>2007-09-13T18:52:25.133-04:00</updated><title type='text'>Era um dia, era claro, quase meio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rum90BrfOOI/AAAAAAAAAHQ/ZDFPXFqH1-8/s1600-h/edu-e-chico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rum90BrfOOI/AAAAAAAAAHQ/ZDFPXFqH1-8/s320/edu-e-chico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109823953730222306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Acabo de dirigir, com a amiga Cleide Salgado, um festival de cinema. O I CINEMÚSICA - que já em sua primeira edição chega com a responsabilidade de ser o primeiro festival do Brasil voltado para as áreas de som e música - colocou a bucólica Conservatória, no Estado do Rio, em polvorosa. Durante o feriadão (6 a 9 de setembro), o número de pessoas na cidade foi muito além do esperado para uma localidade que vive do fluxo turístico normal gerado pela serenata, com direito a pane nos restaurantes locais - que, mesmo acostumados a feriados movimentados, não conseguiram dar conta dessa vez. Ao todo, 20 longas e 24 curtas passaram pelas telas do Cine-SESC (na Praça da Matriz), do Cine-Tela Brasil (no largo da Rodoviária) e do Cine Centímetro (uma perfeita miniatura do falecido Metro-Tijuca, com apenas 60 lugares). Tudo o que o cinema fez em Conservatória tinha alguma coisa a ver com a música, de modo que... o nome CINEMÚSICA! foi a escolha mais natural do mundo. De quebra, os shows incríveis dos grupos Vale dos Tambores, Panela di Barro, Música DesConcerto e, no domingo, da Orquestra Sinfônica do Projeto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Música nas Escolas&lt;/span&gt;, de Barra Mansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dos raros momentos em que consegui sentar para assistir alguma coisa, ganhei logo o melhor presente: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Edu Lobo&lt;/span&gt;, documento inédito, direção de Regina Zappa. A diretora, jornalista mais que conhecida e reconhecida, é casada com um grande amigo meu, o arquiteto e designer Túlio Mariante. E o nosso encontro, ainda que há muito prometido, só veio a acontecer em Conservatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso meus engasgos enormes durante o filme. As hábeis e sutis escolhas de Regina para registrar a vida e obra desse gênio algo injustiçado da nossa música velejaram por entre lembranças muito queridas, que acabaram mesmo por me marejar. Uma voz e um violão para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cordão da Saideira&lt;/span&gt;, recortes em clima de festival para o apogeu de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ponteio&lt;/span&gt;, com Marília Medalha, a verdadeira história da agonia de Torquato Neto refletida na letra, em parceria, de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pra dizer Adeus&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edu, ainda um menino quase, em muitos momentos; em outros, cada vez mais parecido com o pai, Fernando Lobo, que ainda conheci nos últimos tempos de TVE. Edu e sua imensa musicalidade, sua enorme parte na história da música brasileira da geração imediatamente anterior à minha, e que acabou por misturar-se à minha. Edu com seu inconformismo na ponta das letras e no fundo da melodia, com seu jeito de bom moço levando a sério o que era para levar. E Edu hoje, com a mesma profundidade e o mesmo talento, filhos, discos, livros, amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regina soube contá-lo, registrá-lo, transparecê-lo bem para quem, pela pouca idade ou o muito descuido, não teve a chance certa de o conhecer. Vê-se em sua direção o pulso jornalístico que no entanto deixa a emoção sobrenadar, conduzir a narrativa e confluir para belos reencontros, com a atualidade necessária para contar o que deve ser contado sem cair em excessos ou embotar a verdade básica do que a obra de Edu Lobo representa, dentro da nossa música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Edu Lobo&lt;/span&gt; foi uma grande felicidade dentro da correria do I CINEMÚSICA. Além de nos prestigiar com uma estréia nacional, Regina Zappa foi mais do que justa com o biografado. Foi justa e generosa com a música do Brasil e com as gerações e gerações de brasileiros que necessitam desesperadamente de conhecê-la em profundidade, para dar-lhe o devido valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro tanto e é tão grande a saudade, que até parece verdade que o tempo inda pode voltar... O tempo de Regina Zappa em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Edu Lobo&lt;/span&gt; não só volta na medida certa como sabe seguir em frente, com rumo certo e passo forte, para celebrar o que Edu Lobo, hoje e sempre, tem de melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-27174718338289218?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/27174718338289218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=27174718338289218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/27174718338289218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/27174718338289218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/09/era-um-dia-era-claro-quase-meio.html' title='Era um dia, era claro, quase meio'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rum90BrfOOI/AAAAAAAAAHQ/ZDFPXFqH1-8/s72-c/edu-e-chico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4404877652078941913</id><published>2007-08-11T13:24:00.000-04:00</published><updated>2007-08-11T15:57:43.809-04:00</updated><title type='text'>Deusa pagã dos relâmpagos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr4HW1lGxTI/AAAAAAAAAFg/GIvC8ZaDlZQ/s1600-h/etabetania.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr4HW1lGxTI/AAAAAAAAAFg/GIvC8ZaDlZQ/s400/etabetania.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097519917151208754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos pés descalços, o mesmo leve gingado que, no auge dos anos, enlouquecia a todos... e bem menos timidez do que naquele início do início, no Teatro Opinião, de coque na nuca e roupa preta, aquele fatídico início que nos condenou a amá-la para sempre.&lt;br /&gt;A mesma doçura na voz nos momentos doces, abandonados... e a mesma fortaleza numa voz já outra, na hora de levantar o canto guerreiro, o canto do peito aberto; as mãos que firmam passo e dançam acima da cabeça, o olhar que brilha e nos atravessa com a sua espada da lei, da lei do encanto com que nos prende e nos leva, leva, leva, leva, beta, beta, Betha, Bethânia, Bethânia de todos os ventos, deuses e vagas do mar.&lt;br /&gt;O mesmo tudo que é sempre todo novo. Bethânia é sempre nova e linda, é sempre menina e senhora do engenho, com palavras que sempre batem bem fundo no coração de quem, anos a fio, limpa num pano de prato, no guardanapo, no xale do vestido, as mãos sujas do sangue das canções que dela vêm, e pra ela voltam entre rasgos de poesia e a ondulante maresia que procura dentro um rio, um rio feito de música e de água também.&lt;br /&gt;A Bethânia que nos toma a todos ao primeiro acorde, antes mesmo do primeiro aceno, antes mesmo de aparecer, é igual - e melhor - com os anos. Os fartos e naturalíssimos cabelos, que um gesto aparentemente simples joga para trás, a envolvem numa espécie de moldura luminosa, um halo de energia que a clareia inteira. Bethânia, faceira e menina, senta-se com o povo no meio-fio para puxar as cantigas de ninar mais esquecidas, mais guardadas no fundo da memória. E aquela Bethânia de ventos e raios, que com um único gesto sabe bem arrebatar milhares, irrompe em meio ao nosso silêncio com mimos de Luiz Gonzaga,  com ventos de Caymmi a mover os barcos, com auroras de Chico Buarque a acordar amores. Linda e visceral nos vermelhos da saia de ares cuzquenhos, ou doce e saltimbanca num visual mais nostálgico, branco, profundamente circense.&lt;br /&gt;Essa Bethânia criança e mulher reinventa-se igual, mas respira o novo em nossa nuca, acorda-nos com poesia, convida-nos à roda. E vamos todos, ora em coro, ora em silêncio, ao comando da rainha do cordão encarnado.&lt;br /&gt;Bethânia foi sempre assim, a Natureza em technicolor e dolby stereo. Com o seu jeito todo exuberante de explicar o mundo sílaba a sílaba, palavra por palavra, meticulosa como um ourives atento ao mais microscópico detalhe da peça que cultiva como se tivesse vida.&lt;br /&gt;Amiga íntima, quase parente, conta todas as nossas histórias, desfia os rosários e nos mostra, na janela do tempo, a nossa própria alma lavada, perfumada de música e sentimento, recendendo às águas de colônia da infância, aos limões de cheiro de que apenas ouvimos falar um dia, aos pães quentes das pretas velhas, à fuligem das fogueiras ao pé das quais chamamos assombrações, os olhos escuros de medo, as mãos dadas na noite.&lt;br /&gt;Bethânia solta e só, diante da coragem da vida. Despida dentro do branco das vestes, todas as cores da alma nas mãos, inteira e pronta para chamar o vento. O mesmo vento que balança as ondas daquele mar, daquele mesmo mar em cujo fundo há um rio. Rio que nasce na garganta dela e encontra as águas naqueles olhos que podem, se quiserem, parar o tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4404877652078941913?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4404877652078941913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4404877652078941913' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4404877652078941913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4404877652078941913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/08/os-mesmos-ps-descalos-o-mesmo-leve.html' title='Deusa pagã dos relâmpagos'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr4HW1lGxTI/AAAAAAAAAFg/GIvC8ZaDlZQ/s72-c/etabetania.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-9026904688679665836</id><published>2007-07-22T11:46:00.001-04:00</published><updated>2007-07-22T14:24:20.759-04:00</updated><title type='text'>Um minuto... e o silêncio</title><content type='html'>Temos de deter este mundo de sentimentos descartáveis.&lt;br /&gt;Com nossa honra verdadeira, que não encontra um jeito de existir com a velocidade com que as informações substituem os valores no espaço-tempo.&lt;br /&gt;Temos de lembrar que um menino de apenas dez anos foi destroçado por bandidos em alta velocidade, pelas ruas do Rio de Janeiro, sem qualquer razão.&lt;br /&gt;Era filho de alguém. De alguém que sofre, chora, tenta entender mas está marcado para sempre.&lt;br /&gt;Temos de lembrar que, há 11 anos, muitas pessoas com sonhos, ideais, famílias, filhos pra criar, morreram carbonizadas num acidente com um avião da TAM, no Aeroporto de Congonhas. &lt;br /&gt;É preciso lembrar que, apenas em setembro passado, mais de 150 pessoas morreram num acidente com um avião da Gol, que colidiu com um jatinho particular.&lt;br /&gt;Mesmo que não quisermos, a vida nos sacode e nos atira contra a duríssima realidade: há  menos de uma semana, outras 200 pessoas morreram num terrível acidente com outro avião da TAM.&lt;br /&gt;Podemos rezar por elas, podemos dedicar-lhes um minuto de silêncio. Com essa boa ação, nossas vidas talvez não mudem.&lt;br /&gt;Mas temos de lembrar que a vida de quem perdeu essas pessoas mudou para sempre. Temos de lembrar dos buracos abertos, de tudo o que se interrompeu e foi bruscamente arrancado de todas essas famílias.&lt;br /&gt;Podia ser com um de nós. Está cada vez mais fácil, aliás, de acontecer com um de nós.  Estamos todos à beira da tragédia, cada dia mais perto. &lt;br /&gt;Não podemos sair à rua com a família, num carro antigo.&lt;br /&gt;Não podemos confiar na famosa segurança dos nossos céus. Não temos mais uma estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul. Não temos mais autoridade, nem exemplos a seguir. O que vemos é o descaso, o descaramento, o descompromisso, o desacato à nossa autoridade de cidadãos que sustentam a máquina podre do governo.&lt;br /&gt;Roubaram nossos ideais mais profundos e sinceros. Primeiro foram os militares, que acreditavam estar - e de um certo modo estavam - acima do bem e do mal. Sua herança funesta foi a impunidade mais perfeita, que nem o suposto fim da ditadura conseguiu apagar. Ao contrário, na suposta liberdade ela se fortaleceu ainda mais, nos espaços muito bem arquitetados pelos filhos do regime transfigurados em neoliberais.&lt;br /&gt;Os modelos autoritários prevalecem ainda. Seus tentáculos estão em todos os lugares, nas empresas públicas e privadas, nas instituições supostamente sociais,culturais, naquilo que supostamente é para o povo.&lt;br /&gt;Enquanto ministros brigam por poder, enquanto controladores de vôo brigam por salários, enquanto as empresas de aviação "flexibilizam" a manutenção, enquanto as polícias civil e militar discutem território, enquanto governadores disputam as atenções do governo federal, a vida não pára de acontecer. As contas não param de vencer. As empresas não param de demitir. A economia não pára de esvair-se. E as aeronaves, nos céus do Brasil, nas pistas de pouso, nos contactos com as torres de controle, não param de arriscar muitas vidas. Todos os dias. &lt;br /&gt;O que vamos nós fazer? Estamos mais mudos do que depois do AI-5. Em vez de lutar por cidades livres, cercamo-nos de grades. Em vez de bater panelas nas ruas como faz o intrépido povo argentino, encolhemo-nos em teses, desculpas, desvios. Em vez de demitir governos que não cumprem as atribuições do cargo - como qualquer empresa faz com um funcionário que não passa pelo período de experiência - pagamos para sofrer, para ser discriminados, engolidos pela máquina, para não ter atendimento médico e morrer, como aconteceu recentemente a uma jovem grávida, a percorrer as emergências sem socorro.&lt;br /&gt;Olhamos para os escândalos de corrupção com uma naturalidade patética. Todos os dias, o dinheiro roubado pelos poderosos falta à mesa de alguém. Os nossos milhões de miseráveis, as crianças que fazem malabares nos sinais de trânsito ou humilham-se nos lixões, os flagelados das secas que já poderiam ter acabado de vez, só são lembrados como fonte de captação de recursos para projetos sociais que nem sempre são soluções. Enquanto uns poucos conseguem estabelecer uma honesta frente de luta contra os problemas, muitos vivem às expensas deles. &lt;br /&gt;Desconhecemos o nosso poder. Todos os meses, é do nosso salário que sai o dinheiro que financia o circo em que vivemos. E se não quisermos mais pagar? E se quisermos fiscalizar? E se, de repente, quisermos a lei? A verdade, a justiça? A liberdade? &lt;br /&gt;Nunca estivemos pior. Nunca se morreu tanto. Nunca perdemos tantos adolescentes entre 15 e 24 anos para a absurda guerra do tráfico. Até quando vamos aceitar isso?&lt;br /&gt;Quando é que a sociedade vai se organizar para romper esse círculo doentio?&lt;br /&gt;E se no Brasil se desencadeasse, de repente, uma série de processos contra o Governo por malversação do dinheiro público? E se nós, cidadãos, decidíssemos processar os órgãos arrecadadores dos diversos tipos de impostos que pagamos, exigindo que prestem contas do uso do nosso dinheiro? &lt;br /&gt;Mesmo que a lei tenha brechas, mesmo que haja juízes corruptos, ainda assim existem leis escritas que nos garantem o direito de fiscalizar a máquina pública. Uma onda de processos dessa natureza desnortearia o sistema e poderia, talvez, deter - dentro da lei e da ordem, como pregava Ghandi - a marcha da impunidade absoluta, do deboche e do desrespeito à população. &lt;br /&gt;Se há órgãos públicos que podem intervir numa instituição e saneá-la, por que é que nós, os financiadores, não podemos intervir em órgãos públicos que lesam o patrimônio comum? &lt;br /&gt;Está mais do que na hora de nos unirmos para caminhar nesse sentido. É preciso sanear o país, e renovar os ideais e valores que devem prevalecer sobre o caos. E só a população, enquanto maioria esclarecida, é que pode operar essa transformação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-9026904688679665836?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/9026904688679665836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=9026904688679665836' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/9026904688679665836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/9026904688679665836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/07/um-minuto-e-o-silncio.html' title='Um minuto... e o silêncio'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5218429709840305244</id><published>2007-07-15T09:25:00.000-04:00</published><updated>2007-07-15T12:45:02.043-04:00</updated><title type='text'>Pelas palavras</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoWHgLDd_I/AAAAAAAAAEw/ZlLXz6IYPUw/s1600-h/Paraty-Autores-dentro2.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoWHgLDd_I/AAAAAAAAAEw/ZlLXz6IYPUw/s400/Paraty-Autores-dentro2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087403047219591154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Repara; é nesse terreno movediço, furta-cor, que passaremos quatro dias e horas sem fim a ouvir histórias, acalentar palavras, enxergar algumas pessoas especiais bem de perto, como se usássemos luz de leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a quinta FLIP. Um fenômeno de público num país de funk e produtos "culturais" descartáveis. Onde milhares de pessoas de todas as idades se acotovelam em filas para estar frente a frente com escritores, sejam eles novos ou consagrados. Para vê-los de perto transformados em gente como a gente, que dorme-acorda-e-come-e bebe-e-erra, enfim, que existe mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festa Literária Internacional de Paraty, ou simplesmente FLIP... Uma sigla e uma brincadeira, talvez, com o sentido do vocábulo em inglês; soltar algo no ar (e ver o efeito que dá), ou virar (como se viram as páginas de um livro), definições que também combinam com o espírito da festa; joga as palavras pro alto, vê onde caem e vai lá conferir se germinaram. Ou então pega um livro, folheia e vê se encontra alguma coisa que te faça saltarem os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a FLIP tem jogado no ar, cai em solo fértil. E, se depender das crianças de Paraty, floresce com todo o vigor. Desde os bonecos em papier-maché que elas confeccionam, todos os anos, para enfeitar a Praça da Matriz até a Flipinha, a vitoriosa edição infantil do evento que está sempre lotada de pequenos leitores apaixonados, o ano inteiro loucos pra estar lá e não perder um só minuto das histórias, cantigas e alegrias que os esperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FLIP é um recheio e tanto, para quem lê e mesmo para quem ainda não tem lá tanta intimidade assim com esse estranho e querido objeto chamado livro. Lá nos abastecemos de temas e questões que ficamos o ano inteiro a tecer e a deslindar. Lá olhamos nos olhos de quem nos embala os sonhos, entendemos melhor o mundo real que vira literatura, podemos estar frente a frente com um correspondente de guerra ou um menino soldado, como o brilhante Ishmael Beah, 26 anos e a velha chama no olhar, este ano. Podemos ouvir o lamento de um poeta palestino e sentir a força de um humanista israelense. Podemos vislumbrar as várias Áfricas do Sul, as Austrálias, as Luandas, os Maputos e os Cariris como se fossem uma só coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na FLIP os Brasis e os mundos são iguais, ou melhor, são igualados nas virtudes e mazelas que fazem a realidade, e também na força da sua ficção. Aprende-se muito sobre as diferenças e o que elas têm em comum. Há mais boas surpresas do que as poucas decepções, e a gente faz muitas promessas aos livros que lê, aos depoimentos que leva no coração. A FLIP é uma festa de noivado, onde a gente renova todos os anos o compromisso de amar e respeitar a nós mesmos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, e em todas as páginas que lermos com o coração aberto e a alma sempre, sempre inquieta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5218429709840305244?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5218429709840305244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5218429709840305244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5218429709840305244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5218429709840305244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/07/pelas-palavras.html' title='Pelas palavras'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoWHgLDd_I/AAAAAAAAAEw/ZlLXz6IYPUw/s72-c/Paraty-Autores-dentro2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-2948930981452939325</id><published>2007-07-13T22:27:00.000-04:00</published><updated>2007-07-13T23:07:56.063-04:00</updated><title type='text'>Elza, um hino nacional</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rpg16QLDd9I/AAAAAAAAAEc/Y_UvHWS1Hfk/s1600-h/elza.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rpg16QLDd9I/AAAAAAAAAEc/Y_UvHWS1Hfk/s400/elza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086875054004991954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Abertura dos Jogos Panamericanos 2007, no estádio do Maracanã. Expectativa em toda parte. Milhares de olhos grudados na tv, milhares de pessoas enchendo o estádio ou aguardando, pacientemente, nas filas de entrada, para passar pela segurança. O Pan do Brasil.&lt;br /&gt;Organização impecável, luzes, aparato. Momento solene anunciado em três idiomas, espanhol, inglês, português: o Hino Nacional Brasileiro.&lt;br /&gt;O chão do palco se abre para erguer uma única voz, com um único microfone, para ecoar sem acompanhamento nos quatro cantos do estádio e do planeta e levar ao mundo o nosso hino, aquele que nos endireita as costas, leva a nossa mão ao peito, fecha os nossos olhos em devoção mesmo quando engasgamos com alguma sílaba.&lt;br /&gt;Essa única voz, ou melhor, essa voz única, é a de Elza Soares.&lt;br /&gt;Talento inacreditavelmente grande, coração talvez maior ainda. Menina cuja primeira boneca, aos treze anos, foi a própria filha. Menina que driblou o morro e as tristezas com sua voz de gramaturas nunca dantes conhecidas e uma alegria que não combinava com a vida tristonha de criança de favela. &lt;br /&gt;Mulher que fez do instrumento musical que carrega na garganta uma bandeira brasileira em mil tons de verde-amarelo.&lt;br /&gt;E que amou muito, viveu muito, deu-se muito como ser humano, artista, mãe, mulher, de  tudo um muito.&lt;br /&gt;No centro do gramado do Maracanã, um gramado pisado centenas de vezes pelos pés tortos e felizes do homem que talvez mais tenha amado na vida, Elza Soares nos fala de Brasil de um jeito que ninguém falou antes. Cada sílaba roufenha, metálica, suave ou retumbante é sentida, é concentrada, é madurada no pé e distribuída com força, mas de um jeito contido, como uma reza de mães-pretas para afastar mau-olhado, como um lamento do fundo do coração da floresta, do rio, do mar, das fontes murmurantes. Elza toda ela uma oração.&lt;br /&gt;Anunciada como a esposa de Garrincha, Elza Soares recebeu hoje uma merecida dupla homenagem: a reverência e o reconhecimento do Brasil ao seu imenso talento e à forma como sempre se doou, na arte como na vida. E o respeito que merece por ter sido a grande companheira de Garrincha, a pessoa que mais esteve ao seu lado, cuidou, protegeu-o de si mesmo. Um país que ama os ídolos do futebol como o Brasil devia isso a ela, que tão mal compreendida foi, para dizer apenas o mínimo. &lt;br /&gt;Elza Soares, magnífica, transformou-se no Hino Nacional. Sozinha no campo, com sua voz e o sentimento do mundo, foi rainha. A acompanhá-la, um coro de milhares de vozes. O seu rosto devoto, dramático, não denunciava o que lhe passaria pela mente naquele momento em que o Maracanã e o povo jogavam com ela, em que teve a posse de bola e lhe foi permitido fazer, ela própria, as mais incríveis bicicletas que as cordas vocais lhe permitiram. &lt;br /&gt;Com as bênçãos do Mané Garrincha, que com toda certeza sorria todo orgulhoso do fundo do gramado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-2948930981452939325?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/2948930981452939325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=2948930981452939325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2948930981452939325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/2948930981452939325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/07/elza-um-hino-nacional.html' title='Elza, um hino nacional'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rpg16QLDd9I/AAAAAAAAAEc/Y_UvHWS1Hfk/s72-c/elza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6410584650928617329</id><published>2007-06-25T21:04:00.000-04:00</published><updated>2007-07-01T17:42:51.472-04:00</updated><title type='text'>Um só sangue, três brasileiros</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RogZWd0YMbI/AAAAAAAAAD0/IilB5YxJH-0/s1600-h/3irmaos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RogZWd0YMbI/AAAAAAAAAD0/IilB5YxJH-0/s400/3irmaos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082340053239738802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sou chorona, é fato sabido. Mas há tempos não chorava como devia, como eu mesma me devia. Sem afogar os anos e o coração de estudante que deixei pousado na década de 80, bem à beira do poço das esperanças de um país melhor.&lt;br /&gt;Há tempos não chorava como ao ver "Três irmãos de sangue", o poema amoroso em forma de documentário sobre Henfil, Betinho e Chico Mário. Dirigido por Angela Patrícia Reiniger, uma jovem que, de tão jovem, decerto não viveu as vidas e histórias que tão bem soube contar.&lt;br /&gt;Angela soube descortinar a vida brasileira e suas lutas, dores e pequenas vitórias, através da história dos três irmãos que deram tudo ao seu país, cada um na sua frente de batalha, sem entrega, sem trégua.&lt;br /&gt;Foi como se o filme da nossa vida passasse na nossa frente... Só que não era sonho ou experiência de quase-morte, era um filme mesmo, a nossa vida ali rasgada, aberta, descosturada, sofrida - exposta sem qualquer anestesia, mas com beleza, compaixão, perspectiva histórica.&lt;br /&gt;Penetrar na intimidade da família de oito irmãos e todos os homens hemofílicos, ver as irmãs lá, tão corajosas, contando as histórias de cada menino, dos pais, da vida deles, foi como tomar café na cozinha da casa. E sacudir a cabeça como quem entende, como quem viveu tudo aquilo como os três fossem um pouco da gente.&lt;br /&gt;E são. Passei anos nas asas da Graúna e nos braços do Bode Orelana, do Severino e do Fradim. Lê-los era o ritual sagrado que exorcizava um pouco os fantasmas que nos perseguiam naqueles tempos. Em 1986, quando fui selecionada para o primeiro Curso de Jornalismo que a Rede Globo promoveu, o Henfil foi um dos palestrantes. Nesse primeiro contato enxerguei um brasileiro antenado com seu tempo, comprometido com os ideais de justiça e liberdade. O filme falou abertamente do seu desencanto com o aborto das diretas e a eleição de Tancredo Neves, e disso me lembrei bem: em sua fala no curso, ele considerava Tancredo um traidor dos ideais democráticos e da pátria brasileira, que manipulara o processo desencadeado pela campanha Diretas Já! em benefício próprio. &lt;br /&gt;Os detalhes da vida do Henfil, contados pelas ex-mulheres, a viúva, as irmãs e amigos com uma serenidade incrível, tocaram fundo. Assim como o depoimento da mulher de Chico Mário e do filho. E também da ex-mulher e da viúva de Betinho, e dos filhos Daniel e Henrique. Por falar em filhos, Angela Patrícia construiu uma linda cena com imagens antigas do filho do Chico, ainda pequeno, e sua voz gravada sobreposta a outras imagens, mais tristes, do então adolescente no enterro do pai. Pouco antes há um depoimento do menino, muito forte, determinado e cheio de esperanças, na época da descoberta da doença do Chico Mário. O contraponto lembrou as cenas finais do filme Filadélfia, que desfilam imagens enevoadas do protagonista ainda menino, andando de velocípede despreocupado... Isso é cinema, é saber apropriar-se com respeito de detalhes que enriquecem, comovem e ficam pra sempre na nossa memória afetiva.&lt;br /&gt;Tudo... as cartas da mãe, a emoção do Ivan Lins ao falar do Chico Mário, a presença forte do Ziraldo, do Aldir Blanc, do João Bosco e de tantos amigos, famosos ou não, que trouxeram para o filme uma verdadeira profissão de fé na nossa história, um orgulho de terem compartilhado a vida e a militância com três brasileiros tão profundamente éticos, talentosos e humanos. &lt;br /&gt;Rever a chegada dos exilados ao som do hino "O Bêbado e a Equilibrista" foi voltar no tempo e, por um fugaz momento, acreditar de novo que ia dar certo, ia sim dar certo, teríamos um futuro após 21 anos de opressão, sem saber que, outros 20 e tantos anos depois, ainda estaríamos à procura desse futuro em meio à banalização dos valores, reféns do tráfico e da corrupção e sem coragem mesmo de empunhar novas bandeiras, com a casa inteira por arrumar e sem saber por onde recomeçar.&lt;br /&gt;Vi Betinho uma só vez. Ia de carro do Rio para Barra Mansa e paramos no Bob's do Belvedere Viúva Graça, como era costume. E aí vi Betinho em sua simplicidade, parado na calçada a poucos passos de mim, o filho menor por perto. Lembro que pensei comigo: puxa, é a primeira vez que me vejo diante de um herói de verdade. Um herói do nosso povo, em carne e osso e com seus olhos fundos de verdade e jeito de mar. Jeito de gente. E não tive gesto nem jeito de me aproximar. Um herói é um herói... resolvi guardar-lhe a imagem do lado esquerdo do peito. E só.&lt;br /&gt;Não me contive. Ao final da sessão, estendi os braços para Angela Patrícia, essa menina de valor, talento e consciência. Foi um abraço feito de saudades do que vivemos e que ela, mesmo não vivendo, nos devolveu da melhor maneira.&lt;br /&gt;"Três irmãos de sangue" tinha de ser exibido em todas as escolas do país, para que cada criança soubesse que ainda há coisas em que vale a pena acreditar, e pelas quais vale a pena lutar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6410584650928617329?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6410584650928617329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6410584650928617329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6410584650928617329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6410584650928617329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/um-s-sangue-trs-brasileiros.html' title='Um só sangue, três brasileiros'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RogZWd0YMbI/AAAAAAAAAD0/IilB5YxJH-0/s72-c/3irmaos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-5040056109083149165</id><published>2007-06-22T10:33:00.000-04:00</published><updated>2007-06-22T11:29:04.139-04:00</updated><title type='text'>Transfor-Tango</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnvn7K6QmfI/AAAAAAAAADk/kMQ-eHX4sMw/s1600-h/gotan-project.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnvn7K6QmfI/AAAAAAAAADk/kMQ-eHX4sMw/s320/gotan-project.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078908008517376498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Gotan quer dizer "tango". A inversão silábica parece ser uma moda recente na Argentina. E se repetirmos sem parar - go-tan-go-tan-go-tan-go-tan - acaba sendo mesmo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tango&lt;/span&gt;. Pelo menos é a isto que o Gotan Project, grupo que mistura elementos tradicionais e eletrônicos, projeções mirabolantes e um jogo de cena muito bem estruturado - se propõe: divulgar o tango argentino, sob o comando de um D.J. com sotaque francês.&lt;br /&gt;Num Canecão lotado como eu não via desde a década de 80 pelo menos, o grupo desfilou seus apoteóticos números musicais com muito ritmo e vivacidade. Um cello, três violinos, piano, violão, voz, bandoneón (claro, não podia faltar), além de um D.J. e um programador/tecladista por trás de uma plataforma alta. Projeções enormes ao fundo, por cima dos músicos, pra todo lado: rostos duplicados, casal dançarino duplicado, paisagens, situações... um mosaico em alta velocidade que por vezes chegava a dar tonteiras.&lt;br /&gt;Senti calafrios. E sono, muito sono, após os dois primeiros números. Aquela insuportável batida eletrônica, bat-bum, bat-bum, a rodear cada acorde, cada instante em que o tango parecia real, o jogo de luzes e configurações calculado com precisão absoluta, com o dom de iludir. E as pessoas, extasiadas.&lt;br /&gt;Lembro-me de ter ouvido Piazolla dizer, num dos espetáculos que tive o privilégio de assistir: - Este é o novo tango, que revolucionou a nossa música. E pelo qual muita gente me critica, mas que é a coisa mais moderna que existe hoje no gênero.&lt;br /&gt;Piazolla mudou o tango, sim, mas mudou com gênio, intensidade, poesia. E não deixou pedra sobre pedra, e no entanto a essência permaneceu e firmou-se definitivamente como o retrato mais fiel da alma argentina. &lt;br /&gt;Enquanto ouvia entre bocejos o Gotan Project, pensava que, para mudar o tango, precisa ser um Piazolla.&lt;br /&gt;Os bons músicos que compõem o grupo estão muito longe disso. À exceção do pianista, este sim um virtuoso quase que completamente obscurecido pela parafernália eletrônica, os outros faziam bem o seu trabalho, mas não despertavam nada de extraordinário, nenhum rasgo no coração sequer parecido com o estrago que faz um único acorde de "Adiós Noniño"... &lt;br /&gt;O Gotan Project é um projeto comercial bem-sucedido, a julgar pela quantidade de gente que apinhava o Canecão e por sua recente turnê européia, orgulhosamente anunciada pelo D.J. francês, fundador do grupo. É um produto típico do falso entendimento de que, para apresentar um ritmo original, nativo e forte, é preciso pasteurizá-lo ao gosto americanizado e vendê-lo como se fosse de verdade.&lt;br /&gt;Em alguns - raros - momentos, quando desligavam o baticum, subtraíam o excesso, abandonavam as projeções e ficavam só no piano, bandoneón, voz e violão, aí sim a minha alma despertava, e eu me sentia perto do tango-sangue que aprendi a amar.&lt;br /&gt;Sinto, mas não posso louvar o projeto, a apropriação indébita e desqualificada que fazem da música-marca de um povo. É um corpo estranho, uma visão patética e muito bem embalada, uma pantomima de luxo que não faz jus à bandeira que pretende defender, mas que não defende. Simplifica, reduz e publica no YouTube, para ser descartada logo a seguir.&lt;br /&gt;O Gotan Project é pouco, pouco demais para o tango.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-5040056109083149165?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/5040056109083149165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=5040056109083149165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5040056109083149165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/5040056109083149165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/transfor-tango.html' title='Transfor-Tango'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnvn7K6QmfI/AAAAAAAAADk/kMQ-eHX4sMw/s72-c/gotan-project.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4315469679190161257</id><published>2007-06-20T15:27:00.000-04:00</published><updated>2007-06-20T22:53:11.385-04:00</updated><title type='text'>Taiguara</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnl95K6QmdI/AAAAAAAAADM/WO4i6fT1wXM/s1600-h/taiguara-gigante-arvore.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnl95K6QmdI/AAAAAAAAADM/WO4i6fT1wXM/s320/taiguara-gigante-arvore.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078228475971672530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma tarde qualquer, lá pelas quatro, eu no computador e um longínquo pagode a emanar de algum vizinho. Bocejos na alma, a tolerar aquela mesmice... Mas de repente o mesmo já não era tão mesmo assim: entrou pelo quarto a música &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Viagem&lt;/span&gt;, do Taiguara, e eu me assustei feliz.&lt;br /&gt;Taiguara... Um moço tão íntegro, tão cálido e lírico, talvez o primeiro a cantar as esperanças da era do amor livre... Que sabia como ninguém tecer sonho, poesia, letra e música em algo que falava, de fato, àquela juventude da qual eu fazia parte.  Lembrei-me de seu rosto sincero à frente do microfone em tantos, tantos festivais... Modinha, Helena Helena, Universo no Teu Corpo...&lt;br /&gt;Taiguara. Que bem aquilo me fez! Corri então para os braços da abençoada tecnologia e fui escavar o eMule à procura dele. Batata! Tava tudo lá, inclusive uma das canções mais lindas que já ouvi na vida, e que ele tão brilhantemente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;defendeu&lt;/span&gt; (é assim que se dizia) numa das primeiras edições do Festival Universitário da Canção Popular: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nada sei de eterno&lt;/span&gt;, de Aldir Blanc e Silvio da Silva Jr.&lt;br /&gt;Os Festivais Universitários revelaram Aldir, Silvio, Ivan Lins, César Costa Filho e uma infinidade de outros grandes da nossa MPB. Eram todos integrantes do MAU (Movimento Artístico Universitário), a primeira grande insurgência estudantil contra a indústria cultural, já então selvagem. Deu certo, o Brasil ganhou, a juventude ganhou, porque tudo naquela época, afinal, era bandeira pra gente.&lt;br /&gt;Essa canção, gravada pelo Taiguara, ficou em mim a vida inteira. Lá pelas tantas da década de 80, para ajudar uma amiga cantora, lembrei-me dela e fui pedir ao Aldir autorização para que a moça a cantasse. Alguém me conseguiu o telefone dele e expliquei a situação. - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Olha&lt;/span&gt; - disse o Aldir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;- eu nem tenho mais esse disco, só a minha mãe é que tem. Faz o seguinte: vai lá em casa no dia tal que alguém te leva até a minha mãe e você pega emprestado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fui à casa dele, em algum lugar da Tijuca. E uma de suas filhas, que devia ter uns dez anos, foi comigo impávida até a casa da avó, pertinho, no máximo umas duas quadras. &lt;br /&gt;A mãe do Aldir já sabia e recebeu-me à porta. Foi à estante e pegou um daqueles compactos duplos com capa plastificada - era cor de laranja - e entregou-me com um suspiro. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Olha, eu tenho muito ciúme desse disco, esta é a música do Aldir que eu mais gosto. Por favor me devolva o mais rápido possível, tá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A essa altura eu já estava com remorsos, pois senti que lhe doía separar-se daquele tesouro. (Eu bem sabia que era um tesouro.) Levei o disco pra casa com mil-e-um cuidados, gravei (numa fita cassete, lógico, é o que se tinha) e devolvi no dia seguinte.&lt;br /&gt;Ensinei a música à minha amiga cantora e guardei a fita para curtir em casa. Às vezes até levava para o trabalho para ouvir num daqueles gravadores pequenos, de jornalista. E assim foi, até o dia em que esqueci a fita no escritório e uns amigos meus, engraçadinhos, resolveram escutar. E desgravaram! Desgravaram sem querer!&lt;br /&gt;A princípio fiquei atônita. Custei a acreditar. Depois de toda aquela viagem pra ter a música... Mas aos poucos fui me conformando: nunca mais ia conseguir mesmo, então... toca a vida pra frente.&lt;br /&gt;Pois agora estou prestes a conseguir, a ressuscitar essa pérola do Aldir que é grande, grande, mesmo que quase ninguém conheça. &lt;br /&gt;E o Taiguara, com sua ternura na voz, encanto nos olhos e firmeza no olhar, volta para mim com todos os tons psicodélicos que fizeram sonhar os meus 15 anos, desenhos em luz negra a girar nas paredes da alma, margaridas pelo ar, batas indianas e cachos nos cabelos. &lt;br /&gt;Taiguara que fez um Brasil difícil tão mais bonito! Amado, censurado, livre-feliz, um jovem com um destino, como tantos... destino de cantar o amor e de levar toda a gente a cantá-lo. &lt;br /&gt;A saudade do Taiguara é um pouco como a saudade de ter esperança, como a gente tinha, num futuro diferente... Onde as crianças pudessem cantar livres sobre os muros e ensinar sonho aos que não soubessem amar sem dor... Com o passado a abrir os presentes pro futuro, que não dormiu... e preparou o amanhecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4315469679190161257?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4315469679190161257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4315469679190161257' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4315469679190161257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4315469679190161257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/taiguara.html' title='Taiguara'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rnl95K6QmdI/AAAAAAAAADM/WO4i6fT1wXM/s72-c/taiguara-gigante-arvore.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-8978435277041294519</id><published>2007-06-16T08:39:00.000-04:00</published><updated>2007-06-16T09:47:45.583-04:00</updated><title type='text'>Ariano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnPox66QmYI/AAAAAAAAACg/TDt4q9gWb3M/s1600-h/ariano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnPox66QmYI/AAAAAAAAACg/TDt4q9gWb3M/s400/ariano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076657149301528962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando se abriram as cortinas do auditório de O Globo, no último dia 13 de junho, a visão de Ariano Suassuna sentado em sua poltrona, emoldurado por painéis em tons quentes e ilustrados por gravuras suas, deu-me um nó na garganta que logo me assaltou os olhos. A emoção pura de vê-lo ali, tão simples em sua grandeza, foi quase incontrolável. Foi como se visse o Brasil que eu queria.&lt;br /&gt;Porque Ariano é, hoje não tenho dúvidas, o retrato do Brasil que eu queria; firme, resistente, um coração enorme e um espírito que não se dobra quando se trata de defender as suas convicções. &lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, talvez o nosso povo pudesse celebrar a rica simplicidade de suas raízes sem se permitir ser invadido pelos abusos diários, pela corrupção e pela indignidade. Talvez esse povo tivesse menos celulares de cartão, roupas importadas de $ 1,99 (que, em geral, são doações internacionais subtraídas por receptadores), bugigangas tecnológicas da China, mp3 no ouvido. Mas teria mais alegria de viver, mais respeito por si mesmo, mais zelo pela nacionalidade, pelo Brasil que lhe corre nas veias.&lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, a nossa alma estaria preservada, com seu quê de tristeza ou de malícia, contra a tentação renitente de se negar três vezes diante de qualquer cenoura estrangeira que nos balançam à frente.&lt;br /&gt;Teríamos medo de virar depósito do lixo dos ricos e vergonha de consumir produtos descartados da cultura mais imediata e sem rumo, filha unigênita da falta de talento e perspectiva. E teríamos força para defender-nos do mal que se espalha indiscriminadamente pela glamurização do crime, pela injustiça e impunidade.&lt;br /&gt;Ariano resiste. Com sua beleza senhorial, sua firme inteligência, vitalidade e humor sempre pronto a arrastar todo mundo no galope do sonho e no riso a cavalo. Transitando agilmente entre um e outro, fala abertamente de tudo aquilo que a nossa alma aprendeu a esconder! E a gente ri com ele, comunga com ele, galopa com ele, renasce feliz... &lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, a gente teria orgulho daquilo que realmente somos, não daquilo que inventamos ser, de acordo com a ocasião. Teríamos por dentro e por fora aquela vida, aquela fibra, a energia airosa e o olhar firme, a palavra precisa e o gosto fundo da alegria.&lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, esse povo seu filho não seria cúmplice no esfacelamento da sua própria cultura. Colocaria os "outros" no seu devido lugar... guardando dentro de si o que importa, o que é universal, obviamente. Mas aqui, no nosso quintal, ninguém iria mandar e nos dizer o que presta ou o que não presta.&lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, o seu exemplo haveria de bastar para arrancar da terra e dos corações o que temos de melhor. Seríamos mais livres, menos judiados, não aprenderíamos a excluir e sim a abrigar, trataríamos de cuidar do equilíbrio necessário para que todo homem se pudesse olhar como um igual, num espaço comum em que as diferenças não humilhassem e despedaçassem tantos seres humanos.&lt;br /&gt;Teríamos pressa em recuperar a alegria de viver, a felicidade de sermos tantos e tão belos em nossa diversidade.&lt;br /&gt;Se o Brasil fosse Ariano, teríamos cuidado com a nossa infância para dá-la de presente às crianças e, com isso, ser crianças de novo... Crianças grandes com poder de criar uma lei que nos obrigasse a ser felizes, como diria Chico Buarque.&lt;br /&gt;Por isso tudo Ariano fica em mim, mais que celebrado em seus 80 anos, entre a emoção que inunda e o riso que faz rebentar com sua verve única, sábia e colorida. Que o Brasil adora não por causa da Rede Globo, que no momento o centuplica como o produto que não é (ainda que se possa dizer, "bom, pelo menos mostra"...). O Brasil adora porque sabe que é um pouco como ele, que faz parte dele, que no fundo do coração esquecido é capaz de se reconhecer nas histórias que ele conta todo rasgado, desfeito e refeito na beleza da sua alma mais que brasileira.&lt;br /&gt;Pedi um abraço, ganhei, e por um momento pude respirar a vida que emana daquele Brasil-feito-gente. Na saída, a porta do elevador emoldurou a sua imagem serena, autografando, sorrindo, ainda diante de uma fila enorme. E eu pensei, com os botões da minha esperança, que Ariano Suassuna é a prova inconteste de que o Brasil que eu desejo existe mesmo em algum lugar, já está plasmado, só falta mesmo acordar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-8978435277041294519?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/8978435277041294519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=8978435277041294519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8978435277041294519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/8978435277041294519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/ariano.html' title='Ariano'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnPox66QmYI/AAAAAAAAACg/TDt4q9gWb3M/s72-c/ariano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-4200986317485936320</id><published>2007-06-07T14:27:00.000-04:00</published><updated>2007-06-12T22:22:31.046-04:00</updated><title type='text'>Alabê de Jerusalém (feito gente grande...)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmhnJ66QmVI/AAAAAAAAACI/95sC0V4CaGg/s1600-h/alabe.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmhnJ66QmVI/AAAAAAAAACI/95sC0V4CaGg/s400/alabe.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073418400362961234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Ogundana é um nigeriano nascido há dois mil anos, que aos 12 anos sai de Ifé, cidade onde nasceu, em direção ao norte da África e, com 20 anos, chega às margens do Rio Nilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia-se a década de 20 da Era Cristã. No império romano, um centurião curado por seus poderes convida Ogundana a ir para Roma. Ao chegar, graças à sua experiência no manuseio de ervas medicinais, é contratado para cuidar de feridos e doentes do exército romano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo Pôncio Pilatos, então governador da Judéia, o contrata como terapeuta de sua tropa. Eles seguem então para Cesaréia, cidade em que Ogundana conhece Judith, o grande amor de sua vida. Apaixonado, o casal vai para a Galiléia, onde conhecem Jesus Cristo e o acompanham até a sua crucificação. Passados 20 anos do sacrifício do Mestre, Judith morre e Ogundana vai para o deserto da Galiléia, onde vive até o fim de sua vida. Hoje, Ogundana é uma entidade espiritual chamada Alabê de Jerusalém."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aquiles Rique Reis&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; é uma ópera. Completa, com todos os cânones. Pra especialista nenhum botar defeito.&lt;br /&gt;Por obra e graça de uma força da natureza que atende pelo nome de Altay Veloso.&lt;br /&gt;Ópera brasileira, sim senhor.&lt;br /&gt;Haverá puristas para questionar a existência de tal gênero? &lt;br /&gt;Pode ser, mas seria desperdício e bobagem. Temos mais do que direito a figurar no cenário operístico com linguagem própria, tamanha é a riqueza musical que exibimos o tempo todo, aclamada mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; será talvez a primeira, e Altay Veloso teve peito para encarar, assumir, criá-la com toda a sua esfuziante energia, todo o seu talento e amor. Isso mesmo! Altay Veloso exala amor. Tem uns olhos de bondade de derreter o mais empedernido dos homens; tem uma alegria de viver permanente, um quê de quem possui o entendimento do mundo. A simples visão do seu jeito brejeiro comove. E não precisa nem saber quem ele é, ele tá lá aí pra isso, o sorriso e a humanidade são os mesmos, sempre.&lt;br /&gt;E essa humanidade foi, sem dúvida, o combustível que fez-lhe ferver o talento, nos últimos 20 (vinte!) anos, até que concluísse o trabalho da sua vida, a grande obra que perseguiu com doce obstinação, e ofereceu no último dia 30 aos olhos e ouvidos do mundo: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;E não podia ser diferente: o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê&lt;/span&gt; fala de amor, pois veio do próprio amor. E numa língua que todos entendem: a da tolerância, da paz, do perdão, da grandeza, da comunhão, do fim das diferenças, da celebração da vida. Esperança em forma (e que forma!) de arte, arte para todos, para multiplicar os pães em tempos de insanidade, onde mais do que nunca é preciso alimentar as pessoas com o bem maior que nos garante a condição humana - esse mesmo, o amor indiscriminado, total, absoluto, salvador.&lt;br /&gt;Creio que Ogundana em pessoa e toda a sua legião trataram de tudo lá de cima, para que Altay tivesse a seu lado as pessoas certas para tornar possível aquilo que vimos em cena, no Teatro Municipal do Rio, (infelizmente) apenas por uma noite.&lt;br /&gt;Fábio de Mello, um dos artistas contemporâneos mais completos deste país, foi escolhido para embarcar nesse sonho já há alguns anos. Coreógrafo, criador, encenador, iluminador, dono de uma cultura musical e de uma dimensão cênica únicas, Fábio cruzou o portal, acompanhado de sua mâitre de ballet e ensaiadora Bete Spinelli, e dinamitou a ponte atrás de si. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê&lt;/span&gt; tornar-se-ia algo irreversível em sua vida. E também Marcelo Marques, premiadíssimo figurinista e cenógrafo, com sua sensibilidade à toda prova. E Leonardo Bruno com todo o seu conhecimento e talento. Além de coro, bailarinos, cantores, um elenco de 120 pessoas.&lt;br /&gt;Acordar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê&lt;/span&gt; de seu sono de séculos foi um trabalho digno dos épicos de Cecil B. de Mille. Foi preciso determinação, vontade além da vontade, talento disposto a trabalhar quase até à exaustão. O providencial patrocínio da Petrobras, sabidamente o grande mecenas atual da nossa cultura e diversidade, parece deixar perfeitamente claro que, sobretudo para o Brasil e os brasileiros, a cultura é pão indispensável no cardápio de cada dia. E necessária nos quatros cantos dessa terra, nos mais recônditos lugares, e mais desesperadamente ainda onde o dinheiro não pode comprá-la. &lt;br /&gt;A ópera &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; é do povo, sim - e não porque seja popular ou popularesca no sentido pejorativo em que muitas vezes tais adjetivos são usados. Muito, aliás, pelo contrário. É do povo porque respeita a sensibilidade das pessoas diante da qualidade musical e cênica. É simples na linguagem sem nunca ser simplória. Flui com facilidade sem jamais ser "fácil", ao contar uma história que todos conhecem sob um prisma novo, o da diversidade religiosa. E estimula as pessoas a buscarem o sonho em cada momento seguinte, como se Cristo chegasse à terra pela primeira vez. É do povo porque prova, acima de tudo, que todos podem falar a língua da verdadeira arte, que é clara, límpida, honesta e brilha com as cores do talento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; é uma obra de ruptura. Traz em si o frescor que precisamos para substituir estruturas emboloradas, abrir o espírito para um "novo" que é simples, aberto, direto, cheio de luz. E ao mesmo tempo sutil, enunciado, solto no ambiente para ser percebido por cada um com aquilo que tem dentro... informação, sensibilidade, sentimento ou o simples gostar.&lt;br /&gt;Enquanto espetáculo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; tem boa dinâmica, ritmo, fluência. E bons cantores nos papéis e canções certos, além de uma concepção estética refinada, de tintas densas, que reveste a história de uma bruma importante para dimensioná-la no tempo sem tempo da própria humanidade. Se por vezes o palco parece um tanto alvoroçado, isso parece refletir a própria indefinição das almas naquele momento da história. É a eterna contradição entre a possibilidade da salvação e a impossibilidade de recebê-la... enfim, a contradição do próprio homem.&lt;br /&gt;Na linha da ruptura está a acentuada presença da dança, que assume um protagonismo poucas vezes visto numa ópera. Em geral, os números de dança nas óperas funcionam como elemento de ritmo, para dar cor e permitir algum descanso aos cantores. No &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê&lt;/span&gt; não; a dança é o elo que desenvolve a história, pontuando com profundidade a música. E o ballet obedece a uma arquitetura sensivelmente concebida por Fábio de Mello para acompanhar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crescendo&lt;/span&gt; na intensidade dramática. Algumas cenas, que mais parecem produto da mente de hábeis pintores renascentistas, bem mereciam tomar de assalto a boca de cena, tamanha a sua força.&lt;br /&gt;De lamentar foi a ausência da orquestra, que por razões técnicas (?) não conseguiu acompanhar a magnitude da obra. Teria faltado tempo? Alma? Vontade? A exuberante musicalidade do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê&lt;/span&gt; merecia mais, merecia a polifonia natural e ao vivo que cabe perfeitamente no cenário escolhido para sua representação. Os talentosos e profissionais intérpretes conformaram-se com o bg, mas... é claro que não é a mesma coisa.&lt;br /&gt;A atuação de Altay Veloso como o próprio Alabê é um susto de felicidade bem no meio do nosso espanto; estamos diante de alguém que vai além de tudo aquilo que se espera dele e dá muito mais, oferece-nos um ator completo abençoado por todos os orixás, com veemência e doçura, técnica e coração, brilho e verdade. O personagem Alabê inunda-nos de uma vontade de ser bons, de seguir com ele, de levantar bandeiras brancas e firmes pela paz que precisamos reinstaurar no nosso mundo... É mais que uma encarnação de personagem e vai além da incorporação de um sonho; é um ato material de talento, justiça, claridade.&lt;br /&gt;A representação dos orixás ao fundo, na estratégica plataforma concebida por Marcelo Marques, é comovente e paira sobre tudo, evocando os protetores que, tenham lá que nomes forem, acompanham não só o Alabê como a própria humanidade durante a saga cristã. Além desses, destaque para os figurinos do próprio Alabê, de Judite e do corpo de baile.&lt;br /&gt;Fábio de Mello criou um poema épico no qual a obra de Altay Veloso não só se encaixa à perfeição, como brilha intensamente.&lt;br /&gt;O público carioca, o público do Brasil  - e por que não? - o público do mundo mereciam uma temporada digna dessa obra-prima que veio mudar o conceito da representação da cultura brasileira. &lt;br /&gt;Viva o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alabê de Jerusalém&lt;/span&gt; entre nós, e de preferência por mais uma eternidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-4200986317485936320?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/4200986317485936320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=4200986317485936320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4200986317485936320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/4200986317485936320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/feito-gente-grande.html' title='Alabê de Jerusalém (feito gente grande...)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmhnJ66QmVI/AAAAAAAAACI/95sC0V4CaGg/s72-c/alabe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-9121931368734860019</id><published>2007-06-01T08:41:00.001-04:00</published><updated>2007-06-01T19:42:36.353-04:00</updated><title type='text'>Ecos de maio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAUtooBnfI/AAAAAAAAABc/ieUmmtbEyHw/s1600-h/padrao-close.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAUtooBnfI/AAAAAAAAABc/ieUmmtbEyHw/s200/padrao-close.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071075954651143666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Permaneci em maio com a alma em polvorosa.&lt;br /&gt;Foi mês de arquitetar destinos, de lançar-me ao mar, de nadar contra a corrente.&lt;br /&gt;E de encontrar insuspeitas felicidades.&lt;br /&gt;Os primeiros dias foram de preparar-me para o primeiro Portugal, onde cheguei dia 4 com malas pesadas e alma leve, aberta ao que me quisesse vir.&lt;br /&gt;E encontrei os novos cheiros que vieram preencher os aromas que antes recendiam só na minha imaginação.&lt;br /&gt;De Lisboa ao Porto, ao Douro e de volta, de lugares tão inimagináveis como Pinhão e Casal de Loivos, Santa Maria da Feira, Estarreja, São Jacinto, Torreira, Matosinhos, de Coimbra, só fiz apaixonar-me por cada instante, por cada palavra trocada com amigos antigos e novos, estranhos que não estranhei, amores que o simples amar transformou em amigos de sempre, personagens que viraram gente no coração e no abrir-se para o outro.&lt;br /&gt;Meu maio foi mais português que a própria primavera, essa a espalhar seu calor veranesco pelos caminhos, o ar, as certezas e virtudes, os sonhos feitos reais.&lt;br /&gt;De volta, além dos cds e dos livros, o vivo sentir da memória de tudo.&lt;br /&gt;A cor profunda de tanto bem querer.&lt;br /&gt;Fui cumprir o ideal da terra e voltei de lá mais brasileira, mesmo com pena de voltar.&lt;br /&gt;E cheia de saudades por esse tanto mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convido-vos a andar comigo pelos caminhos de Portugal em&lt;br /&gt;&lt;a href="http://gentedemuitacoragem.blogspot.com"&gt;Portugal, Portugal&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-9121931368734860019?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/9121931368734860019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=9121931368734860019' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/9121931368734860019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/9121931368734860019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/06/ecos-de-maio.html' title='Ecos de maio'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAUtooBnfI/AAAAAAAAABc/ieUmmtbEyHw/s72-c/padrao-close.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-940035351446476528</id><published>2007-04-25T12:05:00.000-04:00</published><updated>2007-04-28T14:04:45.830-04:00</updated><title type='text'>Teresa Salgueiro, você e eu</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ri-EjvR_YEI/AAAAAAAAAAU/utwEQ6d0gA4/s1600-h/teresa-salgueiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ri-EjvR_YEI/AAAAAAAAAAU/utwEQ6d0gA4/s400/teresa-salgueiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057406656082567234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No dia 15 de abril, lá fui eu compenetrada para o Vivo Rio, ver Teresa Salgueiro cantar música brasileira. A encantadora portuguesinha de fala pausada, pele de louça e uma voz de deslumbrar os mais exigentes tinha, quem diria, um sonho de cantar a nossa música. "A vossa música que eu tanto gosto", confessaria mais tarde, cândida, durante o show.&lt;br /&gt;Um amigo dileto, profundamente fã dos Madredeus, desistiu de ir justamente por isso. Comigo foi bem ao contrário; instigou-me a curiosidade em saber como ela iria se sair. Ritmos diferentes, sentimento diferente... todo um universo novo para explorar em suas mais várias texturas musicais.&lt;br /&gt;E devo dizer que a Teresa sempre consegue surpreender. Por mais que estejamos convencidos da beleza do seu timbre, da força da sua interpretação e da sua presença em palco, o que se viu no Vivo Rio naquela noite foi de estarrecer.&lt;br /&gt;A impressionante Teresa e o septeto do maestro João Cristal ousaram de verdade: decidiram contemplar o nosso cancioneiro dos anos 30 até hoje! Enquanto ela explicava isso ao público com deferência, humildade e até carinho, eu tentava atinar como é que iriam fazer isto em pouco menos de duas horas de espetáculo.  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Sem o mais leve tom de sotaque, a figura delicada,  como que recortada dum fado contra o fundo de luz,  revelou o que guarda de brasilidade em sua alma. Foi à Bahia com Ary Barroso, a Maracangalha(!) com Dorival Caymmi, banhou-se em todas as praias do Rio com Tom e Vinícius, atreveu-se a riscar o nome do caderno de Herivelto Martins, sambou com pés de pluma sobre o palco, bossanovizou o violino da voz e fê-lo ecoar brasileiro, sentido, profundo, gemido, escancarado - e de novo suave, cálido, guardado, contido como só ela sabe fazer.&lt;br /&gt;Dentro de Teresa Salgueiro as culturas não só se encontraram; deram-se as mãos, segredaram mágoas, sorrisos e alegrias, fizeram-se irmãs.&lt;br /&gt;E quem naquela platéia não se deliciou, regiamente presenteado com tantas canções queridas em tal embalagem?&lt;br /&gt;E mais: via-se-lhe a felicidade. Seus olhos dançavam na luz, a brilhar, as palavras quase que não lhe cabiam na boca... a humildade sincera que acompanha o talento de Teresa Salgueiro fez do seu show brasileiro - que não por acaso chama-se "Você e eu", a primeira música brasileira que cantou em sua vida - um verdadeiro poema. Ou um beijo, um abraço, um afago enorme na alma do nosso país, de nossa gente.&lt;br /&gt;Mais que pela beleza e oportunidade das canções, mais do que pelo luxuoso talento da intérprete e da competência do maestro João Cristal e seu septeto, mais que pela proposta em si, o lado brasileiro revelado de Teresa Salgueiro deixa claro que, quando o amor entra em cena, não há  barreira cultural que não possa ser transposta.&lt;br /&gt;Cantemos, pois, um belo fado em louvor de Teresa Salgueiro e sua arte - de preferência, com o acompanhamento de uma bateria completa de escola-de-samba! Ave, ave Teresa!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-940035351446476528?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/940035351446476528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=940035351446476528' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/940035351446476528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/940035351446476528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/04/teresa-salgueiro-voc-e-eu.html' title='Teresa Salgueiro, você e eu'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Ri-EjvR_YEI/AAAAAAAAAAU/utwEQ6d0gA4/s72-c/teresa-salgueiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-6056125557687284116</id><published>2007-02-25T14:20:00.000-04:00</published><updated>2007-02-25T15:13:46.653-04:00</updated><title type='text'>Do Cacique do Rochedo às folhas secas caídas de Mangueira</title><content type='html'>Em Conservatória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carnaval em Conservatória é algo que caiu no gosto do meu coração, desde o ano passado. Aqueles cinco dias no Hotel Rochedo, regados a marchinhas de sempre, blocos de rua e tranqüilidade, fizeram-me repetir a dose em 2007. Afinal, não é todo dia que se pode brincar como antigamente até se acabar pelas ruas, sem precisar ficar com um olho no samba e outro na violência.&lt;br /&gt;Ah, mas não é só isso: tem a segunda-feira, esperada como quê, quando a gente desfila, com toda garra, pra defender a bandeira do Grêmio Recreativo Escola de Samba Cacique do Rochedo. Desfile sim, tá pensando o quê, com comissão de frente, carro abre-alas, alegorias e belas fantasias. No ano passado, o enredo foi a Bahia; este ano, foi a vez dos astros e da astrologia.&lt;br /&gt;Tem também o Bloco do Bacalhau, o do Arrasta, a Masmorra com seus jovens e indômitos integrantes, o Chorinho, o Unidos do Benfica... Carnaval em Conservatória é uma festa. Festa familiar, onde todos os amigos se encontram na cidade que, por uns poucos dias, faz a seresta dormir e marca um encontro folião com os antigos carnavais. Que de antigos só têm mesmo a boa música, porque a energia, ah, essa é novinha em folha e parece não acabar nunca. São incontáveis os personagens que saem em todos os blocos, na avenida de pedra lascada construída por escravos, ela em si um desafio feroz à resistência dos pés. Mas o povo não parece se importar: a alegria é genuína, leve e simples. E contagia a gente.&lt;br /&gt;Na quarta-feira, um bem-humorado Bloco do Caixão percorre as ruas contando a história do morto, esse ano apelidado de René Senna, que saiu na sexta-feira pra comprar cigarros e voltou num estado lastimável: restaram-lhe apenas o esqueleto e, claro, a danada da cachaça...&lt;br /&gt;Se Conservatória está na história da seresta brasileira, com certeza está também na história de um carnaval muito vivo, que não se contaminou de funk, axés ou outros modismos duvidosos. Ainda é o bom e velho carnaval das marchinhas e dos sambas-canção, que certamente faria o querido Braguinha e muitos outros compositores sorrirem de gosto lá do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e na Sapucaí&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As folhas secas caídas de Mangueira, que tão bem marcaram a homenagem da verde-rosa à língua portuguesa com palavras do mestre Nelson Cavaquinho, foram pisoteadas esse ano pela deselegância.&lt;br /&gt;Das fantasias? Decerto que não. Dos integrantes? Muito menos. Faltou samba no pé? Nunca, em tempo algum. Faltou, mesmo, foi amor - aquele amor de verdade que nós, ferrenhos mangueirenses, sempre acreditamos existir no coração da mais-querida por todos aqueles que a fizeram grande e eterna.&lt;br /&gt;Esse ano a Mangueira ficou devendo à Sapucaí a presença de dois entre os maiores: Beth Carvalho e Nelson Sargento.  E por que? Por pura deselegância, pinimba, bobagem. A direção negou à divina Beth um pedido simples: sair num carro, porque sua coluna não agüentava mais o esforço no chão. E se "esqueceu", imagina, de confeccionar a fantasia da mulher de Nelson Sargento, talvez o mais importante entre os compositores vivos da escola.&lt;br /&gt;Foi com tristeza que vi Beth Carvalho, com seus olhos sempre esperançosos e pronta para o desfile qual Cinderela para o baile, aguardar na avenida pela promessa de um carro, feita pelo presidente da Mangueira, um tal Sr. Percival Pires, conhecido como Perci. Mais triste ainda foi saber que, ao se dirigir ao carro dos baluartes, onde lhe informaram que iria sair, Beth foi expulsa com ignorância por um senhor que nem mesmo ela, que respira Mangueira há 36 anos, sabia quem era.&lt;br /&gt;E o que dizer de Nelson Sargento? O presidente da Mangueira alegou que a fantasia de sua senhora estava pronta, "ele que não foi buscar." Nelson, do alto de sua humildade e elegância, informou que, no barracão lhe disseram apenas que "não tinha nenhuma fantasia em nome de Dona Fulana".&lt;br /&gt;Não saiu o grande Sargento com sua companheira, não saiu Beth Carvalho com todo seu amor e empenho pela verde-rosa.  E a gente, em casa, ainda tem de ouvir palavras deselegantes como as do soberbo Max Lopes, grande carnavalesco, menosprezando Beth Carvalho: "A Mangueira é uma escola muito grande, ela não combinou nada..."&lt;br /&gt;Quem conhece minimamente a história de Beth Carvalho sabe do seu caráter, da sua coerência e de sua dedicação à escola e ao samba de modo geral. Daqui a uns poucos anos pouca gente se lembrará de um tal Sr. Percival Pires, ah, sim, aquele que foi presidente da Mangueira. Menos tempo levará para que se esqueçam do tal senhor que expulsou a cantora, aos gritos, do carro dos baluartes. Max Lopes com certeza figurará por muitos anos entre os grandes da história do carnaval da Sapucaí.&lt;br /&gt;Mas e Beth Carvalho? Como será lembrada?&lt;br /&gt;Será lembrada sempre por sua linda voz, seu talento, seu encanto, pelos grandes sucessos, por sua empatia absoluta com o povo, que se rasga por ela em todas as ocasiões. Num show em Volta Redonda, há uns quatro anos, com ingressos distribuídos gratuitamente, houve câmbio negro e polícia na porta. A voz de Beth Carvalho entoará "Coisinha do pai" por toda a eternidade em Marte. Podiam ter escolhido qualquer artista, mas escolheram Beth. Na Mangueira, falou  verde-rosa, falou Cartola, Dona Zica, Dona Neuma... e Beth Carvalho. Alcione também, Rosemary também, claro, assim como todos os grandes compositores que fizeram e fazem sua história. Mas Beth Carvalho continua a ser um dos mais expressivos sinônimos de Mangueira, haja o que houver e doa a quem doer.&lt;br /&gt;Como é que, então, um simples burocrata tem o poder de humilhar e desprezar uma artista como Beth Carvalho, um ícone como Nelson Sargento? Que me perdoe o Sr. Percival Pires, seja lá quem for, mas as folhas secas caem e novas nascem. A Mangueira, Beth e Nelson não passarão, com toda certeza. Assim como vai demorar a passar a triste impressão que deixou no público, em especial nos mangueirenses, esse lamentável episódio.&lt;br /&gt;Não se pode pensar em Mangueira sem reverenciar a sua história e, sobretudo, os seus grandes personagens.  Beth, com seu sorriso, deu-nos uma grande lição no Desfile das Campeãs, ao tremular a bandeira verde-rosa e cantar o samba da arquibancada.  Por que ela, ao contrário de muita gente, sabe exatamente qual é o seu lugar no coração da Mangueira e do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-6056125557687284116?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/6056125557687284116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=6056125557687284116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6056125557687284116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/6056125557687284116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/02/do-cacique-do-rochedo-s-folhas-secas.html' title='Do Cacique do Rochedo às folhas secas caídas de Mangueira'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7002475908173117482</id><published>2007-02-25T13:38:00.000-04:00</published><updated>2007-02-25T14:19:52.457-04:00</updated><title type='text'>Ceará em generosas doses</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Depois de uns ventos algo contrários em setembro/outubro, revisitei o Ceará nesse recente e ensolarado fevereiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E com que felicidade!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Algo me dizia que eu tinha de voltar logo a Fortaleza para enxergá-la direito, recompor sua poesia no meu imaginário um tanto manchado de incertezas. Percorrer as ruas de mãos dadas com o sol da manhã, a brisa da tarde, o burburinho da Beira-Mar, o cheiro de castanha torrada na hora. Almoçar fartamente acalentando o mar, abraçada pelos ventos benfazejos a desmanchar os cabelos dos coqueiros. Jantar em torno do Dragão do Mar, observar as pessoas, aprender a complexa ciência de comer caranguejo toc-toc...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E foi exatamente isso que fiz. Em boa hora e com bons fluidos por toda parte. Partimos eu, filha e sobrinha para a terra de Iracema sem atrasos nos vôos, hotel impecável, passeios reveladores a Cumbuco, Morro Branco e a incrível Serra de Baturité, com seus mosteiros, hortênsias e aves tropicais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Boates também, como não, afinal quem tem pelo menos um adolescente na família não sabe o que está perdendo: a irrepreensível Mucuripe com seus vários espaços e tendências, a estilosa e estranha Órbita (ou "Orta", para um dos simpáticos taxistas) e ainda o impraticável Armazém, superlotado e mal freqüentado, que nos deu a exata sensação de que não devíamos mesmo ter entrado ali.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas foi em Jericoacoara que percebi, de fato, a razão da viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E o Brasil que tinha dentro de mim mudou para sempre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Nesse lugar que a imensidão escolheu para morar, dourar-se ao sol, enterrar-se na areia sempre mutante das dunas e banhar-se demoradamente no mais azul dos mares ou nas lagoas mais recônditas, nesse lugar onde Deus inventou a felicidade, foi que me encontrei comigo inteira, avesso, direito, bordas, bolsos escondidos, fundos falsos, armadilhas destravadas. Só em Jeri é possível despir os medos, lavá-los e secá-los ao vento e ao sol, estendê-los na longa faixa de areia até que, bem esticadinhos, revelem-se sem armas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Na luz da areia branca e das águas transparentes, compreendi meus últimos meses, teci um novo sentir, livrei-me das tralhas usadas e acumuladas na alma, esvaziei-me de prejulgamentos, mágoas, tristezas e restos. Renovei o estoque de esperança, abri as comportas, deixei dores, encontrei sorrisos, soltei o corpo com leveza e, pela primeira vez em muito tempo, dormi, indefesa e feliz, o sono da serenidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em Tatajuba contemplei a humana pequenez diante do imenso ao meu redor, saboreei peixe e camarão como se estivesse na Santa Ceia, sentei-me numa providencial rede a balançar na água, senti os pés na areia molhada. Na Pedra Furada quebrei um dedinho, sim, mas o que é um dedinho diante de Jericoacoara e sua grandeza? Subi a duna mas o pôr-do-sol não apareceu, coitado, após brigar com a nebulosidade; ao descer, parei embevecida numa roda de capoeira cercada de turistas desconcertados, a filmar e fotografar freneticamente. Vai pôr na cabeça de um romeno, eslavo, finlandês, sei lá o que mais, a essência de um ser capoeirista??...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E no embalo do berimbau fui guardando com carinho as lembranças mais doces para usar depois - agora, por exemplo, quando apesar da distância física a imensidão se instala e Jericoacoara cura-me pra sempre de tudo o que der e vier.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7002475908173117482?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7002475908173117482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7002475908173117482' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7002475908173117482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7002475908173117482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/02/cear-em-generosas-doses.html' title='Ceará em generosas doses'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-7962332281697844250</id><published>2007-02-12T16:46:00.000-04:00</published><updated>2007-02-12T17:14:11.897-04:00</updated><title type='text'>Filmes, filmes para uma cidade</title><content type='html'>É fácil dizer que Tiradentes, em Minas Gerais, é tão bonita que daria um filme. A exuberância e o calor desse cenário a céu aberto, talhado na pedra lascada que sobe ladeiras atrás de ladeiras, emoldurado pelo conjunto colonial recortado em branco e tons naturais contra uma imponente e protetora Serra de São José, são de fato para sonhar e eternizar.&lt;br /&gt;Mas Tiradentes não é cidade de um filme só.  Mesmo não tendo um cinema sequer. Quando chega janeiro - e isso já há dez anos - todos os filmes são para ela, rainha escolhida a dedo para sediar a Mostra de Cinema de Tiradentes, uma espécie de paraíso democrático do filme nacional, seja ele longa, curta ou vídeoarte, e do livre debate sobre tudo aqulo que realmente interessa, quando o assunto é cinema.&lt;br /&gt;São dez dias descompassados, quando o coração escorrega mil vezes pelas ladeiras, entre o Centro Cultural Yves Alves, onde se acende o debate, o Cine-Tenda - um enorme e irresistível escurinho que remete aos cinemões que alimentavam a infância da gente, e onde se exibe a maior parte dos filmes - e o Cine-Praça, que faz a alegria do povo sempre que as chuvas o permitem.  Isso sem falar nas inúmeras oficinas que se multiplicam atrás de portas fechadas, inconfidentes, delirantes - e muito, muito profissionais.&lt;br /&gt;Livre e colorida, descompromissada com sucessos pontuais e entregue à sua vastidão e diversidade, a Mostra é uma festa.  E para combinar com a mineirice do cenário, sempre começa e termina com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cortejo&lt;/span&gt; - nada menos que o célebre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bloco&lt;/span&gt;, para quem é de carnaval - cheio de paixão, fantasias, bandinha, malabaristas, perna-de-pau, bonecos cheirando a Olinda e muita, muita batucada para fazer tremerem as pedras da história.&lt;br /&gt;No recheio, a qualidade absoluta da programação, o compromisso em democratizar a produção do ano - todos podem ter tudo de graça - e a profundidade com que se discute cinema o tempo inteiro, num ambiente de grande transparência. Onde a estrela verdadeira, aquela que brilha todas as noites sobre as nossas cabeças, faça chuva ou céu estrelado, é o vigor com que o cinema brasileiro se impõe, cada vez mais, pela qualidade das produções e pelo talento energético de seus realizadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-7962332281697844250?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/7962332281697844250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=7962332281697844250' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7962332281697844250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/7962332281697844250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/02/filmes-filmes-para-uma-cidade.html' title='Filmes, filmes para uma cidade'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-3264476373851497232</id><published>2007-02-12T16:18:00.000-04:00</published><updated>2007-02-13T11:51:01.242-04:00</updated><title type='text'>Esparsas</title><content type='html'>Uma vida e seus ecos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dias depois do meu último post, estava a navegar por razões literárias por respostas, comentários e notas de pessoas que ainda não conhecia. Caminhei em meio a essas impressões porque me interessavam vivamente, e assim fui desvendando vidas devagar... Soube de tantos detalhes que não imaginava, aprendi imenso sobre sentimentos profundos que poderiam ser meus, ou com os quais me identifiquei no trajeto... Sem querer, conheci dores, momentos de luto, tristezas debulhadas com carinho e saudade. E por essa razão acabei entrando, respeitosamente, no blog de alguém que tinha acabado de falecer.&lt;br /&gt;Havia ali muita vida, sonhos ainda quentes, esperanças escapadas de sorrisos talvez amarelos, mas guerreiros. E determinação também, bom-humor, talento. Visitei alguém que podia ter conhecido, de quem poderia ter gostado, com quem decerto teria trocado muito... Por instantes, ao percorrer as últimas páginas ali deixadas com a naturalidade de quem tem a certeza de que vai continuar amanhã, pressenti que sua autora era uma dessas pessoas acostumadas à eternidade. Parecia esbanjar vitalidade em cada palavra, com aquele jeito simples e especial que caracteriza as pessoas realmente espontâneas. E me senti bem-vinda, acolhida, como se merecesse de fato entrar, ainda que de leve, naquele mundo. O mundo de alguém que passou, mas mesmo assim permaneceu, espalhando luz à sua volta.&lt;br /&gt;Agradeço aqui ao Milton e ao Paulo, mesmo sem os conhecer, por me terem guiado ao delicado universo de sua querida Meg, autora do blog Sub-Rosa, a quem presto minha homenagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-3264476373851497232?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/3264476373851497232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=3264476373851497232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3264476373851497232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/3264476373851497232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/02/esparsas.html' title='Esparsas'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-116879289889469946</id><published>2007-01-14T12:40:00.000-04:00</published><updated>2007-01-15T10:19:29.670-04:00</updated><title type='text'>Milton, Chico e Ney</title><content type='html'>A vida volta, às vezes. &lt;br /&gt;E volta cheia de gás, sem nostalgia, com gosto de agora. &lt;br /&gt;Nesses tempos recentes, muita coisa guardada vem se reinstalando em mim de um jeito bom, cheiroso, de memória que refresca a pele.&lt;br /&gt;A música, principalmente... mas a música da vida, aquela que jamais se separa de todo da gente. &lt;br /&gt;Dezembro e janeiro me trouxeram, de uma só enfiada, Milton Nascimento, Chico Buarque e Ney Matogrosso. Ao vivo e a cores, para acender muita coisa costurada à bainha da minha alma desde muito sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi Milton, com seu vigor contagiante, o timbre impossivelmente belo, todas aquelas canções claras feito água de rio, rio vereda de Minas, a Minas que morou dentro de toda uma geração, aliás várias gerações, por obra e graça do menino de Três Pontas e todo o seu clube da esquina.&lt;br /&gt;Ouvir e ver o Milton, só e acompanhado, é um pouco como a letra de uma das canções do último disco: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Será que isto quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer?"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Felicidade suprema foi receber, de presente, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A lua girou&lt;/span&gt; - e o convite para fazer corinho, toda uma platéia respeitosa e apaixonada a cantar, muito afinada, "Hãã... hãã... hãããera... hãã... hãã... hãããera", um colchão sonoro para as sublimes improvisações que só Milton Nascimento sabe fazer, com sua voz de cristal de rocha, da melhor pedra que há nas nascentes das Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo foi Chico, nosso irmão, nosso filho, nosso pai, amante e amado. Chico dos olhos inocentes e de todos os pecados e sonhos marcados na pele feito tatuagens, só pra nos dar coragem pra seguir viagem quando a noite parece não acabar... Chico, ombro a ombro nos anos de medo, desespero e amor... Chico feminino plural... Chico, encanto que de repente acorda e ressurge no palco, sempre mais belo e do mesmo jeitinho de menino que arriscou ver a banda passar e levou o Brasil com ele.&lt;br /&gt;O homem, poeta e fotógrafo do seu tempo vem novo de coração e de canções, sem faltarem aquelas que a gente jamais esquece e sempre há de reconhecer, afinal, quem canta comigo canta o meu refrão... &lt;br /&gt;Entre as novas, as médias e as antigas, Chico e seu violão nos devolveram a certeza de que, afinal, demos pra alguma coisa, escrevemos com ele parte da história, só por  ouvi-lo e ecoá-lo por toda parte, amanhã há de ser outro dia, meu Deus, vem olhar, vem ver de perto essa cidade a cantar...&lt;br /&gt;Quem te viu e ouviu um dia amou-te à primeira estrofe, atravessou o bosque que um muro alto proibia e seguiu contigo; quem te vê e te ouve agora recolhe na alma a poesia que deixas no chão, olha bem fundo nos olhos verdes das canções e, rendido, abre os braços pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer do terceiro? Ney Matogrosso, cálido e forte, é um vento de tempestade e, ao mesmo tempo, um acorde singelo a ecoar na noite. Quase acústico, escolheu cantar acompanhado por violões, guitarra, viola, violão de sete cordas, alaúde. E foi replantando, podando e enxertando as canções mais contundentes e também as delicadas, até produzir emoção pura. O Ney que está no palco cercado de cordas é um mestre das artesanias vocais e expressivas. Estão lá os mesmos olhos penetrantes que mesmerizam, cortam, ferem e amam. Estão lá o bom-humor, a pitada de malícia, a brejeirice - e também dor, sentimento, indignação. Ney é um ator a serviço das canções, um artífice da mais pura simplicidade no ato de cantar. &lt;br /&gt;Nesse quase concerto, a surpresa é a pequena mas precisa seleção do repertório dos Secos &amp; Molhados, ao final: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sangue Latino, Rosa de Hiroxima, Fala&lt;/span&gt;. E Ney fala, sim, com a voz e autoridade de quem fugiu de limites sem jamais ultrapassar os meridianos do bom-gosto. Fala com o corpo, os sentidos, melodia e palavras. E faz voltar e seguir o tempo, ora sambista, ora bandoleiro, ora amendoim torradinho... mas sempre, sempre Ney. Como só ele sabe ser, sentir e se fazer sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-116879289889469946?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/116879289889469946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=116879289889469946' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/116879289889469946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/116879289889469946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/01/milton-chico-e-ney.html' title='Milton, Chico e Ney'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-116863092333279445</id><published>2007-01-12T15:17:00.001-04:00</published><updated>2007-01-14T12:39:00.176-04:00</updated><title type='text'>Independentes</title><content type='html'>I &lt;br /&gt;Selvagens o tempo&lt;br /&gt;e os arrepios de medo&lt;br /&gt;- hora de guardar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Jogar, ora  bolas&lt;br /&gt;pernas compridas e poucas&lt;br /&gt;pra tanta sede de gols...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Faceiríssima, nua,&lt;br /&gt;o amar armado no espelho&lt;br /&gt;- e a alma, encolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Esse funk pra todo lado&lt;br /&gt;e o coração, surdo-mudo,&lt;br /&gt;põe o leite pra esquentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;Portugal cá dentro&lt;br /&gt;canção pra lá dos olhos&lt;br /&gt;E &lt;span style="font-style:italic;"&gt;onde estás, tu, mamá?*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;........................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* (Estrofe da Canção de Lisboa, de Jorge Palma, &lt;br /&gt;mestre da música e da alma portuguesas)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13083964-116863092333279445?l=jornalistico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistico.blogspot.com/feeds/116863092333279445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13083964&amp;postID=116863092333279445' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/116863092333279445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13083964/posts/default/116863092333279445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistico.blogspot.com/2007/01/independentes_12.html' title='Independentes'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13083964.post-116857719640189820</id><published>2007-01-11T23:48:00.000-04:00</published><updated>2007-01-15T20:48:40.063-04:00</updated><title type='text'>Saudade boa, ou "tudo fácil, nada perto"</title><content type='html'>Neste momento, 01:48 da manhã, ouço extasiada o terceiro ato da ópera &lt;span style="font-style:italic;"&gt;I Puritani&lt;/span&gt;, de Vincenzo Bellini, transmitida ao vivo do Metropolitan Opera, em Nova York. Solistas, a revelação Anna Netrebko, o tenor Eric Cutler e o barítono Franco Vassallo. Um amigo me avisou a tempo de poder ouvir quase a ópera inteira, um raro prazer em linha direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ouço, penso na maravilha que é a instantaneidade da tecnologia. Num instante deixo minha cadeira de trabalho e estou na platéia do Met, com toda a energia e carga emocional que uma ópera como esta traz consigo e distribui, generosamente, aos aficionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tecnologia... Pode ser acolhedor ver chegar um email quentinho, saído do forno da alma, com carinhos vivos de alguém - boas palavras, amenidades, poemas, doçuras. É bom clicar ou receber um clic no msn, falar com alguém léguas e mares distante. É bom ter o Skype e conversar como se fosse de bem perto. A tecnologia é capaz de, a todo momento, fazer suas mágicas, colorir o dia, abraçar a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em como tudo isso é fácil... o difícil, mesmo, é o ser humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui sentada a escrever meu blog, sinto falta de ti e tuas graças. Do modo como chegaste sem jeito, do nada, e abriste caminho para alegrar-me. E de como nos entendemos com verdade e poesia, com uma naturalidade mansa, mas absoluta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tecnologia abrigou um texto meu, escrito com a máxima paixão, e levou-te a ele. E assim vieste, sem mais cerimônia, a sorrir timidamente no email. Minha alma distraída, leve-solta no ciberespaço, recebeu-te com alegria leve, fraterna.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sabias falar comigo, fazer-me rir, poetar, sonhar. Parecias sempre chegar para o chá com biscoitos finos, um pouco de geléia a lambuzar poemas, sorrisos, palavras vivas, histórias contadas com brilho nos olhos que eu ainda não via. Convidavas-me a passear pelo teu dia-a-dia, eu ia de carruagem, às vezes com asas emprestadas. E divertia-me sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos criando costume, cumplicidades... e ficando necessários um ao outro. Eu te esperava, e tu a mim, para trocar poetas e suas estrofes, construir lembranças, inventar verdades. O oceano e o fuso horário que nos separavam tornaram-se irrelevantes para tanto assunto, tanto gozo de estar juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos, bem alimentados, engordavam a olhos vistos (ou quase). Um dia disseste que ias atravessar o mar... e então pusemo-nos a desejar o encontro dos olhos e das mãos e das pequenas felicidades. Esforçamo-nos para isto online e offline: email, msn, telefonemas do ultramar... tudo contribuiu para que afinal, pudéssemos estar juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo no continente, ainda faltavam uns três mil quilômetros. Preparei-me para ti desde muito longe e bem dentro, e tu para mim. E conseguimos, sim, conseguimos... tudo parecia conspirar para que a alegria ao vivo fosse a mesma das cartas, juras e sonhos anunciados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostamo-nos. Amamo-nos. Houve verdade e ardor, pânico e dúvidas. Recuos, ansiedades, desconforto misturado ao carinho e à leveza de ser juntos, simplesmente, diante do mar e de nós mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos à distância física, mas lá estava o email a amenizar tudo, a rechear incertezas com poemas e beijos. E, mesmo com o passo inseguro, permanecíamos cúmplices em muitas coisas. Era um prazer duelar sobre bobagens da gramática, trocar apelidos, falar de tudo aquilo que gostávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seio de algum desvario, arrefeceste. Divergimos, amuei-me, foram menos emails, tu com mais compromissos, a interessar-se por coisas que eu não via, mas estranhamente pressentia. Nossa fina sintonia apontava interferências, e nem a eficiência das redes sem fio conseguia saná-las. &lt;br
